O avanço acelerado da
inteligência artificial (IA) desperta mais preocupação do que entusiasmo entre os brasileiros. Uma pesquisa internacional mostra que 52% da população do país está mais preocupada do que empolgada com o crescimento da tecnologia.
Outros 33% afirmam sentir preocupação e entusiasmo na mesma medida, enquanto apenas 8% se dizem mais empolgados do que preocupados com a expansão da IA.
Os dados fazem parte de um levantamento do Pew Research Center sobre a percepção da inteligência artificial em 37 países. A pesquisa analisou desde o sentimento das pessoas diante da tecnologia até expectativas relacionadas ao mercado de trabalho e à desigualdade econômica.
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Empregos estão entre as principais preocupações
O futuro do mercado de trabalho aparece como um dos principais motivos de preocupação com a inteligência artificial.
No Brasil, 42% dos entrevistados acreditam que a tecnologia deverá provocar uma redução no número de empregos nas próximas duas décadas.
Por outro lado, 13% esperam que a IA resulte na criação de mais postos de trabalho. Outros 34% afirmaram não saber qual será o efeito da tecnologia sobre o nível de emprego.
A percepção brasileira acompanha uma tendência observada internacionalmente. Em 34 dos 37 países analisados, as pessoas são mais propensas a acreditar que a inteligência artificial resultará em menos empregos do que em mais oportunidades.
Preocupação com IA não é exclusiva do Brasil
O receio sobre os efeitos da inteligência artificial aparece em diferentes partes do mundo, embora existam diferenças importantes entre os países.
Considerando os 37 locais pesquisados, a mediana de entrevistados que afirmaram estar mais preocupados do que empolgados com a IA ficou em 37%.
Já 41% disseram sentir preocupação e entusiasmo na mesma medida.
Os níveis de preocupação tendem a ser maiores em algumas economias de renda elevada. Austrália, Canadá, Grécia, Itália, Polônia e Estados Unidos estão entre os países que apresentam parcelas expressivas da população preocupadas com a tecnologia.
IA pode aumentar desigualdade, dizem entrevistados
O levantamento também perguntou como as pessoas esperam que a inteligência artificial afete a distância econômica entre ricos e pobres.
No conjunto dos países pesquisados, é mais comum a percepção de que a IA poderá ampliar a desigualdade do que reduzi-la.
Apesar disso, uma parcela significativa dos entrevistados ainda não sabe avaliar quais serão os efeitos da tecnologia sobre a distribuição de renda.
Em nenhum dos países pesquisados mais de um quarto da população afirmou acreditar que a inteligência artificial reduzirá a desigualdade econômica.
Quanto mais as pessoas conhecem IA, maior pode ser o otimismo
Um resultado do levantamento mostra que conhecimento e preocupação não caminham necessariamente na mesma direção.
Em vários países, pessoas que afirmam ter ouvido ou lido bastante sobre inteligência artificial demonstram uma visão mais otimista sobre a tecnologia do que aquelas que possuem menor familiaridade com o assunto.
Ao mesmo tempo, em aproximadamente metade dos países analisados, quem conhece mais sobre IA também apresenta maior probabilidade de acreditar que a tecnologia poderá reduzir o número de empregos.
Isso mostra que uma pessoa pode reconhecer oportunidades oferecidas pela inteligência artificial e, simultaneamente, enxergar riscos para determinadas profissões.
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Preocupação cresce entre os jovens
Embora os jovens estejam entre os grupos com maior conhecimento sobre inteligência artificial, a preocupação também está aumentando entre eles.
O levantamento identificou crescimento do receio entre adultos com menos de 35 anos em países como Brasil, Polônia, Japão e Austrália.
Esse movimento chama atenção porque os jovens tendem a ter maior contato com ferramentas de inteligência artificial do que as gerações mais velhas.
Em praticamente todos os países analisados, pessoas de 18 a 34 anos apresentaram maior probabilidade de afirmar que já ouviram ou leram bastante sobre IA quando comparadas à população com 50 anos ou mais.
Jovens também temem impacto sobre o trabalho
A relação entre inteligência artificial e emprego ganha ainda mais importância entre os mais jovens.
Em diversos países, adultos de 18 a 34 anos demonstraram maior probabilidade do que pessoas com 50 anos ou mais de acreditar que a IA reduzirá o número de empregos nas próximas duas décadas.
A diferença aparece em países desenvolvidos e também em economias de renda média.
Especialistas e pesquisadores ainda discutem em que medida a inteligência artificial substituirá ocupações inteiras ou modificará principalmente tarefas executadas dentro de cada profissão.
Brasileiros já usam IA no estudo e no trabalho
A preocupação ocorre ao mesmo tempo em que a inteligência artificial passa a fazer parte da rotina de uma parcela crescente da população.
No ambiente educacional, dados do Pisa 2025 mostram que 48% dos estudantes brasileiros de 15 anos utilizam chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para estudar.
O índice brasileiro supera a média de 46% registrada entre os países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Ferramentas de IA também estão sendo incorporadas a atividades profissionais, produção de textos, programação, análise de dados, atendimento ao consumidor e diversas outras tarefas.
Outras pesquisas também mostram receio no Brasil
O cenário de preocupação não aparece apenas no levantamento internacional.
Pesquisa do Observatório Febraban divulgada em julho mostrou que 51% dos brasileiros manifestavam algum nível de receio de perdas profissionais relacionadas à inteligência artificial.
O mesmo estudo mostrou uma relação ambivalente com a tecnologia: 30% afirmaram sentir simultaneamente entusiasmo e preocupação, enquanto 29% citaram apenas preocupação e 25% apenas entusiasmo.
Golpes, fraudes e crimes digitais envolvendo inteligência artificial apareceram entre os maiores receios, mencionados como motivo de preocupação por 84% dos entrevistados.
Regulamentação também entra no debate
O crescimento da inteligência artificial colocou governos de diferentes países diante do desafio de estabelecer regras para sistemas capazes de produzir textos, imagens, vídeos, códigos e tomar decisões automatizadas.
Entre as discussões estão proteção de dados pessoais, transparência, direitos autorais, responsabilidade das empresas, segurança e possíveis impactos sobre trabalhadores.
No Brasil, o debate sobre regulamentação ocorre enquanto empresas, escolas, universidades e órgãos públicos ampliam o uso de ferramentas baseadas em IA.
Entenda o contexto
O levantamento do Pew Research Center foi realizado em 2026 e reuniu informações de mais de 42 mil pessoas. Fora dos Estados Unidos, as entrevistas ocorreram entre fevereiro e maio.
A pesquisa mostra que a expansão da inteligência artificial não produz uma reação única. Em muitos países, entusiasmo e preocupação convivem.
No Brasil, porém, a parcela que demonstra principalmente preocupação supera a dos que apresentam entusiasmo como sentimento predominante.
O futuro do emprego está no centro desse debate. Embora a inteligência artificial possa automatizar determinadas tarefas e criar novas atividades, ainda existe incerteza sobre a velocidade e a dimensão dessas transformações.
Os resultados mostram que essa incerteza já influencia a maneira como brasileiros e pessoas de outros países enxergam uma tecnologia que está cada vez mais presente no cotidiano.
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