A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (22), indica que o aumento do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula na semana passada fez parte dos beneficiários voltar a temer o retorno da família Bolsonaro ao poder. Já entre quem não recebe o benefício, o temor maior segue sendo o de uma reeleição de Lula.
O levantamento é o primeiro feito depois do anúncio do governo federal de reajuste de cerca de 15% no valor do benefício — medida que gerou polêmica e foi classificada como “eleitoreira” e “ilegal” por parte da oposição.
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Apesar da reação identificada entre beneficiários, o anúncio ainda não se traduziu em crescimento de Lula no cenário geral das pesquisas. Nos cenários projetados para um eventual segundo turno, o apoio ao presidente segue estável, com variações dentro da margem de erro. No primeiro turno, pela primeira vez na campanha, Lula empatou numericamente com o senador Flávio Bolsonaro.
Entenda o que aconteceu
- Entre os beneficiários do Bolsa Família, o percentual dos que dizem ter mais medo de uma vitória de Flávio Bolsonaro passou de 56% para 59%. Em 7 de setembro, esse índice era de 51%, indicando tendência de alta.
- No mesmo grupo, a parcela que afirma ter mais receio de uma reeleição de Lula caiu de 34% para 29% entre as duas últimas pesquisas.
- Entre os brasileiros que não recebem o benefício, o cenário permanece estável. O temor de uma vitória de Flávio Bolsonaro oscilou de 39% para 37%, enquanto o de Lula ficou entre 46% e 47%.
Voto espontâneo
- Na pesquisa espontânea, a intenção de voto em Lula entre beneficiários do Bolsa Família subiu de 37% para 42%.
- Já o apoio a Flávio Bolsonaro nesse segmento variou apenas um ponto percentual, mantendo-se praticamente estável.
Interesse pela eleição cresce
- A Quaest também registrou aumento do interesse dos beneficiários do programa pela disputa presidencial.
- Em 14 de setembro, 25% afirmavam estar muito interessados na eleição.
- Na rodada mais recente, o índice chegou a 35%, avanço que supera a margem de erro e indica maior engajamento desse eleitorado.
Entenda o contexto
A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 20 de setembro, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais entrevistados. O nível de confiança do levantamento é de 95%, e o registro no TSE tem o número BR-06004/2026.
Os dados mostram um efeito localizado: o reajuste do Bolsa Família parece reforçar o receio de perda do benefício entre quem já recebe o programa, mas, até aqui, não foi suficiente para alterar de forma consistente o quadro geral da disputa presidencial — nem no primeiro, nem no segundo turno.