Infiltração no joelho funciona para todo mundo? Entenda benefícios, limites e riscos

Corticoide, ácido hialurônico e PRP podem ser usados em situações específicas, mas o procedimento não elimina a causa de todos os tipos de dor nem comprovadamente regenera a cartilagem.
Redação NC News
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A infiltração no joelho ganhou espaço entre pessoas que procuram uma maneira rápida de aliviar dores causadas por artrose, inflamações ou outras alterações na articulação. O procedimento consiste na aplicação de uma substância diretamente no espaço articular e pode, em determinados casos, ajudar no controle dos sintomas.

O problema é que diferentes tratamentos são frequentemente apresentados como se tivessem o mesmo objetivo. Corticoides, ácido hialurônico, plasma rico em plaquetas (PRP) e derivados da medula óssea têm mecanismos, indicações e níveis de evidência diferentes. Além disso, aliviar a dor não significa necessariamente reparar ou regenerar uma cartilagem danificada.

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Entenda o que aconteceu

O joelho é uma das principais articulações responsáveis pela mobilidade. Caminhar, subir escadas, levantar-se e realizar atividades do cotidiano dependem do funcionamento adequado da região.

A artrose de joelho está entre as doenças articulares mais comuns e pode provocar dor, rigidez e dificuldade de movimentação. Segundo os dados citados na publicação do G1, cerca de 365 milhões de pessoas conviviam com artrose no joelho em 2019, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nesse cenário, a infiltração pode fazer parte do tratamento de alguns pacientes. Porém, a escolha da substância deve considerar a causa da dor, o estágio da doença, os sintomas e os objetivos do tratamento.

Para que serve a infiltração no joelho

A infiltração é uma aplicação de medicamentos ou outros produtos dentro da articulação. Dependendo da substância utilizada, o objetivo pode ser reduzir dor, controlar inflamação ou melhorar temporariamente a função do joelho.

O procedimento pode ser indicado em algumas situações de artrose, artrites, sinovite e outras condições que provocam dor e limitação dos movimentos.

Isso não significa, entretanto, que uma infiltração seja capaz de corrigir a causa do problema. Em muitos casos, ela funciona como parte de uma estratégia mais ampla de tratamento.

Corticoide pode aliviar a dor, mas tem limitações

Os corticoides possuem potente ação anti-inflamatória e podem reduzir sintomas em determinadas situações, principalmente quando existe inflamação na articulação.

O efeito, porém, tende a ser temporário. Um dos estudos citados pelo G1 acompanhou 140 pacientes que receberam aplicações trimestrais de triancinolona durante dois anos. Nesse esquema específico, o corticoide não apresentou vantagem no controle da dor em comparação com solução salina e foi associado a uma perda maior de cartilagem.

Isso não significa que todo uso de corticoide seja inadequado. O resultado reforça a necessidade de considerar indicação, frequência das aplicações, duração do tratamento e possíveis riscos.

Ácido hialurônico não é sinônimo de cartilagem nova

Outra opção encontrada em tratamentos para o joelho é o ácido hialurônico, componente naturalmente presente no líquido sinovial, responsável por parte das propriedades de lubrificação da articulação.

Algumas formulações podem proporcionar alívio da dor e melhora da função em determinados pacientes. As recomendações sobre seu uso, porém, variam conforme as diretrizes e o perfil do paciente.

Um ponto importante é não confundir melhora dos sintomas com regeneração da cartilagem. Não há comprovação de que a infiltração com ácido hialurônico simplesmente faça surgir uma nova cartilagem no joelho.

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O que é PRP e por que os resultados variam

O plasma rico em plaquetas (PRP) é produzido a partir do sangue do próprio paciente. A preparação concentra plaquetas e outras moléculas que participam de processos relacionados à inflamação e ao reparo dos tecidos.

Um dos desafios para avaliar a eficácia do PRP é que os produtos utilizados nos estudos não são necessariamente iguais. Métodos de preparação, concentração de plaquetas e quantidade de leucócitos podem variar.

