Lula lança ação integrada contra crime organizado no Rio com forças federais, estaduais e municipais

Estratégia reúne PRF, Força Nacional, polícias estaduais e Guarda Municipal para atuar sobre rotas, territórios e estrutura financeira de organizações criminosas
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta sexta-feira (18) uma estratégia integrada de segurança pública para combater o crime organizado no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne forças federais, estaduais e municipais e prevê ações coordenadas de inteligência, policiamento e investigação para atingir a logística, a circulação e a estrutura financeira de organizações criminosas.

Apresentada como um projeto-piloto, a estratégia estabelece três frentes principais: proteção dos corredores logísticos, reocupação de territórios sob influência de organizações criminosas e fortalecimento da capacidade de segurança dos municípios. A iniciativa envolve a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Força Nacional, as polícias Civil e Militar do Rio e a Guarda Municipal.

 

Estratégia terá atuação em corredores do Rio

Uma das frentes prevê o reforço da segurança em áreas consideradas estratégicas para a circulação de pessoas, cargas e recursos. Entre os locais estão a Avenida Brasil, as linhas Vermelha e Amarela e os acessos ao Porto do Rio de Janeiro e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão.

Também estão previstas ações nas divisas do Rio de Janeiro com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. O objetivo é ampliar a troca de informações e coordenar operações de policiamento, fiscalização e investigação nesses corredores.

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Plano também prevê retomada de territórios

O segundo eixo da estratégia é voltado à reocupação de áreas onde organizações criminosas exercem influência. A proposta prevê o uso integrado de inteligência territorial, apoio tático e análise financeira e patrimonial.

O governo federal e o governo do Rio já haviam firmado, em setembro, acordos de cooperação para organizar ações conjuntas nesses territórios. Os instrumentos preveem integração de dados, apoio às investigações e uso de tecnologias de monitoramento.

 

 

Guarda Municipal terá novos integrantes treinados pela PRF

No eixo municipal, a estratégia prevê o fortalecimento da estrutura de segurança da Prefeitura do Rio. Segundo o Ministério da Justiça, 386 novos integrantes da Guarda Municipal serão treinados pela Polícia Rodoviária Federal, além dos 600 agentes que já passaram pela formação.

A prefeitura também informou que o Rio passou a integrar o Sistema Nacional de Inteligência. Dados do sistema municipal de vigilância Civitas Rio serão compartilhados em tempo real com forças estaduais e federais, de acordo com o prefeito Eduardo Cavaliere.

 

 

Governo fala em projeto-piloto

Lula classificou a iniciativa como um projeto-piloto para testar um modelo de atuação integrada entre diferentes níveis de governo. Segundo o presidente, a experiência no Rio poderá servir de referência para outras regiões do país caso apresente resultados.

A proposta busca evitar que as ações de segurança fiquem restritas a operações isoladas. A estratégia prevê planejamento conjunto, definição de responsabilidades, compartilhamento de informações e acompanhamento dos resultados.

 

 

Programa federal prevê R$ 11,1 bilhões

A ação no Rio faz parte de uma política mais ampla do governo federal de enfrentamento ao crime organizado. O Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê R$ 11,1 bilhões, sendo R$ 1,065 bilhão em recursos orçamentários e R$ 10 bilhões em linhas de crédito do BNDES para estados e municípios.

O programa federal tem quatro eixos: combate à estrutura financeira das organizações criminosas, enfrentamento ao tráfico de armas, atuação no sistema prisional e investigação de homicídios. Entre as medidas anunciadas está a destinação de R$ 330,6 milhões para reforçar a segurança de 138 presídios.

 

 

Segurança pública ganha espaço na campanha eleitoral

A apresentação da estratégia ocorre durante a campanha eleitoral de 2026, período em que a segurança pública se tornou um dos temas centrais do debate entre os candidatos à Presidência. O assunto também tem sido explorado pelos adversários de Lula, especialmente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O Poder360 registrou que o governo busca apresentar uma agenda própria para o setor em meio à disputa política sobre as respostas ao avanço das facções criminosas. Flávio tem defendido medidas mais duras contra organizações como PCC e Comando Vermelho e criticado a atuação do governo federal na área.

 

 

Lula rejeita classificação de facções como terroristas

Durante a agenda no Rio, Lula também voltou a criticar a proposta de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O presidente afirmou que não concorda com esse enquadramento e defendeu uma diferenciação entre terrorismo ligado à disputa pelo poder e a atuação de grupos criminosos voltados ao controle de territórios e atividades econômicas.

O debate ganhou força depois de declarações do governo dos Estados Unidos sobre o combate brasileiro ao PCC e ao Comando Vermelho. Lula afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas deve ocorrer por meio de inteligência, integração das forças de segurança e retomada de áreas dominadas pelo crime.

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Entenda o contexto

A integração entre União, Estado e municípios passou a ser uma das estratégias defendidas pelo governo federal para ampliar a atuação contra organizações criminosas. No Rio de Janeiro, acordos assinados em setembro já estabeleceram mecanismos de cooperação para proteger corredores logísticos e ampliar a presença do poder público em áreas afetadas pelo crime.

Na quinta-feira (17), representantes do Ministério da Justiça e do governo do Rio avançaram para a elaboração dos primeiros Planos Operacionais Integrados. Os documentos deverão definir áreas prioritárias, responsabilidades das instituições, fluxos de comunicação, uso de tecnologias e indicadores para acompanhar os resultados.

A iniciativa também ocorre em um momento em que a segurança pública ocupa espaço relevante na campanha presidencial. Lula tem defendido maior participação da União no setor e a integração entre as forças, enquanto adversários apresentam propostas diferentes para o combate às facções. As estratégias e avaliações sobre seus possíveis efeitos fazem parte do debate eleitoral, enquanto a implementação das medidas ainda está em andamento.

 

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