Lula diz que SUS terá canetas emagrecedoras, mas acesso ainda depende de etapas

Governo estuda a incorporação dos medicamentos para pacientes com obesidade e afirma que distribuição deverá seguir indicação médica e protocolo clínico
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as chamadas canetas emagrecedoras deverão ser oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade que tenham indicação médica. Apesar do anúncio, os medicamentos ainda não estão disponíveis de forma ampla na rede pública e a incorporação depende da conclusão de estudos e da definição dos critérios de acesso pelo Ministério da Saúde.

A declaração foi feita na quinta-feira (17), durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais. Segundo o Ministério da Saúde, a proposta é utilizar os medicamentos no tratamento de pacientes que realmente apresentem necessidade clínica, evitando o uso indiscriminado ou exclusivamente para fins estéticos.

Leia também:

Lula lança ação integrada contra crime organizado no Rio com forças federais, estaduais e municipais

Entenda o que aconteceu

Durante o evento em Minas Gerais, Lula afirmou que a intenção é disponibilizar gratuitamente as canetas para pessoas com obesidade quando houver indicação médica. O presidente também defendeu que o tratamento seja acompanhado por orientação profissional e mudanças nos hábitos de vida.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a incorporação será feita de forma responsável e baseada em evidências. Segundo ele, o governo não pretende tratar esses medicamentos como um “milagre estético”, mas como uma opção terapêutica para determinados grupos de pacientes.

Canetas ainda não estão disponíveis para todos no SUS

O anúncio não significa que um paciente já possa procurar uma unidade de saúde e retirar gratuitamente uma caneta emagrecedora.

Antes da disponibilização de um novo medicamento pelo SUS, existem etapas técnicas e administrativas. O processo de incorporação envolve avaliação de evidências sobre eficácia, segurança e impacto econômico, além da definição ou atualização dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. Dependendo da modalidade de fornecimento, também são necessárias etapas relacionadas ao financiamento e à inclusão do medicamento nas estruturas utilizadas pelo sistema público.

Estudo acompanha 250 pacientes

Uma das iniciativas em andamento é o estudo Real-Bari, desenvolvido com pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.

O protocolo acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras condições de saúde. Entre os objetivos está avaliar se o tratamento com semaglutida pode ajudar a controlar a obesidade e, em determinados casos, reduzir a necessidade de cirurgia bariátrica.

O Ministério da Saúde informou que o primeiro paciente que recebeu a medicação dentro do estudo perdeu seis quilos e apresentou redução da circunferência corporal. O resultado individual, porém, faz parte de uma pesquisa em andamento e não permite, sozinho, estabelecer o efeito do tratamento para todos os pacientes.

Governo quer definir quem poderá receber o medicamento

O protocolo clínico será uma etapa fundamental para estabelecer quem poderá ter acesso às canetas pelo SUS, em quais situações o medicamento será indicado e como deverá ocorrer o acompanhamento dos pacientes.

Padilha citou estudos envolvendo pessoas que aguardam cirurgia bariátrica, pacientes com obesidade e problemas cardíacos e mulheres que tiveram câncer de mama. A pasta avalia possíveis benefícios dos medicamentos nesses grupos antes de definir uma eventual oferta em escala nacional.

A prescrição médica deverá ser um dos critérios centrais. O próprio governo afirma que a futura disponibilização não deverá ocorrer de maneira indiscriminada.

Brasil amplia número de medicamentos registrados

O mercado brasileiro também passou por mudanças recentes. Em julho, a Anvisa registrou cinco novos medicamentos à base de semaglutida. Segundo o Ministério da Saúde, oito registros de fármacos desse tipo haviam sido realizados somente em 2026 até aquele momento.

A ampliação da concorrência e da produção nacional faz parte da estratégia do governo para tentar reduzir custos e aumentar o acesso aos tratamentos.

Padilha afirmou nesta semana que o Brasil já possui 14 produtos registrados para o tratamento da obesidade e relacionou o aumento da oferta à redução dos preços encontrados no mercado.

Veja também:

MP junto ao TCU pede suspensão de reajuste do Bolsa Família anunciado por Lula

Quando as canetas chegarão ao SUS

Até o momento, não foi divulgada uma data para que as canetas emagrecedoras passem a ser oferecidas amplamente pelo SUS.

A disponibilização dependerá dos estudos conduzidos pelo Ministério da Saúde, da avaliação técnica para incorporação e da definição do protocolo clínico que determinará quais pacientes poderão receber o tratamento.

Portanto, apesar da declaração de Lula sobre a futura oferta gratuita, a medida ainda precisa cumprir etapas antes de chegar à população em escala nacional.

Entenda o contexto

Os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras pertencem a uma classe que ganhou espaço no tratamento da obesidade e de outras condições metabólicas. Entre os princípios ativos conhecidos está a semaglutida, integrante da classe dos agonistas do receptor de GLP-1.

O Ministério da Saúde vem avaliando a utilização desses medicamentos na rede pública ao mesmo tempo em que incentiva a ampliação da produção nacional. A definição sobre a oferta deverá considerar não apenas os resultados clínicos, mas também segurança, custo, público-alvo e capacidade de atendimento pelo SUS.

Mais lidas do NC News:

Quem é Milton Leite, ex-presidente da Câmara de SP alvo de operação que investiga infiltração do PCC

Teto da cabine de Boeing 737 desaba durante voo no Irã; passageiros precisam trocar de avião

Quem foi Anne Frank? A história da adolescente judia que virou símbolo da perseguição nazista e foi chamada de “vitimista”

Carregar Comentários