Megaoperação na Faria Lima mira ‘bancos paralelos’ que lavaram R$ 26 bilhões para o PCC

Receita Federal e Gaeco cumprem 59 mandados em cinco estados. Quadrilha usava fintechs de fachada, fundos de investimento e adulterava gasolina com solvente químico
Redação NC News
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Uma força-tarefa liderada pela Receita Federal e pelo Gaeco (Ministério Público de São Paulo) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto. A ação mira o coração financeiro de uma organização criminosa responsável por um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.

Agentes estão nas ruas para cumprir 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. A ofensiva é a segunda fase da “Operação Carbono Oculto”, deflagrada há exatos nove meses.

Fintechs como ‘bancos clandestinos’

O principal alvo desta nova etapa são seis fintechs (instituições de pagamento e tecnologia financeira) que operavam como verdadeiros bancos paralelos para o crime organizado. Segundo os investigadores, juntas, essas empresas movimentaram impressionantes R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

A fraude funcionava através do uso de “contas bolsão”, estruturas financeiras opacas que misturavam os recursos para dificultar o rastreio da Receita. O esquema chamou a atenção pelo volume de dinheiro vivo movimentado no ambiente digital: uma única instituição chegou a receber mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie. A apuração também identificou transações de R$ 365 milhões em criptomoedas com empresas já investigadas por lavagem de dinheiro em outras frentes policiais.

Operação Fluxo Oculto: esquema desviava combustíveis e gerava prejuízos milionários à sociedade. A organização criminosa atuava em diferentes etapas da cadeia do setor de solventes e combustíveis.

Gasolina batizada com solvente e salto patrimonial

Nas ruas, o consumidor final era diretamente lesado. A quadrilha comprava nafta petroquímica (um tipo de solvente químico forte) simulando que o uso seria industrial, aproveitando-se de isenções de impostos. O produto, no entanto, era desviado para terminais de armazenamento e adicionado aos tanques de combustíveis automotivos, que eram revendidos nos postos do grupo.

Apenas essa fraude gerou um rombo estimado em R$ 200 milhões aos cofres públicos em dois anos. O lucro obtido com a sonegação e a gasolina adulterada era rapidamente injetado no mercado financeiro para esconder os donos da fortuna.

Foto: Receita Federal

A operação desta quinta-feira mira quatro fundos de investimento, além de gestoras e administradoras de recursos, que recebiam o dinheiro sujo. Para se ter ideia do tamanho do negócio, o patrimônio desses fundos ligados ao esquema saltou mais de 200% em pouco mais de um ano, alcançando a marca atual de R$ 205 milhões.

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