Presos fazem festa com cocaína e celulares em penitenciária de segurança máxima para comemorar aniversário do PCC

Vídeos mostram detentos reunidos dentro da unidade em Campo Grande (MS); 33 presos foram transferidos após a identificação dos envolvidos na comemoração
Redação NC News
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Vídeos gravados dentro da Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, mostram detentos comemorando os 33 anos de fundação do Primeiro Comando da Capital (PCC). A celebração aconteceu em 31 de agosto, data associada à criação da facção criminosa.

Nas imagens, os presos aparecem reunidos dentro da unidade, utilizando celulares e fazendo gritos de exaltação ao PCC. Em uma das gravações, também é possível ver uma mesa com quatro fileiras de um pó branco, apontado pelas autoridades como substância com características semelhantes à cocaína.

A divulgação das imagens desencadeou uma operação de segurança dentro do presídio. A Operação Nêmesis mobilizou a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional para realizar revistas nas celas, apurar as irregularidades e identificar os internos envolvidos.

33 presos são transferidos após identificação

A ação resultou na transferência de 33 detentos envolvidos na ocorrência para outras unidades prisionais de Mato Grosso do Sul. Os nomes e os destinos dos presos não foram divulgados pelas autoridades.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), a operação foi motivada pela identificação de uma manifestação coletiva de apoio ou alusão a uma organização criminosa dentro da penitenciária.

Os internos identificados também passaram a responder a Procedimentos Administrativos Disciplinares do Interno (PADIC), que deverão apurar individualmente a participação de cada um nas ocorrências.

A Senappen informou que a manifestação de apoio ou alusão a organizações criminosas pode configurar falta disciplinar grave, conforme a Lei de Execução Penal. Dependendo das condutas apuradas, também pode haver responsabilização criminal.

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Drogas teriam entrado por meio de drones

A presença de drogas dentro da penitenciária também passou a ser alvo das investigações. Segundo a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen-MS), entorpecentes chegaram à unidade por meio de arremessos realizados por drones.

A situação ocorre em meio a uma operação específica para combater a entrada de materiais ilícitos por aeronaves remotamente pilotadas. Entre 28 e 31 de agosto, a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional interceptaram dois drones e apreenderam celulares, carregadores, linha reforçada para transporte de cargas e aproximadamente 950 gramas de substâncias com características semelhantes a drogas.

Mesmo com o monitoramento, os vídeos mostram que celulares e drogas conseguiram chegar aos detentos que participaram da comemoração.

Operação Nêmesis continua em presídios de Campo Grande

A Operação Nêmesis não ficou restrita à penitenciária onde a comemoração foi registrada. A ação entrou em um novo estágio nesta quinta-feira (3), com fiscalização e revistas também na Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, conhecida como Supermáxima, em Campo Grande.

A mobilização envolve equipes da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e da Força Penal Nacional, coordenada pela Polícia Penal Federal. O objetivo é ampliar as revistas, prevenir novas irregularidades e combater a atuação de organizações criminosas dentro do sistema prisional.

Visitas e entrega de pertences são afetadas

A operação também provocou mudanças na rotina dos familiares dos presos. A entrega de pertences aos custodiados, que estava prevista para quarta-feira (2), foi suspensa temporariamente por causa das revistas e transferências.

A Agepen informou que a entrega será reagendada e que os familiares serão comunicados sobre a nova data. A medida foi adotada, segundo o órgão, para garantir a segurança e o andamento da operação.

Comemoração foi registrada pelos próprios presos

As gravações que deram origem à operação foram feitas pelos próprios detentos e posteriormente passaram a circular nas redes sociais. Em um dos vídeos, um preso faz referência aos 33 anos da organização e à presença do PCC no Mato Grosso do Sul.

Além dos gritos de comemoração, as imagens mostram a utilização de celulares dentro da unidade e a reunião dos detentos ao redor da mesa onde aparece o pó branco.

A situação expôs não apenas a presença de drogas e aparelhos celulares em uma penitenciária de segurança máxima, mas também uma manifestação coletiva de apoio à facção dentro do sistema prisional.

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Entenda o contexto

O Primeiro Comando da Capital foi criado em 31 de agosto de 1993, segundo registros amplamente utilizados sobre a origem da facção, embora diferentes fontes façam referência ao processo de formação do grupo no sistema prisional paulista.

Ao longo das décadas, a organização criminosa expandiu sua atuação para diferentes regiões do país e passou a ser apontada pelas autoridades como uma das principais facções criminosas brasileiras.

No caso de Campo Grande, a comemoração registrada dentro da Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho levou a uma resposta imediata do sistema penitenciário. A Operação Nêmesis foi instaurada para realizar revistas, identificar os envolvidos, apreender materiais ilícitos e transferir presos.

A Senappen confirmou que os internos identificados estão sujeitos a procedimentos disciplinares, enquanto a entrada de drogas e celulares por meio de drones é alvo de medidas específicas de segurança.

A investigação ainda deverá esclarecer todas as circunstâncias da entrada dos materiais e a participação individual dos detentos envolvidos.

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