Primavera começa com El Niño muito forte e coloca Brasil diante de calor extremo, seca e temporais

Início da primavera 2026 traz calor intenso e fenômeno El Niño, com chuvas irregulares e risco de seca em algumas regiões.
Redação NC News
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A primavera de 2026 começa oficialmente nesta terça-feira (22), às 21h05, pelo horário de Brasília, e chega ao Brasil sob influência de um El Niño muito forte, em um cenário de grande contraste entre as regiões. A nova estação, que vai até 21 de dezembro, deve combinar períodos de calor intenso, ondas de calor, temporais severos e distribuição irregular das chuvas, com impactos que podem atingir desde a agricultura até a rotina das grandes cidades.

O fenômeno climático ganhou força ao longo dos últimos meses e as projeções indicam manutenção de sua intensidade durante a primavera. Segundo o boletim conjunto de INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM, existe probabilidade superior a 90% de que o trimestre setembro-outubro-novembro registre um El Niño de intensidade muito forte. A Climatempo também aponta que o fenômeno deverá atingir seu pico entre a primavera e o início do verão.

Na prática, isso não significa que todo o país terá o mesmo tipo de tempo. A principal característica da estação será justamente a diferença entre os extremos: chuva mais frequente e episódios de temporais no Sul, enquanto áreas do Norte e Nordeste tendem a enfrentar uma estação seca mais prolongada e temperaturas elevadas. No Centro-Oeste e no Sudeste, a distribuição das chuvas deve ser bastante irregular, alternando períodos de calor com episódios de instabilidade.

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El Niño reforça extremos durante a primavera

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam anormalmente aquecidas, alterando padrões atmosféricos que influenciam a distribuição de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos não são uniformes. Durante a primavera, o aquecimento progressivo do país favorece o aumento da evapotranspiração e pode contribuir para períodos de calor intenso. Ao mesmo tempo, o contraste entre massas de ar quente e frentes frias aumenta o potencial para formação rápida de tempestades severas.

A Climatempo avalia que o El Niño de 2026 pode estar entre os mais intensos observados desde 1950 e prevê que seus efeitos fiquem mais evidentes durante a primavera. A estimativa é de que o fenômeno continue se fortalecendo até o fim da estação, com reflexos também no começo de 2027.

O histórico recente ajuda a dimensionar o que uma primavera sob forte influência do fenômeno pode representar. Em 2023, quando o Brasil também enfrentou uma primavera marcada pelo El Niño, foram registradas cinco ondas de calor, incluindo um episódio persistente entre 8 e 19 de novembro. Naquele período, várias cidades ultrapassaram os 40°C.

Sul deve concentrar chuva forte e risco de temporais

O Sul aparece entre as regiões com maior tendência de chuva durante a primavera. A combinação entre sistemas meteorológicos típicos da estação e a influência do El Niño pode favorecer episódios de precipitação intensa, tempestades, rajadas de vento, descargas elétricas e, em alguns casos, granizo.

O cenário é especialmente relevante para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde períodos de chuva intensa podem provocar alagamentos, enxurradas e outros transtornos. A distribuição, porém, não será constante: períodos de tempo mais estável e temperaturas elevadas podem ocorrer entre os episódios de instabilidade.

O padrão previsto é semelhante ao observado durante outras primaveras influenciadas pelo El Niño. Em 2023, por exemplo, o Sul registrou volumes elevados de chuva, com acumulados superiores a 1.000 milímetros em algumas localidades durante a estação. Em Passo Fundo (RS), o acumulado chegou a 1.250 milímetros, cerca de 700 milímetros acima da média histórica para o período.

A primavera também marca o aumento gradual da umidade e da chuva em boa parte do território brasileiro. No Sul, entretanto, a presença de sistemas organizados de tempestades pode fazer com que a precipitação seja concentrada em períodos curtos, elevando o risco de eventos severos.

Sudeste terá calor, chuva irregular e temporais

No Sudeste, o cenário é mais heterogêneo. São Paulo pode alternar períodos de calor com episódios de chuva associados à passagem de frentes frias e canais de umidade. Em Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro, a tendência apontada pela Climatempo é de predominância de dias quentes, com chuva mais irregular.

