Com uma assistência de Neymar e uma atuação taticamente decisiva de Caballero, o Santos vence o Remo por 1 a 0 e garante vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. A classificação nasce de mudanças de Cuca que reorganizam o ataque e mudam o rumo de um jogo amarrado.
Cuca mexe no tabuleiro e muda função de Caballero
O confronto começa com o Santos travado criativamente, diante de um Remo bem postado e disposto a alongar o jogo. A resposta de Cuca não vem com trocas em massa, mas com um ajuste silencioso: Caballero deixa a ponta e passa a atuar mais por dentro, próximo de Gabigol.
Sem a bola, o time se arma num 4-4-2 compacto. Barreal fecha o lado esquerdo, Gabriel Bontempo guarda o direito e Caballero circula na região central, às costas dos volantes paraenses. Ao não precisar perseguir o lateral até o fundo, o paraguaio perde menos energia na recomposição e se apresenta mais inteiro no terço final.
Por dentro, o camisa 17 vira a principal válvula de escape do Santos. Cai com frequência pelo lado esquerdo, se aproxima de Gabigol e começa a testar a dupla de zaga, em especial Marllon, que sofre com a velocidade e a insistência nas bolas divididas.
Os números ajudam a contar essa mudança de papel. Em 61 minutos, Caballero distribui dois passes para finalização, acerta dois chutes, completa dois dribles em duas tentativas e vence quatro de seis duelos pelo chão. Em um contra-ataque, só não abre o placar porque para em boa defesa de Marcelo Rangel. Em outro lance, disputa uma bola aparentemente perdida até o fim e provoca a expulsão de Marllon, que desestabiliza de vez a defesa azulina.
No pós-jogo, Cuca faz questão de sublinhar o impacto do atacante: “O Caballero é um jogador muito rápido. Fez um bom jogo, participou do lance da expulsão e criou outras jogadas da mesma forma. Fez uma boa partida”, afirma o técnico, amarrando elogio ao plano traçado no vestiário.
Neymar entra na etapa final e decide em 45 minutos
A outra peça-chave da noite entra em cena apenas no segundo tempo. Neymar se junta à delegação poucas horas antes da partida, começa no banco e volta a um papel que marcou o início da carreira: aberto pela esquerda, com liberdade para circular.
Quando pisa em campo, o Santos ainda precisa furar um adversário fechado, mas já com um jogador a mais após a expulsão. Neymar passa a buscar a bola perto da linha lateral, em zonas menos congestionadas, e dali acelera o jogo com conduções curtas, tabelas e inversões longas.
O gol que garante a vaga nasce justamente desse mapa de calor. Pela esquerda, Neymar pressiona Zé Welison, recupera a posse e, em seguida, encontra Rony livre na área. O atacante finaliza e faz o 1 a 0, transformando um jogo tenso em classificação controlada.
Em 45 minutos, o camisa 10 não enfeita a estatística com gols, mas lidera a construção ofensiva. Cria uma grande chance, finaliza uma vez, dá três passes para finalização e acerta as duas bolas longas que tenta. A atuação não é brilhante tecnicamente, mas a leitura de espaços e o timing dos passes se mostram decisivos.
A vitória mantém o Santos vivo em uma competição que pesa no calendário esportivo e no caixa do clube. A classificação para as quartas de final rende premiação maior, reforça a vitrine do elenco e sustenta o discurso interno de que o time pode brigar por título em mata-mata.
Remo fica pelo caminho e pressão aumenta após eliminação
Enquanto o Santos comemora, o Remo olha para o que escapa pelas mãos. A eliminação na Copa do Brasil corta a possibilidade de enfrentar adversários de maior visibilidade e reduz a expectativa de receitas extras em premiações, bilheteria e exposição da marca.
No vestiário e nos corredores do clube paraense, a frustração se mistura a questionamentos sobre a preparação para jogos de maior exigência técnica. O time até consegue equilibrar as ações em boa parte do confronto, mas perde o controle emocional com a expulsão de Marllon e não encontra respostas ofensivas para reagir com um homem a menos.
A situação ganha contornos ainda mais ásperos com a controvérsia envolvendo o presidente do Remo, que perde a paciência e chama Neymar de “vagabundo” em meio ao clima de irritação pós-jogo. A declaração alimenta o ambiente de rivalidade e promete render novos capítulos em eventuais reencontros.
Para o elenco azulino, a consequência imediata é uma reta de temporada em que o foco precisa migrar para outras competições e para a reconstrução da confiança. Para a diretoria, cresce a pressão por ajustes no grupo e na condução de partidas decisivas.
Santos ganha moral, mas perde Neymar no Brasileirão
No lado santista, o resultado reforça a sintonia recente do time em jogos de copas, sobretudo quando Neymar está em campo. A presença do camisa 10 tem se traduzido em classificações seguidas, o que ajuda a consolidar um ambiente de confiança em mata-matas.
A atuação de Rony, autor do gol da classificação, e a participação consistente de Caballero sugerem ainda uma distribuição mais equilibrada de protagonismo no ataque. Gabigol, embora não marque, atrai marcação, abre espaços e participa da engrenagem ofensiva que Cuca tenta estabilizar.
O calendário, porém, não dá trégua. O Santos já se volta para o próximo compromisso do Campeonato Brasileiro, no domingo (9), contra o Athletico-PR. Neymar fica fora por suspensão e obriga a comissão técnica a pensar em uma nova configuração ofensiva, possivelmente com mais responsabilidade criativa para Rony, Gabigol e os meias.
As quartas de final da Copa do Brasil ainda não começam, mas a noite diante do Remo deixa duas certezas para o Santos. Cuca mostra que pequenos ajustes táticos podem redefinir um confronto, e Neymar prova que, mesmo em 45 minutos, ainda é capaz de decidir partidas que valem temporada.