Lula mantém 10 pontos sobre Flávio Bolsonaro entre mulheres na pesquisa 2026

Pesquisa Datafolha revela vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro entre eleitorado feminino, destacando rejeição ao senador.
Redação NC News
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Lula sustenta a dianteira na corrida presidencial apoiado sobretudo pelas mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta a maior rejeição feminina entre os principais candidatos, segundo pesquisa Datafolha.

Divisão por gênero redesenha a disputa

O levantamento, feito com 2.004 eleitores em todo o país, indica um país rachado por gênero na disputa entre o presidente e o senador do PL. Entre as mulheres, Lula abre dez pontos em um cenário de segundo turno: 50% declaram voto no petista, contra 40% que preferem Flávio Bolsonaro. Entre os homens, a vantagem muda de lado, mas por margem mínima: 46% dizem optar pelo candidato do PL, enquanto 45% escolhem Lula.

Na soma geral, o presidente aparece com 48% das intenções de voto e Flávio com 43%. Brancos somam 9%, e 1% dos entrevistados afirma não saber em quem votar. Os números reforçam o peso do eleitorado feminino na eleição de 2026 e ajudam a explicar a guinada da campanha bolsonarista em direção a esse público.

A pesquisa é presencial, tem margem de erro de 2 pontos percentuais no total e 3 pontos nos recortes por gênero, além de grau de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026 e custa R$ 307.541,60, pagos com recursos próprios da Datafolha.

Rejeição feminina trava avanço de Flávio

Os obstáculos para Flávio Bolsonaro se tornam mais claros quando se observa a rejeição. Segundo o Datafolha, “50% das mulheres afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum no 1º turno”. Entre elas, 44% dizem o mesmo sobre Lula. No conjunto do eleitorado, a rejeição ao senador atinge 48%, ligeiramente acima dos 46% que rejeitam o presidente.

Esse cenário transforma o voto das mulheres em ponto sensível da estratégia do PL. Metade do eleitorado feminino descarta Flávio a priori, o que reduz a margem para crescimento mesmo em um quadro de polarização consolidada. A rejeição elevada aumenta o custo de cada voto conquistado nesse segmento e obriga a campanha a correr para reduzir danos.

Os dados ganham peso extra porque vêm na sequência de episódios que poderiam aprofundar o desgaste. A disputa pública de Flávio com a madrasta Michelle Bolsonaro, figura de forte apelo entre mulheres no campo conservador, expõe fissuras no bolsonarismo. Em paralelo, o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família, declara que mulheres “votam muito mal”, frase que alimenta críticas de machismo e tende a reforçar resistências nesse eleitorado.

Campanha reage com pacote “Brasil por Elas”

Pressionada pelos números, a campanha de Flávio Bolsonaro acelera um reposicionamento voltado especificamente às mulheres. A principal vitrine é o plano “Brasil por Elas”, que promete benefícios sociais direcionados, como fornecimento gratuito de celular e internet e vouchers para creches. A ideia é combinar alívio imediato no orçamento doméstico com uma narrativa de atenção às responsabilidades de cuidado, historicamente concentradas nelas.

A comunicação digital também entra em modo de emergência. A equipe intensifica a produção de conteúdos segmentados para mulheres nas redes, em especial no Instagram, com linguagem mais próxima do cotidiano familiar e ênfase em segurança, educação dos filhos e custo de vida. A aposta é que, ao suavizar a imagem do candidato e mostrar sensibilidade a temas sociais, seja possível reduzir a rejeição hoje cristalizada.

Dentro da chapa, a escolha de uma vice mulher se transforma de gesto simbólico em necessidade estratégica. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, surge como favorita para compor a vaga. Seu perfil técnico, associado ao mercado financeiro e à gestão de programas sociais, é visto como ponte para eleitoras que desconfiam de promessas vagas. A indicação, porém, enfrenta resistência no Republicanos, partido de Daniella, que reluta em ceder um quadro de projeção nacional.

Fernanda Bolsonaro entra em cena

Enquanto a definição da vice emperra na negociação partidária, a campanha dá protagonismo à figura familiar de Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio. Cirurgiã-dentista e alheia até aqui à política profissional, ela estreia em eventos públicos ao lado do senador e passa a ser apresentada como interlocutora direta com as eleitoras.

Na convenção nacional do PL em São Paulo, que oficializa a candidatura de Flávio, Fernanda sobe ao palco pela primeira vez. Ao se dirigir ao público, tenta desmontar resistências com simplicidade: diz que não é política, admite o nervosismo e conta que levou uma “colinha” para conseguir falar. O gesto busca humanizar o candidato e aproximar a família Bolsonaro de um eleitorado farto do tom agressivo que marcou campanhas anteriores.

O esforço, contudo, convive com declarações de aliados que vão na direção oposta. A frase de Paulo Figueiredo sobre mulheres votarem “muito mal” funciona como munição para adversários e reforça a imagem de um campo político que, mesmo ao cortejar eleitoras, relativiza sua capacidade de decisão. A dissonância interna revela a dificuldade de parte do bolsonarismo em ajustar o discurso a um eleitorado que cobra respeito e políticas concretas.

Lula consolida base e mira manutenção da vantagem

Do outro lado, a campanha de Lula lê os números como confirmação de uma base feminina ainda sólida, mas menos folgada do que em levantamentos anteriores. A diferença nas intenções de voto entre mulheres cai de 15 para 10 pontos, e a distância na rejeição encolhe de 13 para 6 pontos. O movimento sinaliza que o presidente enfrenta desgaste, mas ainda se beneficia de uma vantagem consistente nesse segmento.

O núcleo petista trabalha para preservar esse colchão de apoio. A estratégia passa por manter o foco em programas sociais, combate à fome e políticas para cuidado infantil e igualdade salarial. Interlocutores de Lula avaliam que, com a economia ainda pressionando o orçamento doméstico, qualquer recuo em políticas de proteção social pode custar caro entre as eleitoras de baixa renda.

A leitura no PT é que a eleição segue aberta, com diferença relativamente estreita no agregado — 48% a 43% em favor de Lula — e alto grau de cristalização da polarização. A meta, agora, é evitar erros que possam corroer a vantagem feminina, ao mesmo tempo em que se tenta reduzir a própria rejeição, hoje em 46%.

Polarização se aprofunda e pesquisas ganham peso

O Datafolha desta semana reforça um quadro de país cindido por gênero e intensamente polarizado. Homens se aproximam mais do discurso de ordem, conservador nos costumes e liberal na economia defendido por Flávio Bolsonaro. Mulheres, mais expostas à sobrecarga do cuidado e ao impacto direto da inflação em alimentos, tendem a favorecer o discurso social de Lula, mesmo sem entusiasmo unânime.

Para os partidos, os números pressionam por ajustes rápidos. No PL e no Republicanos, a escolha da vice se torna teste de coesão interna e de capacidade de ouvir as demandas das eleitoras. No PT, o desafio é manter o tom propositivo sem subestimar o risco de erosão em segmentos específicos, como evangélicas e mulheres de renda média, onde avanços bolsonaristas podem ser decisivos.

Novos levantamentos devem medir, nas próximas semanas, se o “Brasil por Elas” e a entrada de Fernanda Bolsonaro em cena conseguem furar o bloqueio da rejeição feminina. A forma como cada campanha lida com episódios polêmicos, declarações misóginas e promessas concretas para a vida das mulheres tende a definir o ritmo da disputa até o segundo turno.

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