No ensaio RESTORE, citado na publicação do G1, 288 participantes receberam três aplicações de PRP ou injeções de solução salina. Após 12 meses, o PRP não apresentou vantagem sobre a solução salina na redução da dor ou na preservação do volume da cartilagem. Outras revisões, entretanto, encontraram resultados mais favoráveis ao PRP em comparação com o ácido hialurônico.

A diferença entre os estudos reforça que o tratamento não deve ser apresentado como uma solução universal.

E as chamadas células-tronco?

Produtos derivados da medula óssea, como BMA e BMAC, também aparecem em clínicas e conteúdos sobre tratamentos ortopédicos.

Apesar de algumas divulgações utilizarem expressões como “células-tronco”, esses produtos não correspondem necessariamente a uma preparação de células-tronco selecionadas e expandidas em laboratório.

Segundo a análise apresentada pelo G1, BMA e BMAC são misturas que podem conter células sanguíneas, plaquetas, citocinas, fatores de crescimento e pequenas quantidades variáveis de células progenitoras. A capacidade de regenerar cartilagem não está comprovada.

Já terapias celulares propriamente ditas continuam sendo objeto de investigação científica. Uma revisão de 16 ensaios randomizados, envolvendo 807 participantes, apontou pouca ou nenhuma melhora clinicamente importante da dor e da função entre três e seis meses, além de incertezas sobre efeitos adversos e resultados de longo prazo.

Exercício continua sendo parte importante do tratamento

Uma infiltração não substitui medidas consideradas fundamentais no cuidado das articulações.

O exercício estruturado, o fortalecimento muscular e, quando indicado, o controle do peso podem contribuir para reduzir a sobrecarga sobre o joelho e melhorar a capacidade funcional.

No caso de adultos com sobrepeso ou obesidade e artrose, pesquisas citadas pelo G1 associam a perda de peso a uma redução da carga exercida sobre o joelho durante cada passo. No ensaio clínico IDEA, a combinação de dieta e exercício levou a uma perda média superior a 10% do peso em 18 meses e apresentou resultados melhores em alguns desfechos do que as intervenções isoladas.

A atividade física, portanto, não deve ser encarada como algo secundário quando existe indicação para tratamento da artrose.

Quais são os riscos da infiltração

Como qualquer procedimento médico, a infiltração pode apresentar riscos. Eles variam conforme a substância utilizada, a condição do paciente e a técnica empregada.

Entre os possíveis efeitos estão dor ou sensibilidade temporária, inchaço, vermelhidão, pequeno sangramento e reação ao medicamento. Uma complicação rara, mas grave, é a infecção dentro da articulação.

Em pessoas com diabetes, alguns medicamentos, especialmente corticoides, também podem provocar alterações temporárias na glicemia.

Por isso, aplicações repetidas não devem ser feitas simplesmente porque uma infiltração anterior proporcionou alívio. É necessário reavaliar a situação e discutir os benefícios e riscos com o médico.

Quando procurar avaliação médica

Dor persistente no joelho pode ter diferentes causas. Artrose, lesões de menisco, inflamações, problemas ligamentares e outras condições exigem avaliações diferentes.

Antes de escolher uma infiltração, o ideal é identificar qual é o problema, qual é o objetivo do tratamento e qual evidência existe para a terapia proposta.

A presença de dor intensa, inchaço importante, limitação dos movimentos ou sintomas que persistem apesar das medidas iniciais merece avaliação profissional.

Entenda o contexto

A popularização das infiltrações aumentou a oferta de diferentes produtos e procedimentos apresentados como alternativas para dores no joelho. Porém, não existe uma única infiltração capaz de resolver todos os problemas da articulação.

Algumas substâncias podem ajudar a controlar sintomas por determinado período. Outras ainda são estudadas e apresentam resultados inconsistentes. E nenhuma delas deve ser automaticamente associada à regeneração da cartilagem.

O tratamento precisa partir do diagnóstico e dos objetivos de cada paciente. Fortalecimento muscular, exercício, controle do peso quando necessário e acompanhamento médico continuam sendo componentes importantes do cuidado com o joelho.

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