Fux vai decidir se o Congresso esconde visitas de esposa de Moraes

Alexandre de Moraes pulou fora do caso. Agora, Luiz Fux tem a missão de definir se o brasileiro tem o direito de saber o que VIPs como a mulher de Moraes e banqueiros andam fazendo nos corredores do Senado.
Redação NC News
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O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), virou o responsável por uma decisão que mexe diretamente com o topo da República. Caberá a ele bater o martelo sobre um mandado de segurança que exige a abertura das catracas do Senado Federal.

O processo cobra uma resposta direta: o povo brasileiro pode ou não saber quando, como e quantas vezes figuras influentes circularam pelos corredores do Congresso Nacional?

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A lista de nomes sob sigilo

  • Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes;
  • Daniel Vorcaro, empresário e ex-banqueiro do Banco Master;
  • Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, pivô de esquemas milionários investigados pela Polícia Federal contra aposentados e pensionistas;
  • José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula e histórico dirigente sindical.
  • Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva;

O sorteio constrangedor e a saída de Moraes

A ação chegou à mesa de Fux depois de um roteiro digno de novela institucional. Inicialmente, o sistema eletrônico do STF distribuiu o mandado de segurança por sorteio e o processo caiu no colo do ministro Alexandre de Moraes. O detalhe é que o processo pedia justamente a liberação dos registros de entrada da própria mulher do magistrado, a advogada Viviane Barci.

A situação gerou desconforto imediato no meio jurídico. O autor da ação, o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), foi a público apontar o absurdo da situação: como um juiz poderia julgar a liberação de dados da sua própria família?

Diante da pressão e cumprindo o artigo 144 do Código de Processo Civil — que proíbe juízes de julgarem causas que envolvam cônjuges ou parentes —, Moraes formalizou que estava impedido de analisar o caso. O processo voltou à fila de redistribuição e foi parar nas mãos de Luiz Fux.

Como o Congresso trancou as portas para o cidadão

A briga toda começou longe de Brasília, ainda em fevereiro de 2026. Amparado pela Lei de Acesso à Informação (LAI) — criada exatamente para garantir que órgãos públicos prestem contas à sociedade —, Kilter solicitou formalmente a relação de entradas e os gabinetes visitados por esse grupo de pessoas. A suspeita era direta: verificar quem transitava livremente pelas salas dos senadores, em especial a liderança da Casa, então ocupada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O Senado levou apenas oito dias para fechar a porta na cara do pedido. O argumento oficial da Ouvidoria da Casa foi o de que as visitas são “informações de caráter pessoal” protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Para a cúpula do Legislativo, a presença de lobistas, banqueiros, parentes de magistrados e filhos de presidentes dentro de um prédio público bancado com impostos da população virou tema “íntimo”. Com a negativa, o parlamentar acionou a 1ª Vara Federal de Curitiba. A Justiça paranaense, contudo, apontou que o presidente do Senado foi arrolado na ação e, pela Constituição, causas contra chefes do Legislativo só podem ser julgadas pelo próprio STF.

Aposentados lesados e bastidores do poder

A presença do “Careca do INSS” na lista de visitas traz à tona um dos episódios mais revoltantes para o bolso popular. Antônio Carlos Camilo Antunes foi preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, apontado como intermediário de fraudes que drenaram centenas de milhões de reais direto do pagamento de aposentados e idosos por meio de entidades de fachada. Descobrir se um operador desse porte circulava com crachá livre e livre acesso a senadores é interesse direto de quem foi lesado na folha de pagamento da previdência.

Do outro lado, a presença de Daniel Vorcaro e de familiares do topo do Judiciário e do Executivo reacende o debate sobre o trânsito livre de grandes interesses privados em Brasília. Enquanto o cidadão enfrenta filas, burocracia e raio-x para ser atendido em qualquer repartição, reuniões a portas fechadas entre figurões e legisladores continuam sob o manto do sigilo.

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