A bola já está rolando no torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, e o coração do brasileiro começou a bater mais forte. Depois de anos de desânimo e críticas pesadas ao desempenho em campo, uma virada surpreendente na postura da torcida acendeu o debate nos botecos e nas redes sociais: afinal, dá para acreditar no tão sonhado hexacampeonato?
Uma nova pesquisa de opinião, realizada às vésperas do início da competição internacional, revelou que o brasileiro voltou, sim, a ter esperança, embora o fantasma do jejum de 24 anos sem levantar a taça mais cobiçada do planeta — desde o histórico título de 2002 — ainda deixe a maioria com o pé atrás.
O que aconteceu?
Os números mostram um salto impressionante na fé do torcedor. O percentual de brasileiros que batem no peito e dizem que acreditam no Hexa subiu de 25% em abril para 35% agora, em junho. Por outro lado, a barreira do pessimismo começou a rachar: o total de pessoas que não acreditam no título despencou de 68% para 56%.
Mesmo com a melhora, a maioria da população ainda se mantém cética. Para esse grupo mais desconfiado, o caminho do Brasil não será nada fácil na principal competição do futebol mundial. Entre os que não creem no título, 23% apontam que o Brasil deve cair novamente nas quartas de final, enquanto 8% acham que a equipe para nas semifinais e apenas 3% preveem uma dor de cabeça ainda maior: a derrota na grande final. Uma minoria de 7% acredita no pior cenário possível, com a eliminação ainda na fase de grupos.
Por que isso virou assunto?
A grande explicação para essa injeção de otimismo no peito do trabalhador brasileiro tem nome, sobrenome e sotaque europeu: Carlo Ancelotti. O comandante italiano, que carrega a responsabilidade histórica de ser o primeiro treinador estrangeiro a liderar a Amarelinha no principal torneio de seleções do planeta, caiu nas graças do povo.
A aprovação ao trabalho de Ancelotti disparou de 41% em abril para expressivos 58% em junho. A rejeição ao seu estilo de comando derreteu, caindo de 29% para apenas 14%. O torcedor parece ter entendido que, para reconquistar o mundo, a Seleção precisava de uma mentalidade nova, europeia e multicampeã.
Por que a situação de Neymar preocupa?
Se por um lado o treinador é unanimidade, o grande craque da companhia divide opiniões e gera um verdadeiro drama na vida real. A convocação de Neymar foi aprovada por 53% dos entrevistados, um crescimento em relação aos 47% de abril. Porém, a ala dos que correm contra o camisa 10 ainda é barulhenta: 38% desaprovaram sua ida para o torneio mundial.
O que incendeia a polêmica são as condições físicas do atleta. Neymar se apresentou visivelmente baleado por problemas físicos e, para o desespero de muitos, deve assistir de fora o primeiro desafio do Brasil na competição.
O que acontece agora?
A hora da verdade chegou. Após a abertura oficial do torneio com o duelo entre México e África do Sul na Cidade do México, os holofotes se voltam completamente para o time de Carlo Ancelotti.
O Brasil faz a sua grande estreia no sábado, dia 13 de junho, contra a seleção de Marrocos, em um confronto eletrizante que paralisa o país a partir das 17h, direto de Nova Jersey. O caminho inicial na fase de grupos ainda reserva duelos contra as seleções do Haiti e da Escócia pelo Grupo C. Sem Neymar em campo na estreia, o favoritismo será testado à flor da pele.
BASTIDORES DO LEVANTAMENTO
O retrato do sentimento do povo brasileiro foi capturado em uma pesquisa de campo minuciosa realizada pelo instituto Quaest, que ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que consolida a tendência real de que o país, mesmo desconfiado, resolveu voltar a vestir a camisa verde e amarela com orgulho para empurrar a Seleção.