Fim da escala 6×1 entra em nova fase no Senado; veja o que falta para PEC ser aprovada

Plenário inicia nesta terça-feira (6) a discussão da proposta que reduz jornada de 44 para 40 horas semanais, estabelece dois dias de descanso e mantém salários
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 entra em uma nova etapa no Senado nesta terça-feira (6). O plenário inicia a discussão da PEC 221/2019, que reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal e garante dois dias de repouso remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.

Apesar do avanço, a escala 6×1 ainda não acabou. A proposta precisa cumprir as sessões de discussão previstas no Senado e ser aprovada em dois turnos pelo plenário, com pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada votação.

O texto já passou pela Câmara dos Deputados e foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Se os senadores aprovarem exatamente a versão recebida da Câmara, a PEC poderá seguir para promulgação. Caso ocorram mudanças no conteúdo, o texto terá de voltar para análise dos deputados.

André do Prado pede cautela antes de votação do fim da escala 6×1 e alerta para risco de demissões

O que muda com o fim da escala 6×1

A PEC estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, que poderá ser cumprida em cinco dias de oito horas. O trabalhador terá direito a dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial. O texto também mantém a possibilidade de compensação de horários e de redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva.

Na prática, a Constituição atualmente estabelece duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e 44 horas semanais. A mudança reduziria esse teto semanal para 40 horas.

Fim da escala 6×1 ganhou forte apoio popular | Foto: Reprodução

Mudança será feita de forma gradual

Se a PEC for definitivamente aprovada e promulgada, a redução da jornada não ocorrerá de uma só vez.

A primeira etapa começará dois meses depois da publicação da emenda constitucional, quando o limite semanal passará de 44 para 42 horas.

Doze meses depois dessa primeira redução, a jornada máxima chegará às 40 horas semanais. Durante a transição, a garantia dos dois dias de descanso será mantida e não poderá haver redução salarial.

O que acontece agora no Senado

A sessão desta terça-feira marca o início das discussões da PEC em primeiro turno no plenário. Pela tramitação normal, uma proposta de emenda à Constituição precisa passar por cinco sessões de discussão antes da primeira votação.

O Senado também programou sessões para debater a proposta nesta quarta-feira (7) e quinta-feira (8). Os prazos, no entanto, podem ser encurtados caso os senadores aprovem um calendário especial.

Se passar pelo primeiro turno, a PEC ainda terá de enfrentar mais três sessões de discussão antes da votação em segundo turno.

Para ser aprovada, são necessários pelo menos três quintos dos votos dos senadores, o equivalente a 49 dos 81 integrantes da Casa, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Senadores divergem acerca do tema mais debatido do último ano | Foto: Reprodução

PEC recebeu 36 emendas na CCJ

Durante a passagem pela Comissão de Constituição e Justiça, foram apresentadas 36 emendas para modificar o texto. Todas foram rejeitadas pelo relator, senador Omar Aziz (PSD-AM).

A estratégia foi preservar o conteúdo aprovado anteriormente pela Câmara. Alterações substanciais feitas pelo Senado obrigariam a proposta a retornar aos deputados, prolongando a tramitação.

O texto aprovado na CCJ manteve, portanto, a redução para 40 horas semanais, os dois dias de repouso e a garantia de manutenção dos salários.

Proposta ainda enfrenta divergências

O fim da escala 6×1 divide opiniões no Congresso e entre representantes do setor produtivo e dos trabalhadores.

Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode proporcionar mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida aos trabalhadores.

Críticos e representantes de setores empresariais apontam preocupação com o aumento dos custos, especialmente para atividades que funcionam todos os dias ou dependem de escalas contínuas. Comércio e serviços estão entre os segmentos que acompanham de perto a discussão.

A Presidência do Senado afirmou que o tema será debatido considerando as diferentes perspectivas de trabalhadores e do setor produtivo.

O que falta para o fim da escala 6×1 virar realidade

O início dos debates no plenário não significa que a nova jornada já esteja valendo. Primeiro, a PEC precisa concluir as sessões de discussão e receber pelo menos 49 votos no primeiro turno.

Depois, haverá uma nova etapa de debates e uma segunda votação, novamente com necessidade de pelo menos 49 votos favoráveis.

Se o Senado mantiver integralmente o texto aprovado pela Câmara, não será necessária uma nova votação pelos deputados. Nesse cenário, a PEC poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional e incorporada à Constituição.

Somente depois da promulgação começará a contar o período de transição previsto na proposta. Até que todas essas etapas sejam concluídas, continuam valendo as regras atuais de jornada de trabalho.

Carregar Comentários