A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (29), a Operação Navegação Paralela para investigar um grupo suspeito de fornecer transporte, insumos e apoio operacional ao garimpo ilegal em rios da Amazônia. A ação ocorreu em Manaus, no Amazonas, e incluiu o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais contra o patrimônio dos investigados.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 35 milhões. Segundo a PF, a medida busca preservar recursos associados às atividades investigadas e assegurar uma eventual reparação pelos danos provocados. As investigações também apuram suspeitas de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro provenientes da exploração mineral clandestina.
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Operação Navegação Paralela mira apoio ao garimpo ilegal
O foco da operação é a estrutura de suporte utilizada para manter a extração clandestina de minérios nos rios da região amazônica. De acordo com a Polícia Federal, os investigados estariam envolvidos no fornecimento de materiais, no transporte e na assistência operacional a equipamentos empregados no garimpo.
Esse tipo de apoio permite que estruturas de mineração permaneçam em funcionamento, mesmo em regiões afastadas dos centros urbanos, onde o acesso depende principalmente de embarcações e do transporte fluvial.
A investigação procura identificar a participação dos envolvidos nessa cadeia de abastecimento e esclarecer como os serviços e materiais eram financiados.
Justiça determina bloqueio superior a R$ 35 milhões
Além dos dois mandados de busca e apreensão cumpridos em Manaus, a Justiça Federal autorizou medidas patrimoniais que atingem valores superiores a R$ 35 milhões.
O bloqueio tem caráter cautelar e busca impedir a movimentação de recursos que possam estar relacionados aos fatos investigados.
Segundo a Polícia Federal, a medida também pretende preservar bens que poderão ser utilizados para reparar eventuais prejuízos decorrentes das atividades ilícitas.
O valor bloqueado não significa, necessariamente, que esse seja o montante já comprovado de movimentações ilegais ou dos danos ambientais. Esses aspectos ainda dependem da continuidade das investigações.
PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro
Os investigadores também identificaram indícios de ocultação e dissimulação de valores obtidos com as atividades sob apuração.
A suspeita é de que movimentações financeiras e operações patrimoniais tenham sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos recursos e de seus beneficiários.
A análise dessas transações integra a investigação e poderá ajudar a esclarecer a extensão da participação de cada suspeito.
Até a divulgação inicial da operação, a Polícia Federal não havia informado os nomes dos investigados nem detalhado as operações financeiras consideradas suspeitas.
Investigados podem responder por crimes ambientais e lavagem de dinheiro
De acordo com a Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar crimes de usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, crimes ambientais e lavagem de capitais.
Somadas, as penas máximas previstas para essas infrações podem alcançar 23 anos de reclusão, sem prejuízo de outros delitos que eventualmente sejam identificados.
A responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações, da apresentação de eventuais acusações e das decisões da Justiça.
Garimpo ilegal provoca danos aos rios da Amazônia
A mineração clandestina representa um desafio para a fiscalização ambiental na Amazônia. A atividade pode provocar alterações nos cursos dos rios, destruição de áreas de vegetação e contaminação da água e dos sedimentos, especialmente quando envolve o uso de mercúrio.
Além dos impactos ambientais, a exploração irregular de recursos minerais pode afetar comunidades ribeirinhas, povos indígenas e populações que dependem dos rios para alimentação e abastecimento.
Em agosto, o Ministério Público Federal pediu à Justiça medidas para ampliar a atuação integrada e permanente dos órgãos de fiscalização no Amazonas, citando dificuldades estruturais no enfrentamento ao garimpo ilegal.
Entre as providências solicitadas estavam o reforço das operações conjuntas, a instalação de bases de fiscalização e a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre as instituições responsáveis.
Quais são os próximos passos da investigação?
Com o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal deverá analisar os materiais obtidos e aprofundar a apuração sobre o fornecimento de insumos, os serviços de transporte e as movimentações patrimoniais dos suspeitos.
A investigação também busca esclarecer possíveis vínculos entre a estrutura logística e as atividades de extração mineral clandestina.
A corporação não informou, no comunicado inicial, a realização de prisões durante a operação.
As medidas anunciadas nesta quinta-feira fazem parte de uma investigação em andamento. Os envolvidos permanecem sob a presunção de inocência até eventual condenação definitiva.