Governo notifica 115 empresas por irregularidades no vale-alimentação

Fiscalização encontrou taxas acima do limite, atrasos em repasses e uso dos cartões para compras fora da finalidade do benefício.
Redação NC News
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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) notificou 115 empresas para apresentar documentos e esclarecimentos sobre possíveis irregularidades na operação do vale-alimentação (VA) e do vale-refeição (VR). A fiscalização foi realizada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho dentro das regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).

Do total, 74 são empresas beneficiárias, 12 são operadoras de benefícios e 29 são estabelecimentos comerciais credenciados, como supermercados e restaurantes. Entre as operadoras notificadas estão Alelo, Pluxee, Ticket e VR.

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Fiscalização encontrou taxas acima do limite

Um dos principais pontos identificados pelos auditores foi a cobrança de taxas acima do limite estabelecido pelo governo.

Segundo a fiscalização, houve casos em que os estabelecimentos comerciais foram cobrados em 8% e até 10% sobre as transações. O limite definido pelo Decreto nº 12.712/2025 é de 3,6%.

A regulamentação também estabeleceu limite de 2% para a tarifa de intercâmbio e reduziu para 15 dias corridos o prazo para que os estabelecimentos recebam os valores das transações com os cartões.

Governo também investiga prática de rebate

Outra frente da fiscalização envolve o chamado rebate, prática em que operadoras oferecem descontos, vantagens financeiras ou outros benefícios para empresas contratantes como forma de conquistar ou manter contratos.

Segundo o MTE, essas vantagens podem acabar aumentando os custos para restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos que recebem os cartões. A fiscalização também analisa situações envolvendo cashback e benefícios como subsídios para academias e descontos em planos de saúde.

Cartões foram usados para compras proibidas

Os auditores também encontraram indícios de uso dos cartões de alimentação e refeição para a compra de produtos que não estão relacionados à alimentação do trabalhador.

Entre os itens identificados estão bebidas alcoólicas, produtos de limpeza, artigos de higiene pessoal, ração para animais e até pneus.

Pelas regras do PAT, os recursos devem ser destinados à alimentação e à promoção da segurança alimentar e nutricional dos trabalhadores.

Empresas ainda podem apresentar defesa

A notificação do MTE não significa, por si só, que todas as empresas tenham sido definitivamente autuadas ou que as irregularidades já estejam comprovadas. As companhias precisam apresentar documentos e esclarecimentos, e a fiscalização poderá resultar em novos autos de infração após a análise dos casos.

As empresas autuadas terão direito à defesa administrativa. As multas podem variar de R$ 5 mil a R$ 50 mil, dependendo do porte da empresa e da existência de reincidência.

As principais operadoras notificadas afirmaram que cumprem a legislação e que vão apresentar os esclarecimentos e defesas dentro dos prazos previstos.

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Entenda o contexto

O Programa de Alimentação do Trabalhador foi criado para ampliar o acesso à alimentação durante a jornada de trabalho. Empresas participantes podem receber incentivos fiscais, desde que cumpram as regras do programa.

As normas atualizadas em 2025 estabeleceram limites para taxas cobradas dos estabelecimentos, reduziram o prazo de repasse dos valores e proibiram o rebate. O governo afirma que as mudanças buscam reduzir custos, ampliar a rede de estabelecimentos que aceitam os benefícios e garantir que os recursos sejam usados efetivamente para alimentação.

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