As bicicletas elétricas ganharam espaço na mobilidade de São Paulo e passaram a fazer parte da rotina de trabalhadores que buscam alternativas aos congestionamentos e às longas viagens pela cidade. O avanço desse tipo de veículo já pode ser percebido nas ciclovias e também no cotidiano de quem encontrou nas duas rodas uma opção mais prática para chegar ao trabalho.
Um levantamento recente da Ciclocidade mostra a dimensão dessa mudança: a categoria que inclui principalmente bicicletas elétricas, modelos com motor adaptado e outros veículos autopropelidos passou de 703 para 7.268 registros nos pontos monitorados, um crescimento de mais de dez vezes.
Para quem já incorporou a bicicleta elétrica à rotina, a principal diferença aparece no tempo gasto no percurso. O bancário Victor Ferreira usa o equipamento há seis anos e percorre o trajeto entre a região da Vila Nova, próximo ao Parque Ibirapuera, e a Avenida Paulista. O caminho que antes poderia levar até 50 minutos de carro passou a ser feito em cerca de 15 minutos.
“Hoje, principalmente pelo preço e pela qualidade de vida, eu escolhi a bicicleta. Gastaria muito tempo no trânsito e, com ela, faço um pouco de atividade física, movimento o corpo e ainda chego mais rápido ao trabalho. Isso facilita bastante o meu dia a dia.”
LEIA TAMBÉM:
Novas regras para patinetes e bicicletas elétricas começam a valer em SP
Entenda o que aconteceu
Victor afirma que a bicicleta elétrica representa um ganho de aproximadamente 30 minutos em cada viagem, o que significa cerca de uma hora economizada por dia. Para ele, o tempo recuperado no deslocamento acabou se tornando um dos principais motivos para manter o hábito. A percepção de que mais pessoas estão aderindo também aparece no cotidiano: segundo o bancário, prédios comerciais passaram a ampliar espaços destinados às bicicletas.

Mais tempo e menos desgaste
A experiência também se repete com o professor de matemática Diego Oliveira, que mora em São Caetano do Sul e trabalha na região da Avenida Paulista. Antes da bicicleta elétrica, o trajeto poderia chegar a uma hora e 20 minutos tanto no transporte público quanto usando uma bicicleta convencional, principalmente por causa das subidas. Com o modelo elétrico, ele passou a fazer o mesmo percurso em aproximadamente 40 minutos.
“Aqui em São Paulo a gente sabe que tem muitos trajetos e tem a questão do trânsito e da qualidade do transporte. De bicicleta elétrica, eu consegui fazer esse mesmo trajeto em apenas 40 minutos. De todos os testes que fiz até hoje, foi o meio que apresentou o melhor resultado.”
Para Diego, a vantagem não está apenas na economia de tempo. Ele também considera o custo-benefício favorável quando compara a bicicleta com alternativas que envolvem combustível, manutenção e outros gastos. A possibilidade de manter o corpo em movimento sem chegar ao trabalho excessivamente cansado também pesa na escolha.

VEJA TAMBÉM:
Patinetes e bicicletas elétricas terão limite de 20 km/h em ciclovias de SP
Uma mudança que já aparece nas ciclovias
O crescimento das bicicletas elétricas acompanha uma transformação mais ampla na mobilidade paulistana. A pesquisa mais recente da Ciclocidade, realizada em 2026 em mais de 200 pontos da cidade, identificou aumento no volume total monitorado e uma forte expansão da categoria que reúne principalmente bicicletas elétricas, veículos com motor adaptado e autopropelidos. Ao mesmo tempo, o número de bicicletas convencionais caiu 7,5% na comparação entre as medições.
A expansão, porém, também traz novas necessidades para a cidade. A Prefeitura de São Paulo iniciou em 28 de agosto uma série de ações educativas voltadas aos usuários de bicicletas elétricas e veículos autopropelidos. A iniciativa aborda principalmente velocidade, locais de circulação e equipamentos de segurança, além de utilizar placas, faixas, banners e identificadores de velocidade em ciclovias e ciclofaixas.
Prefeitura reforça orientação aos usuários
Entre as regras destacadas pela administração municipal está o limite de 20 km/h para bicicletas elétricas em ciclovias e ciclofaixas destinadas à circulação de bicicletas. Em espaços compartilhados com pedestres, o limite cai para 6 km/h. A regulamentação também estabelece onde esses veículos podem circular e prevê restrições para determinados tipos de vias.
A Prefeitura informou ainda que a fase educativa antecede o início das ações de fiscalização, previsto para 12 de outubro de 2026. O objetivo é orientar os usuários sobre as novas regras e tornar mais clara a convivência entre bicicletas elétricas, outros veículos e pedestres.
Uma nova relação com a cidade
Para quem adotou a bicicleta elétrica, a mudança vai além de trocar um meio de transporte por outro. É uma tentativa de recuperar tempo em uma cidade marcada por longos deslocamentos. Victor resume a transformação pela própria rotina: um caminho que chegava perto de uma hora de carro passou a ocupar cerca de 15 minutos sobre duas rodas.
Diego também vê a bicicleta elétrica como uma forma de conciliar deslocamento, economia e atividade física. Com a expansão desse tipo de veículo pelas ciclovias e ruas da capital, a tendência é que a discussão deixe de ser apenas sobre quem está pedalando e passe a envolver cada vez mais a forma como São Paulo organiza seus espaços para uma mobilidade que está mudando.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:
Imprensa internacional chama mensagens de Vorcaro e Moraes de “bomba atômica”
Augusto Cury defende semipresidencialismo e mandato de 8 anos para ministros do STF
São Paulo proíbe acorrentamento de cães e gatos; veja o que muda