Belo Horizonte aparece entre as capitais que podem enfrentar períodos prolongados de calor e precipitação mal distribuída. No litoral do Sudeste, também são esperados episódios de calor intenso antes da passagem de frentes frias, situação conhecida como aquecimento pré-frontal.

A estação também favorece o surgimento de episódios de chuva mais organizada. O INMET destaca que os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) podem ocorrer durante a primavera, levando períodos de chuva ao Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia.

O problema está justamente na alternância. Dias muito quentes podem ser seguidos por mudanças rápidas no tempo, com aumento de umidade, formação de nuvens carregadas e temporais. Para as cidades, isso significa uma combinação de calor extremo, desconforto térmico e risco de alagamentos durante episódios de chuva intensa.

Centro-Oeste e Matopiba entram em período de atenção

No Centro-Oeste, o comportamento da chuva será desigual. Mato Grosso do Sul tende a receber mais episódios de precipitação do que Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, enquanto áreas desses estados podem enfrentar períodos de calor intenso e demora na regularização das chuvas.

A situação ganha importância para o agronegócio porque a primavera coincide com a transição para o período chuvoso e com o início do plantio de importantes culturas de verão.

No Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a preocupação está justamente no atraso ou enfraquecimento das chuvas em um momento importante para o calendário agrícola. A Climatempo aponta que o clima mais seco pode marcar a primavera no interior do Nordeste, enquanto o retorno das precipitações será fundamental para o início de novas safras.

A irregularidade das chuvas não significa necessariamente ausência total de precipitação. O risco para produtores está na dificuldade de estabelecer uma regularidade suficiente para garantir o início adequado do plantio. Em determinadas áreas, períodos secos podem ser intercalados por pancadas fortes, situação que não substitui uma distribuição regular da água ao longo do ciclo agrícola.

Teresina está entre as capitais que devem sentir de maneira mais evidente esse padrão. A previsão da Climatempo indica calor intenso durante praticamente toda a primavera e pouca chuva na capital piauiense.

Norte terá seca mais prolongada e recuperação lenta dos rios

Na Região Norte, a previsão aponta para uma estação seca mais intensa e prolongada, acompanhada de temperaturas elevadas e chuva abaixo da média em grande parte da região. O leste do Amazonas e o noroeste do Pará aparecem entre as áreas com maior destaque para o calor.

Belém ainda deve registrar pancadas de chuva, mas de maneira localizada e irregular. Isso significa que a ocorrência de chuva em determinados bairros ou áreas da cidade não necessariamente representará uma mudança generalizada no padrão meteorológico da região.

Em Manaus, a transição para o período mais chuvoso, normalmente observada entre novembro e dezembro, pode ocorrer de maneira pouco definida. A Climatempo também aponta que a recuperação dos rios deve ser lenta, cenário que pode afetar comunidades que dependem do transporte fluvial para deslocamento e abastecimento.

A combinação de calor, baixa precipitação e vegetação mais seca também exige atenção para queimadas e qualidade do ar. Em períodos de fumaça, os impactos podem ser maiores para crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares e trabalhadores que permanecem expostos ao ar livre.

Calor extremo volta ao radar das cidades

As ondas de calor são um dos principais pontos de atenção da primavera de 2026. A climatologia da estação já prevê temperaturas elevadas em boa parte do país, mas a intensidade do El Niño aumenta a preocupação com episódios de calor persistente.

O Brasil já experimentou um episódio extremo durante a primavera de 2023. Naquele ano, São Paulo chegou a 37,7°C, o Rio de Janeiro atingiu 42,5°C e Cuiabá chegou a 44,2°C. Em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, os termômetros marcaram 44,8°C em 19 de novembro, recorde registrado pelo INMET e considerado a maior temperatura medida nas estações meteorológicas do instituto.

O histórico não significa que essas temperaturas serão repetidas em 2026. A comparação serve como referência para mostrar a capacidade de uma primavera influenciada pelo El Niño de produzir episódios extremos de calor.

