Governo devolve a operação das linhas 11, 12 e 13 à CPTM por 90 dias após incêndio em trem

Curto-circuito em trem da Linha 12-Safira causa interrupção e aciona retorno assistido da CPTM por três meses em São Paulo.
Redação NC News
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A manhã desta quinta-feira começou com susto e muito transtorno para milhares de passageiros da Zona Leste de São Paulo. Um trem da Linha 12-Safira, operada pela concessionária Trivia Trens, pegou fogo entre as estações Brás e Tatuapé, provocando a paralisação de três das linhas mais movimentadas da capital. Diante da crise, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) decidiu acionar a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que voltará a acompanhar a operação das linhas por um período inicial de 90 dias.

Explosão, fumaça e corrida para deixar o trem

O incidente aconteceu por volta das 5h25, justamente quando milhares de pessoas seguiam para o trabalho. Passageiros relataram ter ouvido uma forte explosão antes de perceberem as chamas tomando conta da lateral da composição.

O medo se espalhou rapidamente. Muitas pessoas deixaram os vagões às pressas enquanto a fumaça aumentava. Um dos carros do trem ficou completamente destruído pelo fogo.

Segundo o diretor de Operações da Trivia Trens, Paulo Ferreira, uma falha elétrica pode ter provocado o incêndio.

“Um possível curto-circuito em um dos trens acabou desligando as subestações de energia, o que causou a paralisação das linhas da empresa”, explicou.

Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Ainda assim, a pane interrompeu completamente a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade durante o início da manhã.

O episódio ocorre justamente no terceiro dia de operação da Trivia Trens à frente das três linhas. Desde o início da concessão, o sistema já havia registrado outros problemas, aumentando a preocupação de passageiros e autoridades.

Passageiros caminham pelos trilhos e recebem ajuda da Polícia Militar

Sem energia e com os trens parados entre as estações, milhares de passageiros precisaram deixar as composições e seguir a pé pelos trilhos.

Em alguns pontos da Zona Leste, policiais militares organizaram o resgate dos usuários. Imagens aéreas mostraram agentes ajudando idosos, pessoas com deficiência e crianças a atravessar barrancos, passar por muros e utilizar caminhões como apoio para chegar até ruas próximas.

Enquanto isso, quem tentava seguir viagem encontrou outro problema.

A Linha 3-Vermelha do Metrô, principal alternativa para quem saiu dos trens, ficou lotada logo nas primeiras horas do dia. Estações como Tatuapé e Corinthians-Itaquera registraram plataformas tomadas por passageiros.

Para tentar reduzir o impacto, o Metrô liberou as integrações gratuitas, colocou trens extras em circulação, enviou composições vazias para os pontos mais movimentados e reforçou o número de funcionários nas estações.

Ônibus emergenciais tentam aliviar o caos

Com a operação ferroviária comprometida, a Trivia Trens acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE).

Ao todo, 36 ônibus foram colocados em circulação para atender principalmente o trecho entre Bresser-Mooca e USP Leste.

Mesmo assim, a alternativa não conseguiu absorver toda a demanda. Longas filas se formaram nos pontos de embarque, enquanto o trânsito na região ficou ainda mais carregado devido ao aumento da circulação de ônibus, carros de aplicativo e veículos particulares.

Em nota, a concessionária informou que sua prioridade era garantir a segurança dos passageiros e restabelecer o serviço o mais rápido possível.

Governo endurece e traz a CPTM de volta

O incêndio acelerou uma decisão que já vinha sendo discutida internamente pelo governo paulista.

A Artesp anunciou que irá submeter ao conselho diretor a aprovação de uma operação assistida entre a Trivia Trens e a CPTM durante os próximos 90 dias.

Na prática, técnicos da CPTM voltarão a acompanhar a operação diária das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, auxiliando na fiscalização, nos procedimentos operacionais e na identificação de falhas.

Segundo o diretor-presidente da Artesp, André Isper, o objetivo é entender exatamente o que provocou o incêndio desta quinta-feira e impedir que novos episódios semelhantes voltem a ocorrer.

A agência também informou que continuará fiscalizando a concessionária e poderá adotar outras medidas administrativas caso novos problemas sejam registrados.

O impacto vai muito além dos trilhos

Para quem depende diariamente das linhas 11, 12 e 13, o incêndio significou uma manhã de atrasos, consultas perdidas, compromissos cancelados e dificuldades para chegar ao trabalho ou à escola.

Já para a Trivia Trens, a crise acontece justamente quando a empresa tenta conquistar a confiança dos passageiros após assumir a operação das linhas. Em apenas três dias, a concessionária acumula uma sequência de falhas que agora passa a ser acompanhada de perto pela Artesp e pela própria CPTM.

A expectativa dos usuários é que a presença da antiga operadora ajude a dar mais estabilidade ao sistema e evite que cenas como as desta quinta-feira — com fumaça, passageiros caminhando pelos trilhos e estações lotadas — voltem a se repetir.

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