Vaquinha arrecada R$ 1,5 milhão para mãe de menina morta aos 5 anos no Rio em 2021

Campanha reuniu cerca de 15 mil doadores em menos de seis horas; dinheiro será usado para comprar uma casa, garantir uma reserva financeira ao irmão da criança e oferecer apoio psicológico à família.
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Uma campanha de arrecadação pela internet conseguiu reunir R$ 1,5 milhão em menos de seis horas para ajudar Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta após ser atingida por um disparo de fuzil durante uma ação policial em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em 2021. A mobilização ocorreu nesta terça-feira (27) e contou com a participação de aproximadamente 15 mil doadores.

A vaquinha foi organizada pelo projeto Revelando, que divulgou a história da família nas redes sociais. O objetivo inicial era arrecadar recursos para comprar uma casa para Cristiane, que atualmente mora de favor, e criar uma poupança para Pedro, irmão mais novo de Ana Clara. Com a rápida adesão do público, a meta foi ampliada para R$ 1,5 milhão.

A arrecadação foi encerrada após atingir o valor estabelecido. Segundo os organizadores, o dinheiro também será destinado ao acompanhamento psicológico da família e ao fortalecimento de uma rede de acolhimento a mulheres em situação de violência. O projeto informou que divulgará uma prestação de contas e alertou sobre possíveis golpes envolvendo novos pedidos de doações.

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Vaquinha atingiu R$ 1,5 milhão em poucas horas

A campanha começou na tarde de terça-feira, quando o projeto Revelando publicou um pedido de ajuda para Cristiane nas redes sociais.

A mobilização ganhou força rapidamente e, antes das 18h, os responsáveis anunciaram que a meta havia sido alcançada.

Em uma publicação, a organização agradeceu aos participantes e destacou que o resultado foi possível graças à contribuição de milhares de pessoas.

“Em menos de 5 horas, 15 mil pessoas doaram pela memória da Ana Clara, e arrecadamos R$ 1.500.000 para sua mãe e o seu irmão.”

A campanha foi encerrada ainda na terça-feira, depois que o valor arrecadado ultrapassou o objetivo inicialmente estabelecido.

Os organizadores reforçaram que não estão recebendo novas contribuições para essa iniciativa.

Como será utilizado o dinheiro arrecadado?

Os R$ 1,5 milhão serão distribuídos entre diferentes necessidades da família e ações de apoio social.

De acordo com o planejamento divulgado pelos responsáveis pela campanha, R$ 400 mil serão destinados à compra de uma casa para Cristiane e Pedro.

Outros R$ 100 mil serão utilizados na aquisição de móveis e eletrodomésticos para a nova residência.

A maior parcela, de R$ 650 mil, deverá ser reservada para uma poupança em nome de Pedro, com a finalidade de proporcionar maior segurança financeira à família.

Também estão previstos R$ 50 mil para acompanhamento psicológico de Cristiane e do filho.

Além disso, R$ 150 mil serão destinados à melhoria de um espaço de acolhimento a mulheres em situação de violência doméstica que prestou apoio à mãe de Ana Clara.

Os R$ 150 mil restantes deverão cobrir impostos relacionados às doações e despesas com escritura e registro do imóvel.

Os valores representam a destinação anunciada pelos organizadores. A efetiva aplicação dos recursos deverá ser detalhada na prestação de contas prometida pelo projeto.

Quem era Ana Clara Gomes Machado?

Ana Clara tinha apenas 5 anos quando morreu, em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por um disparo de fuzil durante uma ação da Polícia Militar em Niterói.

A menina brincava com o irmão Pedro, que tinha 2 anos na época, em frente à residência da família, na comunidade do Monan Pequeno, no bairro do Badu.

Após ser atingida, a criança foi socorrida e levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos.

Na ocasião, a Polícia Militar informou que agentes do 12º Batalhão realizavam patrulhamento na região quando teriam sido atacados a tiros e reagido.

A versão sobre as circunstâncias do disparo tornou-se um dos pontos discutidos no processo criminal.

A morte da criança provocou manifestações de familiares e organizações que cobram esclarecimentos e responsabilização pelo ocorrido.

Policial foi denunciado e ainda não foi julgado

O policial militar Bruno Dias Delaroli foi preso em flagrante e posteriormente denunciado por homicídio qualificado pela morte de Ana Clara.

O agente nega que o disparo responsável pela morte da menina tenha partido de sua arma.

O processo teve desdobramentos judiciais nos anos seguintes, incluindo discussões sobre a realização de julgamento pelo Tribunal do Júri.

Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou um recurso apresentado pela defesa do policial para impedir que ele fosse submetido a júri popular.

Até a divulgação da campanha, Delaroli ainda não havia sido julgado.

A denúncia e a existência do processo não representam condenação. A responsabilidade criminal deverá ser definida pela Justiça, com observância do direito de defesa.

Caso voltou a ganhar repercussão durante as eleições de 2026

A história de Ana Clara voltou ao debate público durante a campanha presidencial de 2026.

Em setembro, o projeto Revelando publicou um vídeo apresentado pela atriz Camila Pitanga, abordando a morte da menina e os desdobramentos do processo judicial.

A produção também tratou da atuação de Flávio Bolsonaro (PL), então senador, na defesa do policial militar investigado.

O caso foi mencionado no debate presidencial realizado em 23 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro.

Cristiane esteve presente na plateia, a convite da campanha de Lula.

Durante a discussão sobre segurança pública, Lula questionou a atuação de Flávio na defesa do policial. O então candidato do PL afirmou acreditar na inocência do agente.

Em determinado momento, Flávio se dirigiu à mãe chamando-a pelo nome da filha. Cristiane corrigiu o candidato, lembrando que Ana Clara havia morrido.

A discussão ampliou a repercussão do caso e trouxe novamente a história da família à atenção nacional.

Mãe de Ana Clara agradeceu o apoio recebido

Depois da mobilização, Cristiane Gomes da Silva publicou uma mensagem em vídeo para agradecer às pessoas que participaram da campanha.

A mãe de Ana Clara destacou que a arrecadação representa uma oportunidade de conquistar uma moradia e oferecer melhores condições de vida ao filho.

“Eu vim aqui agradecer a todos que estão colaborando com as doações pra que eu possa conseguir comprar minha casa pra um futuro melhor pro meu filho.”

A iniciativa também pretende contribuir para que Cristiane e Pedro tenham acesso a acompanhamento psicológico, considerando os impactos da perda de Ana Clara.

Organização alerta para golpes após encerramento da campanha

Com a ampla divulgação da vaquinha, o projeto Revelando informou que a arrecadação foi oficialmente encerrada.

Os organizadores alertaram que pedidos de novas transferências ou campanhas que utilizem o nome da família podem representar tentativas de fraude.

A orientação é que as pessoas não realizem pagamentos com base em mensagens que anunciem a continuidade da arrecadação sem confirmação pelos canais oficiais do projeto.

O Revelando também assumiu o compromisso de divulgar informações sobre a compra da residência, a constituição da poupança para Pedro e a aplicação dos demais recursos.

A prestação de contas deverá permitir que os participantes acompanhem a destinação do dinheiro arrecadado.

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