Nas grandes cidades, o problema pode ser ampliado pelo chamado efeito de ilha de calor urbana. Áreas com muito concreto e asfalto absorvem e retêm mais calor, enquanto a menor presença de vegetação reduz o resfriamento natural. Durante episódios prolongados, aumentam também o desconforto térmico e a demanda por equipamentos de refrigeração.

Saúde, agricultura e Defesa Civil entram no radar

A primavera representa uma mudança importante na rotina de diferentes setores. Para a agricultura, a regularização das chuvas é fundamental para o planejamento do plantio. Para as cidades, o desafio é lidar simultaneamente com ondas de calor, tempestades rápidas e alterações na demanda por água e energia.

Na área da saúde, períodos prolongados de calor podem aumentar o estresse térmico e exigir cuidados especiais com hidratação e exposição ao sol. A combinação de calor e fumaça proveniente de queimadas também pode piorar a qualidade do ar em determinadas regiões.

O INMET e os demais órgãos que participam do monitoramento do El Niño recomendam acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além da atenção aos avisos e alertas oficiais. A orientação inclui manter atualizado o cadastro para recebimento dos alertas da Defesa Civil e conhecer áreas de risco e rotas de fuga.

O principal desafio da primavera de 2026, portanto, não está em um único fenômeno. O país terá de lidar com diferentes situações simultaneamente: chuva intensa no Sul, calor e períodos secos no Norte e Nordeste, irregularidade no Centro-Oeste e episódios de instabilidade no Sudeste.

Uma primavera de extremos começa agora

A nova estação começa oficialmente às 21h05 desta terça-feira e termina em 21 de dezembro, às 18h50. Até lá, o Brasil deverá atravessar uma fase de transição marcada pelo avanço gradual das chuvas em algumas regiões, manutenção do tempo seco em outras e aumento das temperaturas em praticamente todo o território.

O El Niño muito forte é o principal elemento de grande escala no cenário climático atual. Segundo os órgãos oficiais, a probabilidade de manutenção do fenômeno em intensidade muito forte é elevada, mas seus impactos concretos dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas ao longo dos próximos meses.

Para a população, a recomendação é acompanhar previsões e alertas oficiais, especialmente em dias de calor extremo ou quando houver risco de temporais. Para produtores rurais e gestores públicos, a irregularidade climática exige planejamento e capacidade de resposta.

A primavera de 2026 começa, portanto, com um mapa climático dividido entre excesso de chuva, seca e calor. E a intensidade do El Niño coloca a estação no radar dos meteorologistas justamente por aumentar a possibilidade de episódios extremos ao longo dos próximos meses.

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Entenda O Contexto

A primavera é uma estação de transição entre o período seco e o período chuvoso em grande parte do Brasil. Em 2026, essa mudança ocorre sob influência de um El Niño que se fortaleceu ao longo do inverno e que, segundo o INMET e outros órgãos federais de monitoramento, apresenta alta probabilidade de permanecer em intensidade muito forte durante o trimestre setembro-outubro-novembro.

O fenômeno interfere na circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país. A previsão não indica um comportamento uniforme: o Sul aparece com maior risco de episódios de chuva forte, enquanto Norte e Nordeste tendem a enfrentar uma estação mais seca e quente. Centro-Oeste e Sudeste terão períodos de chuva intercalados com calor e instabilidade.

A primavera de 2026 também ocorre depois de uma primavera de 2023 marcada por extremos de temperatura e chuva. Naquele ano, o INMET registrou cinco ondas de calor e temperaturas superiores a 40°C em diferentes localidades, com destaque para os 44,8°C registrados em Araçuaí, Minas Gerais, em 19 de novembro.

A estação começa em 22 de setembro, às 21h05, e termina em 21 de dezembro, às 18h50, pelo horário de Brasília. Durante esse período, a recomendação dos órgãos de monitoramento é acompanhar as atualizações meteorológicas e os alertas oficiais, já que a distribuição e a intensidade dos eventos podem mudar ao longo da estação.

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