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Marco Rubio nega ajuda dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro, mas confirma aval de Trump

Secretário de Estado americano afirmou que Washington não participou da organização da viagem do senador, embora o presidente Donald Trump tenha autorizado sua entrada no país.
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo americano tenha ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a deixar o Brasil. Durante uma entrevista coletiva em Atlanta, Rubio afirmou que Washington não participou da organização da viagem, mas confirmou que o presidente Donald Trump autorizou a entrada do parlamentar em território norte-americano.

A declaração ocorre quatro dias depois de Flávio deixar o Brasil, após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O senador chegou a Miami na quarta-feira (28), mesmo estando sujeito a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a entrega de seus passaportes e proibia sua saída do país.

A negativa de Rubio também acontece em meio a questionamentos sobre a possível participação de pessoas ligadas ao governo Trump na organização do deslocamento. Reportagens apontaram o envolvimento de um assessor da Casa Branca, enquanto parlamentares americanos passaram a cobrar esclarecimentos sobre o caso.

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Marco Rubio nega participação do governo americano

Durante a entrevista coletiva realizada neste sábado, em Atlanta, onde participava de compromissos preparatórios para o G20, Marco Rubio foi questionado sobre a possível ajuda dos Estados Unidos para que Flávio Bolsonaro deixasse o território brasileiro.

O secretário negou que a administração americana tenha organizado o deslocamento do senador.

“Nós não facilitamos nada.”

Rubio explicou que o governo americano soube da chegada de Flávio aos Estados Unidos e que o parlamentar já possuía um visto.

Segundo ele, a decisão de permitir a entrada do senador foi tomada pelo presidente Donald Trump.

“Não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos que ele fez para sair do país.”

O secretário acrescentou que, pelo menos diretamente, o governo dos Estados Unidos não participou das movimentações realizadas para viabilizar a viagem.

A declaração representa a primeira negativa pública de Rubio sobre uma possível participação de seu governo na organização da saída de Flávio.

Trump autorizou entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos

Embora tenha negado participação na logística da viagem, Marco Rubio confirmou que Donald Trump autorizou o ingresso do senador brasileiro no país.

De acordo com o secretário, o presidente americano deixou claro que Flávio poderia entrar nos Estados Unidos caso chegasse a um ponto oficial de controle migratório.

Rubio afirmou que essa autorização foi efetivamente concedida.

A distinção é importante porque permitir a entrada de uma pessoa no país não significa, necessariamente, ter participado da organização de sua saída do território de origem.

No caso de Flávio Bolsonaro, entretanto, a autorização americana passou a ser questionada devido à existência de uma decisão judicial brasileira que restringia suas viagens internacionais.

Assessor de Trump teria participado da organização da viagem

A negativa de Marco Rubio ocorre depois de reportagens apontarem a participação de Jason Miller, assessor ligado à estrutura de comunicação da Casa Branca, na organização do deslocamento de Flávio Bolsonaro.

Segundo informações divulgadas pelo jornal americano The New York Times, Miller teria ajudado a providenciar o avião particular utilizado pelo senador para chegar aos Estados Unidos.

A reportagem foi publicada na quinta-feira (29), dois dias antes da declaração de Rubio.

O caso ganhou novos desdobramentos porque a possível atuação de um integrante da administração Trump levantou dúvidas sobre a participação de autoridades americanas na operação.

A declaração do secretário de Estado não esclarece integralmente a eventual atuação individual de assessores ou intermediários ligados ao presidente americano.

Rubio afirmou que o governo não esteve diretamente envolvido na organização da saída, mas não apresentou detalhes sobre todas as pessoas que participaram dos preparativos.

Flávio deixou o Brasil após decisão de Alexandre de Moraes

A viagem aconteceu depois da derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 25 de outubro.

O senador recebeu 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula foi reeleito com 51,79%.

Após o resultado, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e proibiu sua saída do Brasil.

A medida foi adotada no contexto de uma investigação que apura suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o parlamentar.

Apesar da restrição judicial, Flávio deixou o território brasileiro na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas.

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades migratórias argentinas, a família entrou na Argentina e embarcou em uma aeronave particular.

O voo fez uma escala no Equador antes de seguir para Miami, onde o senador desembarcou na manhã de quarta-feira (28).

A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem e busca identificar possíveis pessoas envolvidas na organização do deslocamento.

Flávio nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política.

Deputados americanos cobram explicações de Marco Rubio

A viagem também provocou questionamentos dentro dos Estados Unidos.

Um grupo de 25 deputados do Partido Democrata encaminhou uma carta a Marco Rubio solicitando informações sobre a entrada de Flávio Bolsonaro no país.

Os parlamentares querem saber se o Departamento de Estado, a Embaixada americana no Brasil ou outras agências federais participaram dos preparativos.

Entre os questionamentos estão a concessão de vistos, o eventual apoio logístico e o conhecimento das autoridades americanas sobre as restrições judiciais impostas ao senador.

Os deputados também perguntam se houve contatos entre integrantes do governo Trump e representantes de Flávio Bolsonaro antes da viagem.

Outro ponto envolve a possível utilização de estruturas diplomáticas americanas na Argentina e no Equador.

O grupo solicitou respostas por escrito até 13 de novembro.

A iniciativa busca esclarecer se recursos ou estruturas do governo americano foram utilizados para facilitar o deslocamento internacional do parlamentar brasileiro.

Entenda a diferença entre a autorização de entrada e a ajuda na viagem

A declaração de Marco Rubio apresenta dois pontos distintos.

O primeiro é a autorização concedida por Donald Trump para que Flávio Bolsonaro entrasse nos Estados Unidos.

Essa decisão foi confirmada pelo secretário de Estado.

O segundo é a possível participação de autoridades americanas na organização da viagem, incluindo transporte, contratação de aeronaves e contatos com intermediários.

Sobre esse ponto, Rubio negou envolvimento direto do governo americano.

A negativa, entretanto, não encerra as investigações ou elimina automaticamente as informações divulgadas sobre a atuação de pessoas ligadas à Casa Branca.

A eventual participação de assessores e intermediários ainda depende de esclarecimentos adicionais.

Próximos passos

O governo dos Estados Unidos deverá responder aos questionamentos apresentados pelos deputados democratas até 13 de novembro.

No Brasil, a Polícia Federal continua apurando as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro e a possível participação de terceiros na organização da viagem.

As investigações também buscam esclarecer o descumprimento da decisão judicial que determinava a retenção dos passaportes e a proibição de saída do país.

Enquanto isso, Flávio permanece nos Estados Unidos e sustenta que deixou o Brasil por considerar que enfrenta perseguição política.

A declaração de Marco Rubio esclarece a posição oficial do Departamento de Estado sobre o caso, mas ainda deixa questões sobre os preparativos da viagem e a atuação de eventuais intermediários.

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