O produtor cultural Ângelo Gustavo Pereira Nobre, de 35 anos, decidiu transformar a experiência de uma prisão injusta em um projeto para ajudar outras pessoas. Após passar 363 dias preso no Rio de Janeiro, ele lançou o Instituto Gustavo Nobre – Justiça para os Inocentes, voltado ao atendimento de vítimas de erros judiciais e suas famílias.
O lançamento ocorreu na segunda-feira (31), exatamente cinco anos depois de Gustavo recuperar a liberdade. O projeto oferece serviços gratuitos por meio de voluntários e também pretende auxiliar na reconstrução da vida profissional e da imagem de pessoas prejudicadas por decisões judiciais equivocadas.
VEJA TAMBÉM
Ator e diretor Gracindo Jr. morre aos 83 anos no Rio de Janeiro
Entenda O Que Aconteceu
Gustavo foi preso em 2020, acusado de participar do roubo de um carro. Segundo a família e a Comissão de Direitos da OAB, ele estava em uma igreja no momento do crime e não teria condições físicas de participar da ação, pois se recuperava de uma cirurgia no pulmão.
O reconhecimento que levou à prisão ocorreu a partir de uma fotografia encontrada em uma rede social durante uma investigação paralela feita pela própria vítima do roubo.
A inocência de Gustavo foi posteriormente reconhecida pela Justiça. O caso chamou atenção para os riscos do reconhecimento fotográfico como única base para uma prisão.

Instituto Oferece Apoio Gratuito
O novo instituto pretende atender pessoas que enfrentaram situações semelhantes. Entre os serviços estão assessoria jurídica, cursos e oficinas, auxílio na recuperação da imagem pública e apoio para recolocação no mercado de trabalho.
Os atendimentos são realizados gratuitamente por voluntários. Para o público em geral, também estão previstas atividades de capacitação e palestras.

Gustavo Quer Transformar Experiência Em Propósito
Gustavo afirma que a ideia de criar o projeto surgiu ainda durante o período em que estava preso.
A iniciativa também conta com o apoio de pessoas que acompanharam o caso. Entre elas estão artistas como Rafael Zulu, Regina Casé e Raphael Logam. A atriz Roberta Rodrigues foi convidada para ser embaixadora do instituto.
Segundo Gustavo, a criação do projeto representa uma nova etapa depois dos anos necessários para lidar com as consequências da prisão e organizar a iniciativa.
Reconhecimento Fotográfico É Questionado
O caso de Gustavo também reacendeu o debate sobre o uso de fotografias para identificar suspeitos.
Um levantamento realizado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro e pela entidade que reúne defensores públicos apontou que 83% das pessoas presas injustamente após reconhecimento fotográfico eram jovens, negras e pobres.
Após casos como o de Gustavo, a Polícia Civil recomendou que o reconhecimento fotográfico não seja utilizado isoladamente como prova para solicitar a prisão de suspeitos.
Entenda O Contexto
A história de Ângelo Gustavo Nobre se tornou um exemplo dos riscos de falhas no processo de identificação de suspeitos. Preso por quase um ano após ser reconhecido por uma fotografia de rede social, ele conseguiu provar judicialmente que não havia participado do crime pelo qual foi acusado. Agora, cinco anos depois de recuperar a liberdade, decidiu usar a própria experiência para criar uma instituição voltada a pessoas que enfrentam consequências semelhantes, oferecendo suporte jurídico, profissional e de reconstrução da imagem.
AS MAIS LIDAS
Ana Maria Braga se afasta do Mais Você e Tati Machado e Gil do Vigor assumem programa