Fenaj denuncia constrangimento a jornalistas nos EUA durante Mundial

Karine Alves relata que foi retirada de fila e tratada com rispidez nos Estados Unidos; entidade máxima dos jornalistas denuncia racismo, xenofobia e faz cobrança pesada por direitos na competição internacional
Redação NC News
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O clima de festa nos bastidores da cobertura do principal torneio de seleções do planeta deu lugar à indignação e à revolta. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acendeu o sinal de alerta e manifestou profunda preocupação após profissionais de imprensa brasileiros relatarem episódios graves de constrangimento, restrições e barreiras para trabalhar nos Estados Unidos — país que sedia o evento ao lado de México e Canadá.

Em uma nota contundente divulgada nesta quinta-feira (11), assinada pela Comissão de Mulheres Jornalistas e pela Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Social (Conajira), a entidade expôs uma denúncia chocante envolvendo a apresentadora e repórter Karine Alves, um dos rostos mais conhecidos da cobertura esportiva da TV Globo.

O que aconteceu?

O relato de Karine Alves sobre sua chegada ao solo americano é de cortar o coração e revoltar qualquer cidadão. Segundo a profissional da Globo, ao passar pelo controle de fronteira para cobrir a competição internacional, ela foi arrancada da fila regular da imigração por agentes locais.

Karine afirma ter sido tratada de forma extremamente ríspida e foi submetida a um procedimento humilhante: a revista de seu cabelo. O que torna o cenário ainda mais pesado é o fato de a jornalista ter percebido que a ação truculenta tinha alvo fixo. Ela afirma que o procedimento foi direcionado única e exclusivamente a pessoas negras que desembarcavam no país.

Por que isso causou revolta?

Para a Fenaj, não há outra palavra para definir o que aconteceu com a repórter global: trata-se de um episódio claro de racismo e xenofobia. A federação destacou que o caso de Karine não é um fato isolado, mas sim a ponta de um iceberg de preconceito que vem atingindo outros trabalhadores da comunicação e até torcedores que viajaram para acompanhar os jogos.

A onda de barrados na fronteira sob o clima de desconfiança das autoridades americanas escalou tanto que atingiu os próprios profissionais do esporte. A entidade citou também o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi terminantemente impedido de entrar nos Estados Unidos para trabalhar nas partidas da competição.

Como funciona a denúncia sobre o trabalho da imprensa?

Os problemas enfrentados pela imprensa brasileira e internacional não param nos guichês dos aeroportos. De acordo com os profissionais espalhados pelas sub-sedes, há uma série de barreiras e obstáculos inexplicáveis impostos ao trabalho de reportagem no dia a dia.

Os jornalistas denunciam restrições severas de circulação, mesmo em áreas que deveriam ser livres para a imprensa, incluindo os espaços utilizados pelas seleções durante os treinamentos diários. Trabalhar no celular, enviar boletins ao vivo e colher depoimentos tem virado uma verdadeira corrida de obstáculos.

O que acontece agora?

Diante do tamanho do absurdo, a Fenaj decidiu engrossar o caldo e levar a briga para o cenário internacional. A entidade informou que vai acionar a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) para exigir uma cobrança oficial e direta à organização máxima do futebol mundial. O objetivo é fazer com que os países anfitriões assinem um termo garantindo condições dignas de trabalho.

Entre as exigências que serão colocadas na mesa estão:

  • Segurança e respeito: Garantia de um ambiente livre de discriminação para profissionais de todas as nacionalidades;

  • Canal de denúncias: Criação de um mecanismo independente para apurar casos de assédio, violência e preconceito durante o torneio;

  • Proteção às mulheres: Protocolos específicos para garantir a integridade física e moral das mulheres jornalistas;

  • Liberdade de imprensa: Compromisso real dos países sedes com a livre circulação e independência dos trabalhadores.

BIO / CONTEXTO FINAL

Karine Alves é jornalista, apresentadora e repórter esportiva, considerada uma das principais referências da representatividade negra no jornalismo esportivo brasileiro atual. Com passagem marcante pelo Fox Sports, ela foi contratada pela TV Globo em 2020, onde assumiu o comando de blocos esportivos de grandes telejornais e do programa Esporte Espetacular. Reconhecida pelo carisma, precisão técnica e voz firme, Karine viajou aos Estados Unidos credenciada para cobrir o maior evento de futebol do mundo, transformando-se agora também em símbolo de resistência contra os abusos de autoridade na fronteira.

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