O arroz com feijão, presença quase obrigatória na mesa de milhões de brasileiros, ganhou mais um argumento a favor de seu consumo. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, indica que uma maior presença da combinação na alimentação está associada a uma redução de 44,49% nas insuficiências nutricionais.
A pesquisa analisou dados de 46.164 brasileiros com 10 anos ou mais e também encontrou diferenças importantes no custo e no impacto ambiental das dietas que incluem mais arroz e feijão.
Estudo aponta melhora na qualidade nutricional
Segundo os resultados, as pessoas que consumiam mais arroz e feijão apresentavam uma alimentação com maior ingestão de fibras, ferro e potássio.
Ao mesmo tempo, a dieta estava associada a um menor consumo de açúcares adicionados, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans.
O resultado chama atenção principalmente porque a combinação é formada por alimentos acessíveis e presentes na cultura alimentar brasileira.
Arroz e feijão também podem pesar menos no bolso
O benefício apontado pelo estudo não ficou restrito à qualidade nutricional.
A pesquisa identificou que as dietas com maior consumo de arroz e feijão apresentavam um custo total 38,03% menor.
Além disso, também foram observadas reduções nos impactos ambientais. A pegada de carbono foi 17,64% menor, enquanto a pegada hídrica caiu 21,05%.
Afinal, o carboidrato é realmente o vilão?
Os resultados também colocam em discussão a ideia de que todo carboidrato deveria ser retirado da alimentação.
O arroz é uma fonte de carboidrato, nutriente utilizado pelo organismo principalmente para obtenção de energia. No entanto, alimentos ricos nesse nutriente possuem características diferentes entre si.
Arroz, frutas, tubérculos e leguminosas não devem ser colocados na mesma categoria que produtos ultraprocessados ricos em açúcar e aditivos.
A questão, portanto, não é simplesmente eliminar o carboidrato, mas observar de onde ele vem e como ele está inserido no conjunto da alimentação.
Arroz branco ou integral: existe um melhor?
Uma das diferenças está no processamento. O arroz integral preserva as camadas externas do grão e, por isso, possui maior quantidade de fibras e alguns micronutrientes. Já o arroz branco passa pelo processo de polimento e apresenta menos fibras.
Isso, porém, não significa que o arroz branco seja automaticamente uma escolha inadequada.
Quando combinado com feijão, verduras, legumes e uma fonte de proteína, ele pode fazer parte de uma refeição diversificada.
A escolha também pode levar em conta fatores como preferência pessoal, hábito alimentar, disponibilidade e tolerância individual.
O que realmente importa no prato
O estudo reforça uma ideia importante: retirar um alimento isoladamente não garante uma alimentação melhor. A qualidade da dieta depende do conjunto.
Por isso, em vez de simplesmente eliminar o arroz, a estratégia pode estar em montar refeições mais variadas, com arroz e feijão acompanhados de vegetais e fontes adequadas de proteína.
No caso de pessoas que precisam fazer restrições específicas de carboidratos, a orientação deve ser individualizada e acompanhada por profissional de saúde.
Entenda o contexto
A pesquisa realizada com mais de 46 mil brasileiros associa o maior consumo de arroz e feijão a uma alimentação com menos insuficiências nutricionais, menor custo e menor impacto ambiental.
Os números encontrados foram:
- 44,49% menos insuficiências nutricionais;
- 38,03% menor custo da dieta;
- 17,64% menor pegada de carbono;
- 21,05% menor pegada hídrica.
O resultado reforça o papel de uma combinação tradicional da alimentação brasileira e mostra que uma dieta considerada saudável não precisa necessariamente ser cara ou baseada em alimentos pouco acessíveis.