“Lula ama o cargo, não os pobres”, diz Cury ao criticar reajuste do Bolsa Família

Candidato do Avante critica aumento do benefício anunciado a 17 dias do primeiro turno, mas afirma que o programa deve continuar e que famílias pobres precisam de proteção do Estado
Redação NC News
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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) criticou Lula pelo reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições. Durante agenda de campanha em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Cury afirmou que o aumento deveria ter ocorrido antes e acusou o presidente de utilizar a situação das famílias vulneráveis em um momento decisivo da corrida eleitoral.

“Lula ama o cargo, não os pobres”, afirmou Cury ao comentar a medida.

A declaração representa uma crítica política do candidato do Avante. O governo, por outro lado, sustenta que o reajuste corresponde à recomposição da inflação acumulada desde 2023 e que a legislação do programa permite a atualização dos benefícios.

Cury critica reajuste anunciado perto da eleição

O principal alvo da crítica de Augusto Cury foi o momento escolhido para anunciar o aumento.

O governo oficializou o reajuste em 17 de setembro. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, o que colocou a medida imediatamente no centro da disputa política.

Com a correção de 15,04%, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, atualmente estimado em R$ 675, deverá subir para aproximadamente R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro.

Cury afirmou que, em sua avaliação, Lula deveria ter feito a correção meses antes e não tão perto da votação.

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Cury diz que pessoas pobres precisam de mais apoio

Apesar das críticas a Lula, Augusto Cury não defende o fim do Bolsa Família.

Em entrevistas durante a campanha, o candidato tem afirmado que considera o programa importante para famílias em situação de vulnerabilidade e que o valor pago atualmente ainda é insuficiente para muitas delas.

Em entrevista recente, Cury disse considerar o Bolsa Família um programa “acertado” e defendeu que beneficiários tenham mais oportunidades de aumentar a renda sem perder imediatamente o auxílio.

Segundo ele, pessoas que conseguirem emprego formal ou abrirem uma pequena empresa deveriam permanecer por determinado período no programa para conseguir fazer a transição para uma renda maior.

 

Candidato defende transição para quem conseguir emprego

A proposta apresentada por Cury prevê que beneficiários que assinarem carteira ou abrirem uma microempresa continuem recebendo o Bolsa Família temporariamente.

A intenção, segundo ele, seria reduzir o receio de perder imediatamente o benefício no momento em que a pessoa começa a trabalhar ou empreender.

O candidato afirma que o modelo poderia incentivar famílias a buscar maior renda sem perder de forma abrupta uma fonte de segurança financeira.

Essa proposta ainda depende de detalhamento e, caso fosse implementada, exigiria mudanças nas regras atualmente aplicadas ao programa.

 

Governo diz que aumento recompõe inflação

O governo federal afirma que a correção de 15,04% não representa a criação de um novo benefício, mas a atualização dos valores pela inflação acumulada desde o relançamento do programa, em 2023.

Segundo a equipe econômica, o percentual utiliza como referência o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026.

O decreto assinado pelo presidente determina que os novos valores passem a valer a partir da folha de outubro.

O reajuste terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões no próximo ano.

 

Orçamento de 2027 havia sido enviado sem o aumento

Outro ponto que alimentou o debate político foi a proposta de Orçamento de 2027 enviada pelo governo ao Congresso em 31 de agosto.

O texto mantinha o piso do Bolsa Família em R$ 600 e reservava R$ 157,1 bilhões para o programa no próximo ano.

Dezessete dias depois, o governo anunciou o reajuste que eleva o mínimo para R$ 691. A equipe econômica informou que encontrou espaço fiscal para acomodar o novo gasto e que será necessário atualizar as previsões orçamentárias.

 

Bolsa Família virou tema central da campanha

A proximidade entre o reajuste e a eleição levou adversários de Lula a incorporarem o programa ao discurso eleitoral.

Cury passou a questionar o momento escolhido pelo governo, enquanto mantém a defesa da existência do Bolsa Família.

O candidato também costuma associar sua posição ao relato pessoal de ter enfrentado dificuldades financeiras na infância.

Durante entrevistas recentes, afirmou que conhece a experiência da pobreza e que famílias vulneráveis precisam ser amparadas pelo Estado.

 

Cury tenta ocupar espaço entre Lula e Flávio

Augusto Cury chega à reta final da eleição tentando consolidar uma candidatura fora da disputa principal entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Pesquisas recentes colocam Cury em terceiro lugar em diferentes cenários de primeiro turno, com percentuais que variam conforme o instituto e o período de coleta.

No levantamento Nexus/BTG divulgado em 14 de setembro, Cury também apareceu em cenário de segundo turno contra Lula. O presidente registrou 45% e Cury 42%, diferença que, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, configurava empate técnico.

Pesquisas eleitorais são fotografias do momento em que as entrevistas são realizadas e não representam previsão do resultado da eleição.

 

Programa atende milhões de famílias

O Bolsa Família continua sendo um dos principais programas sociais do país.

Em setembro, o pagamento alcançou 19,29 milhões de famílias, com valor médio de R$ 678,18 antes da entrada em vigor do novo reajuste.

Além do piso pago às famílias, o programa possui benefícios adicionais de acordo com a composição familiar, incluindo valores destinados a crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes.

Com a atualização anunciada pelo governo, os valores serão recalculados a partir da folha de outubro.

Veja também:

Governo enviou Orçamento de 2027 sem reajuste do Bolsa Família; aumento veio 17 dias depois

 

Entenda o contexto

O governo anunciou em 17 de setembro o primeiro reajuste geral do atual modelo do Bolsa Família desde 2023. O aumento de 15,04% faz o piso mensal passar de R$ 600 para R$ 691 e começa a valer na folha de outubro.

A medida foi anunciada a 17 dias do primeiro turno e rapidamente entrou no debate eleitoral. O governo afirma que a atualização apenas recompõe a inflação acumulada, enquanto adversários questionam o momento da decisão.

Augusto Cury adotou uma posição dupla sobre o tema: defende a manutenção do programa e afirma que famílias vulneráveis precisam de apoio, mas critica Lula por anunciar o reajuste tão perto da votação.

Ao dizer que “Lula ama o cargo, não os pobres”, Cury apresentou uma avaliação política sobre a motivação do presidente. Não há elemento factual que permita tratar essa interpretação sobre a intenção de Lula como conclusão comprovada.

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