A família de Jonas da Silva Santos, de 24 anos, natural de Rodrigues Alves, no interior do Acre, tenta obter informações oficiais sobre a morte do jovem durante a guerra na Ucrânia. Segundo os parentes, a notícia foi recebida em 12 de outubro, por meio de um colega brasileiro que estaria com ele no combate.
Apesar do relato, os familiares afirmam que ainda não receberam uma confirmação oficial nem documentos que esclareçam as circunstâncias do ocorrido. A falta de informações também dificulta a definição dos próximos passos, incluindo a possibilidade de traslado do corpo para o Brasil.
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Quem era o acreano que foi para a Ucrânia?
Antes de viajar, Jonas trabalhava como vigilante. Ele havia se mudado para Porto Velho, em Rondônia, onde passou a trabalhar com o cunhado. Em maio de 2026, seguiu para a Ucrânia, onde, segundo a família, informou ter assinado um contrato com duração de três anos.
De acordo com uma sobrinha, que preferiu não ser identificada, o desejo de participar do conflito já existia antes da saída do Brasil. Os parentes tentaram convencê-lo a desistir, preocupados com os riscos de ingressar em uma guerra, mas ele manteve a decisão.
A família também relatou que Jonas não tinha passaporte e recebeu ajuda da sobrinha para obter o documento. Depois, saiu de Porto Velho de ônibus em direção a São Paulo, de onde seguiu viagem para o território ucraniano.
Último contato ocorreu no início de outubro
Segundo os familiares, Jonas costumava entrar em contato principalmente nos fins de semana para informar como estava. A última conversa ocorreu em 4 de outubro. Três dias depois, em 7 de outubro, a sobrinha enviou uma mensagem, mas não obteve resposta.
A notícia de que ele teria morrido chegou à família na segunda-feira, 12 de outubro. Conforme o relato recebido, o jovem teria sido atingido durante uma missão na região de fronteira e não retornou.
Os parentes afirmam que não receberam fotografias, vídeos ou documentos que comprovassem a morte. Ao perguntar sobre possíveis imagens, a família teria sido informada de que o material só poderia ser encaminhado a um advogado.
Família enfrenta dúvidas e dificuldades financeiras
Além da falta de confirmação documental, os familiares dizem não saber quais procedimentos devem seguir para obter informações sobre o corpo e avaliar a possibilidade de trazê-lo ao Brasil. Segundo a sobrinha, a família não tem condições financeiras de arcar com os custos de um eventual traslado.
Os parentes também pedem respeito diante das críticas recebidas por Jonas ter decidido participar da guerra. A sobrinha afirmou que a escolha dele não elimina os vínculos familiares nem a dor provocada pela notícia.
A família afirma que busca esclarecimentos sobre o que aconteceu e orientações sobre como proceder. Até que as informações sejam confirmadas oficialmente, as circunstâncias da suposta morte permanecem sem esclarecimento completo.
Itamaraty diz que embaixada não tem registro do caso
Procurado pela reportagem original, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Kiev não tinha registro do caso e que estava disponível para prestar assistência consular quando acionada pelo cidadão ou por seus familiares.
O Itamaraty também esclareceu que o governo brasileiro não custeia o deslocamento de cidadãos que viajam com o objetivo de participar de conflitos armados, dentro ou fora do país. Em relação a eventuais contratos de alistamento, o ministério recomendou procurar as autoridades do país em cujo exército o brasileiro teria ingressado.
O ministério afirmou ainda que mantém alertas consulares sobre os riscos de viajar para regiões próximas às frentes de combate na Ucrânia e recomenda que brasileiros recusem ofertas de trabalho ou participação em exércitos estrangeiros.