Um esquema de investimentos em criptomoedas que prometia rendimentos de 10% ao mês, movimentou mais de R$ 45 milhões e deixou cerca de 300 vítimas voltou ao noticiário neste sábado (31). Josué Viana Medeiros, conhecido em Manaus como “Rei das Criptomoedas“, foi preso pela Polícia Militar enquanto caminhava pelo bairro de Perdizes, na zona oeste de São Paulo.
A captura trouxe novamente à tona uma investigação iniciada em 2021, que identificou suspeitas de fraudes em contratos de investimento, comprovantes falsificados e lavagem de dinheiro por meio de negociações simuladas de veículos de luxo. Durante a operação realizada na época, a Polícia Civil do Amazonas apreendeu carros como Ferrari, McLaren e BMW.
Josué foi localizado na Rua Itajobi após ser identificado pelo sistema de câmeras do programa Muralha Paulista. Segundo as informações divulgadas sobre a prisão, ele tinha um mandado judicial em aberto e foi condenado a oito anos de reclusão em regime fechado por estelionato.
Promessa de 10% ao mês atraía investidores em Manaus
O esquema investigado pela Polícia Civil do Amazonas oferecia uma proposta considerada atrativa para quem buscava multiplicar o dinheiro: aplicações em criptomoedas com rendimento mensal de aproximadamente 10%.
Os interessados eram convencidos a assinar contratos e entregar valores que, segundo a promessa apresentada, seriam utilizados em operações com ativos digitais.
Com o passar do tempo, investidores começaram a perceber que os lucros anunciados não correspondiam aos resultados efetivamente obtidos.
Segundo a investigação, algumas vítimas receberam comprovantes falsos que simulavam operações financeiras e davam a impressão de que os investimentos estavam sendo realizados.
O dinheiro, entretanto, não era aplicado conforme as condições prometidas.
A apuração policial apontou que o esquema movimentou mais de R$ 45 milhões e atingiu aproximadamente 300 pessoas.
Ferrari, McLaren e BMW apareceram na investigação
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores foi a utilização de veículos de luxo em operações suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil do Amazonas, integrantes do grupo utilizavam estabelecimentos de comercialização de automóveis importados para simular negociações e tentar ocultar a origem dos recursos.
Durante a Operação Blockchain Fake, realizada em novembro de 2021, cinco veículos foram apreendidos em diferentes estados.
Em Manaus, a polícia recolheu uma BMW, um Troller e um Mini Cooper. Os três veículos foram avaliados, em conjunto, em aproximadamente R$ 6 milhões.
Em São Paulo e Brasília, os investigadores apreenderam uma McLaren e uma Ferrari, avaliadas na época em cerca de R$ 5 milhões cada.
As apreensões passaram a integrar a investigação patrimonial sobre a movimentação dos valores obtidos pelo grupo.
Quem é Josué Viana Medeiros, o chamado Rei das Criptomoedas?
Josué Viana Medeiros ganhou notoriedade em Manaus pela associação com investimentos em criptomoedas e pela exposição de veículos de luxo.
Em janeiro de 2022, ele já havia sido preso pela Polícia Rodoviária Federal durante uma fiscalização em Santarém, no Pará.
Na ocasião, os agentes identificaram um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça do Amazonas.
Após a detenção, Josué foi transferido para Manaus, onde era investigado por estelionato e suspeitas relacionadas à movimentação de recursos provenientes de investidores.
A Polícia Civil também apontou o envolvimento de seu filho, Josué Victor Almeida de Figueiredo Medeiros, no esquema.
Em 2022, o filho era procurado pelas autoridades amazonenses, que divulgaram sua identificação para solicitar informações sobre o paradeiro dele.
A situação judicial atual de Josué Victor não foi esclarecida nas informações divulgadas sobre a prisão deste sábado.
Como câmeras localizaram o condenado em São Paulo?
A prisão ocorreu na tarde deste sábado, quando Josué caminhava pela Rua Itajobi, em Perdizes.
Ele foi identificado pelo programa Muralha Paulista, sistema de monitoramento do governo estadual que utiliza câmeras integradas e ferramentas de identificação para auxiliar ações de segurança pública.
Após o alerta, policiais militares localizaram Josué e realizaram a abordagem.
Os agentes verificaram a existência de um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça do Amazonas.
Depois da detenção, Josué foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para a realização de exame de corpo de delito.
Na sequência, foi levado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.
A prisão em 2026 ocorre após a detenção registrada em 2022 e está relacionada ao cumprimento de uma condenação judicial.
Por que a promessa de lucro elevado é um sinal de alerta?
O caso chama atenção para uma das estratégias utilizadas em fraudes financeiras: a promessa de retornos elevados e constantes em investimentos sujeitos às oscilações do mercado.
No esquema investigado em Manaus, os participantes eram atraídos pela expectativa de receber aproximadamente 10% de rendimento mensal.
Uma aplicação hipotética de R$ 10 mil, nessas condições, produziria R$ 1 mil de rendimento no primeiro mês, valor elevado para uma promessa de pagamento recorrente.
Investimentos em criptomoedas podem apresentar fortes variações de preço, inclusive perdas expressivas.
Por isso, a promessa de rentabilidade elevada e garantida deve ser tratada com cautela, especialmente quando não há transparência sobre a aplicação dos recursos.
A existência de contratos ou comprovantes apresentados por uma empresa também não garante, por si só, que as operações tenham sido efetivamente realizadas.
No caso investigado no Amazonas, a polícia identificou justamente suspeitas de falsificação documental para transmitir confiança aos investidores.
Próximos passos
Após a prisão em São Paulo, Josué Viana Medeiros deverá passar por audiência de custódia neste domingo (1º de novembro).
O procedimento permitirá que a Justiça analise a legalidade da detenção e as condições em que o mandado foi cumprido.
Conforme as informações divulgadas, o condenado deverá permanecer à disposição do Poder Judiciário para o cumprimento da pena de oito anos de prisão em regime fechado.
A captura também recoloca em evidência a investigação sobre os valores movimentados pelo esquema e os prejuízos enfrentados pelas vítimas.
Não foram divulgadas novas informações sobre eventual recuperação dos recursos ou ressarcimento dos investidores em decorrência da prisão deste sábado.