O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a ser citado em um dos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master após a revelação de que seu escritório de advocacia emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para uma empresa ligada ao caso. Os documentos, no entanto, foram cancelados no mesmo dia e, segundo o parlamentar, nenhum pagamento foi recebido.
As notas fiscais envolvem a Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que, conforme documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado, recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. O episódio reacendeu a atenção sobre a rede de empresas e pessoas citadas nas investigações que apuram suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição.
O que revelam as notas fiscais?
Os documentos foram emitidos pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro em 7 de abril de 2025. Cada nota fiscal tinha o valor de R$ 500 mil, totalizando R$ 1 milhão em serviços advocatícios destinados à Copenhagen Assessoria e Consultoria.
Segundo as informações conhecidas até o momento, as duas notas foram canceladas ainda no mesmo dia.
Dois dias depois, em 9 de abril de 2025, o escritório do senador emitiu uma nova nota fiscal, também de R$ 500 mil, desta vez para outra empresa, a Contábil Corrêa, referente à prestação de serviços de assessoria jurídica.

Qual é a ligação da empresa com o caso Master?
A Copenhagen Assessoria aparece nas investigações por ter recebido R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.
Na época em que as notas fiscais foram emitidas, a empresa tinha como diretor Artur Figueiredo, gestor ligado à administradora de fundos Trustee DTVM.
Artur Figueiredo e a Trustee são mencionados nas investigações sobre o caso Master, que apuram suspeitas de fraudes financeiras envolvendo operações do banco. Até o momento, não há condenação relacionada a esses fatos.
Cinco meses depois, em setembro de 2025, a direção da Copenhagen passou para Rogério Novo, proprietário da empresa Contábil Corrêa, que posteriormente contratou o escritório de Flávio Bolsonaro.
- Banco Master
- Copenhagen Assessoria
- Trustee DTVM
- Artur Figueiredo
- Contábil Corrêa
- Escritório de Flávio Bolsonaro
O que diz Flávio Bolsonaro?
Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que não prestou serviços para a Copenhagen e explicou que decidiu cancelar as notas fiscais antes da conclusão da contratação.
Segundo Flávio, ele chegou a negociar um possível contrato, mas desistiu do trabalho ao tomar conhecimento de informações relacionadas à empresa.
“Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen (…). Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, declarou.
O senador também afirmou que os serviços efetivamente prestados foram destinados à empresa Contábil Corrêa, que, segundo ele, contratou regularmente seu escritório.
O que afirma a Trustee DTVM?
A Trustee DTVM informou que atuava apenas como administradora do fundo Estônia Multiestratégia, investidor da Copenhagen Assessoria e Consultoria.
Segundo a empresa, ela não tinha participação nas relações comerciais da Copenhagen nem interferência sobre contratos ou pagamentos realizados pela companhia.
A administradora também afirmou que Artur Figueiredo exercia apenas função de representação do fundo investidor e que sua atuação ocorreu dentro das normas de governança e compliance.
Ainda conforme a Trustee, Figueiredo não participava da administração operacional nem das negociações comerciais da empresa.
O que está sendo investigado?
As investigações relacionadas ao Banco Master apuram suspeitas de fraudes financeiras envolvendo movimentações de recursos, estrutura societária e possíveis mecanismos utilizados para ocultação patrimonial.
Até o momento, a divulgação das notas fiscais não representa, por si só, comprovação de irregularidade envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
O próprio parlamentar afirma que cancelou a contratação antes de qualquer pagamento e nega ter mantido relação comercial com a Copenhagen.
Também não há, até o momento, acusação formal ou condenação contra Flávio Bolsonaro relacionada a esse episódio.
O que pode acontecer agora?
A divulgação dos documentos deve ampliar o interesse sobre as relações comerciais mantidas pelas empresas citadas nas investigações do caso Master.
Caso autoridades entendam necessário, as informações poderão ser incorporadas às apurações em andamento para verificar se houve alguma conexão relevante entre os envolvidos.
Até o momento, porém, o foco permanece na análise dos documentos, movimentações financeiras e contratos ligados às empresas investigadas.
ENTENDA O CONTEXTO
O caso Master envolve investigações sobre supostas irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master e empresas que teriam participado de operações sob análise das autoridades. Entre elas está a Copenhagen Assessoria e Consultoria, que recebeu quase R$ 58 milhões da instituição financeira entre 2024 e 2025, segundo documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado.
A emissão e o posterior cancelamento de notas fiscais pelo escritório de Flávio Bolsonaro colocaram o senador em um novo capítulo dessa investigação. Flávio afirma que desistiu da contratação antes de prestar serviços ou receber qualquer pagamento da Copenhagen. Até o momento, não há acusação formal nem condenação contra o parlamentar em relação aos fatos divulgados.