As ações da CSN, negociadas pelo código CSNA3, dispararam nesta quinta-feira (3) após a mudança no comando executivo da companhia. Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale e da Klabin, assumiu a presidência executiva no lugar de Benjamin Steinbruch, que deixou a função após 24 anos e passou a comandar o Conselho de Administração.
Durante a manhã, CSNA3 chegou a registrar alta superior a 16%, em uma reação imediata dos investidores à troca de liderança e à perspectiva de aceleração do processo de redução da dívida. O movimento ocorre justamente em um momento em que a situação financeira da companhia está no centro das atenções do mercado.
Troca de comando muda a dinâmica da CSN
Benjamin Steinbruch ocupava a presidência executiva da CSN desde 2002. Agora, continuará com influência direta sobre a estratégia do grupo como presidente do Conselho de Administração, enquanto Schvartsman assume a responsabilidade pela operação e pela execução das medidas previstas para os próximos anos.
A mudança foi aprovada pelo Conselho de Administração e passou a valer nesta quinta-feira. Schvartsman chega ao cargo com experiência no comando de grandes empresas, tendo presidido a Vale entre 2017 e 2019 e a Klabin por seis anos.
A alteração não representa, portanto, uma saída da família Steinbruch da companhia. A principal mudança está na separação entre a liderança estratégica do conselho e a gestão executiva do grupo.

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Dívida de R$ 42 bilhões coloca plano no centro das atenções
A troca de comando acontece em um momento delicado para as contas da CSN. No segundo trimestre de 2026, a dívida líquida da companhia chegou a aproximadamente R$ 42,1 bilhões, enquanto a alavancagem financeira alcançou 3,49 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.
O cenário é acompanhado de perto porque o grupo precisa conciliar investimentos, despesas financeiras e vencimentos de dívida com a geração de caixa das operações. No primeiro semestre, a companhia acumulou prejuízo líquido de cerca de R$ 1,3 bilhão.
A CSN vem adotando medidas para alongar compromissos financeiros e reforçar o caixa. Em julho, por exemplo, a companhia apresentou uma operação para renegociar US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida emitidos no exterior, com possibilidade de extensão de vencimentos para 2030.
Plano prevê R$ 41 bilhões em necessidades de caixa até 2030
A nova gestão terá como uma das principais missões colocar em prática um plano financeiro estimado em cerca de R$ 41 bilhões em necessidades de caixa entre o terceiro trimestre de 2026 e 2030.
Segundo a XP Investimentos, esse montante deverá ser atendido por diferentes fontes. A estimativa considera aproximadamente R$ 20 bilhões em refinanciamento de dívidas bancárias, R$ 13 bilhões em pré-pagamentos de minério de ferro e entre R$ 17 bilhões e R$ 18 bilhões em vendas de ativos.
A estratégia mostra por que a execução será determinante para a nova administração. O objetivo não depende apenas de melhorar o desempenho operacional, mas também de conseguir transformar ativos do grupo em dinheiro e reorganizar o perfil dos compromissos financeiros.
A CSN possui negócios em diferentes áreas, incluindo siderurgia, mineração, cimento e infraestrutura. A venda de ativos pode reduzir a dívida, mas também diminui parte da diversificação construída pelo grupo ao longo dos últimos anos.
CSN Cimentos aparece como principal ativo à venda
Entre os negócios colocados no radar está a CSN Cimentos. A companhia confirmou que recebeu propostas vinculantes para a venda integral da unidade e avalia as condições apresentadas pelos interessados.
As negociações podem movimentar bilhões de reais e são consideradas importantes para o processo de desalavancagem. Reportagens recentes apontam que propostas pela operação estão na mesa, embora a CSN ainda não tenha anunciado um comprador definitivo.
A venda faz parte de uma estratégia mais ampla de desinvestimentos. A companhia também avalia operações envolvendo outros ativos e participações, enquanto busca concentrar recursos nos negócios considerados mais importantes para a geração de caixa.

Mercado reage com confiança, mas cobra execução
A reação positiva de CSNA3 mostra que os investidores receberam bem a chegada de Schvartsman, principalmente pela expectativa de uma gestão mais concentrada em redução de dívida, disciplina financeira e reorganização do portfólio.
A XP, porém, mantém recomendação neutra para CSNA3 e considera que o principal desafio do novo CEO será executar o plano de financiamento até 2030. A casa avalia que a companhia possui condições para cumprir suas obrigações, mas ressalta que a geração de caixa segue pressionada pelos fundamentos mais fracos do minério de ferro e pelo ambiente desafiador da siderurgia.
O BB Investimentos também aponta que a companhia enfrenta pressão relevante sobre sua estrutura financeira. No segundo trimestre, a dívida líquida chegou a R$ 42,1 bilhões e os vencimentos de 2027 e 2028 somam R$ 18,7 bilhões, segundo análise publicada nesta semana.
O desafio de Schvartsman, portanto, não será apenas mudar a percepção do mercado. Será transformar a expectativa criada pela troca de comando em redução efetiva da alavancagem e melhora da estrutura financeira.
O que pode acontecer com a CSNA3 daqui para frente
A forte valorização registrada nesta quinta-feira representa uma reação inicial dos investidores e não garante que a tendência positiva permanecerá nos próximos pregões. O desempenho da ação dependerá, entre outros fatores, da evolução das vendas de ativos, dos acordos de refinanciamento e da capacidade da companhia de gerar caixa.
A XP considera que existe assimetria positiva caso o processo de desalavancagem avance, mas mantém cautela justamente porque a execução do plano será decisiva. Para a CSN Mineração, a avaliação da casa permanece menos favorável, com preocupação sobre os múltiplos atuais diante de um cenário de preços mais baixos do minério.
Com Steinbruch no conselho e Schvartsman no comando executivo, a CSN inicia uma nova fase depois de mais de duas décadas sob a liderança do mesmo presidente. O mercado já reagiu à mudança, mas o verdadeiro teste começa agora: transformar a promessa de desalavancagem em resultados concretos.
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Entenda o contexto
A Companhia Siderúrgica Nacional passa por um processo de reorganização financeira em um momento de elevada alavancagem e pressão sobre a geração de caixa. A dívida líquida chegou a aproximadamente R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda alcançou 3,49 vezes.
Ao mesmo tempo, a companhia busca alongar compromissos e vender ativos para melhorar sua estrutura de capital. A chegada de Fabio Schvartsman ao comando executivo ocorre dentro desse processo, enquanto Benjamin Steinbruch permanece como presidente do Conselho de Administração.
A expectativa do mercado é que a nova estrutura acelere a execução do plano de desalavancagem, mas os resultados dependerão da capacidade de concluir os desinvestimentos, refinanciar dívidas e preservar a geração de caixa ao longo dos próximos anos.
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