Lula defende fim da escala 6×1 e diz que mulheres enfrentam rotina “mais grave” por dupla jornada

Presidente afirma que trabalhadoras sofrem mais com atual modelo porque acumulam emprego e tarefas domésticas; governo articula aprovação da jornada 5x2 no Congresso
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta terça-feira (26) o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que as mulheres são as mais impactadas pelo modelo atual devido à chamada dupla jornada. Durante discurso em Manaus, o petista declarou que, além do emprego formal, muitas mulheres ainda precisam assumir sozinhas grande parte das tarefas domésticas.

“A vida da mulher é mais grave ainda. A mulher trabalha e, quando chega em casa, tem que lavar a louça, lavar o banheiro, lavar roupa e cuidar das coisas”, afirmou Lula durante evento de entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, na capital amazonense.

Na fala, o presidente voltou a defender a substituição da escala 6×1 pela jornada 5×2, modelo em que o trabalhador atua cinco dias e descansa dois. Segundo Lula, o governo fechou um acordo político com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para avançar com a proposta no Congresso Nacional.

“Nós vamos acabar com a escala 6×1 e vamos botar a escala 5×2. O povo vai trabalhar cinco dias e vai poder descansar dois”, declarou o presidente.

A proposta em discussão prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto foi apresentado pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da comissão especial da Câmara responsável por analisar a PEC do fim da escala 6×1.

Pelo modelo negociado, a carga horária cairia inicialmente para 42 horas semanais e, após um período de transição de até 14 meses, chegaria às 40 horas definitivas. A expectativa da base governista é votar a proposta ainda nesta semana no plenário da Câmara.

Durante o discurso, Lula também relacionou a redução da jornada à melhoria da qualidade de vida da população e afirmou que o país precisa avançar em políticas públicas voltadas ao bem-estar dos trabalhadores.

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses após mobilizações de sindicatos, movimentos trabalhistas e discussões nas redes sociais. Ao mesmo tempo, a proposta enfrenta resistência de setores empresariais, que apontam possíveis impactos econômicos e aumento de custos para empregadores.

Dados do IBGE citados durante as discussões sobre a proposta mostram que mulheres brasileiras dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais que os homens em tarefas domésticas e cuidados com outras pessoas, reforçando o argumento utilizado pelo governo sobre a sobrecarga feminina no mercado de trabalho e dentro de casa.

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