O candidato do PCO à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, voltou a defender a extinção do Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à crise política que envolve o ministro Alexandre de Moraes. Em publicações feitas nas redes sociais nesta semana, o dirigente afirmou que o desgaste não deve ser analisado apenas pelo aspecto jurídico e avaliou que a autoridade do ministro, da Corte e do Ministério Público teria entrado em um “colapso irremediável”.
Para Pimenta, o centro da discussão está na dimensão política das denúncias e na perda de confiança em instituições responsáveis por decisões de grande impacto no país.
Crise, para Pimenta, é política
O candidato afirma que a discussão sobre as denúncias contra Moraes não deveria se limitar à qualidade das provas ou à correção dos procedimentos adotados.
“As pessoas que defendem Alexandre de Moraes não perceberam que o problema das denúncias contra ele não é jurídico.”
Na avaliação do presidente do PCO, o desgaste do ministro alcança também o próprio Supremo e o Ministério Público. Pimenta sustenta que a perda de autoridade poderia atingir até decisões consideradas juridicamente regulares, caso parte da população passe a questionar a legitimidade de quem as proferiu.
A avaliação faz parte de uma crítica mais ampla que o candidato mantém contra o protagonismo assumido pelo Judiciário em disputas políticas brasileiras. Pimenta já defende, como parte de seu programa eleitoral, mudanças estruturais no sistema de Justiça, incluindo a extinção do STF e a eleição de juízes e procuradores por voto popular.
VEJA TAMBÉM
Vorcaro restringe proposta de delação a integrantes do atual governo e deixa ‘Dark Horse’ de fora
PT entra no alvo das críticas
A ofensiva de Rui Costa Pimenta também mira diretamente o Partido dos Trabalhadores. Segundo o candidato, uma eventual defesa política de Alexandre de Moraes poderia levar o partido a absorver parte do desgaste atribuído por ele ao ministro e ao Supremo.
“Se o PT defender Moraes vai abaixo com ele.”
Pimenta afirma que a sustentação política do STF teria sido construída, nos últimos anos, com apoio de setores do empresariado, da imprensa e de parcelas da esquerda. Na interpretação do candidato, essa sustentação estaria enfraquecendo diante das recentes denúncias e do aumento dos questionamentos sobre a atuação de Moraes.
“A grande imprensa deixou Alexandre de Moraes no sereno.”
A estratégia também coloca Pimenta em uma posição de confronto com setores da própria esquerda. Enquanto parte da esquerda considera o STF um importante contraponto a movimentos autoritários e ao bolsonarismo, o PCO mantém uma crítica histórica à atuação da Corte e ao que classifica como excesso de poder do Judiciário.
Renúncia ou impeachment não seriam suficientes
Ao discutir possíveis saídas para a crise, Pimenta diferencia as alternativas defendidas por diferentes grupos políticos. Segundo ele, setores empresariais estariam interessados em uma eventual renúncia de Moraes para preservar a imagem do STF, enquanto a direita e a extrema direita defendem o impeachment do ministro.
Para o candidato, porém, nenhuma das duas soluções resolveria o problema estrutural que ele identifica no Judiciário brasileiro.
Pimenta afirma que Moraes deveria deixar o cargo, mas sustenta que apenas a substituição do ministro não seria suficiente para modificar o funcionamento da Corte.
A proposta apresentada pelo candidato vai além da saída de Moraes.
“A única solução democrática e que atende aos interesses do povo é a extinção do STF e uma ampla e radical mudança do Judiciário com a eleição de juízes e outras medidas.”
A extinção do Supremo já aparece entre as propostas defendidas pelo PCO para as eleições de 2026. O programa da legenda também prevê mudanças profundas em outras instituições e estruturas do Estado.
Decisões do STF também entram no debate
Outro ponto levantado por Pimenta envolve o impacto da crise sobre decisões tomadas pelo Supremo. O candidato cita condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e o caso de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do batom”, para sustentar que decisões judiciais podem passar a ser contestadas não apenas por seus fundamentos jurídicos, mas também pela autoridade de quem as proferiu.
Na visão apresentada por Pimenta, a perda de confiança em um ministro poderia contaminar a percepção sobre todo o tribunal. Essa é uma avaliação política do candidato e não significa que decisões do STF tenham sido anuladas ou que exista uma determinação institucional nesse sentido.
O argumento também se estende ao Ministério Público. Pimenta afirma que o envolvimento cada vez maior de integrantes do sistema de Justiça em disputas políticas poderia aumentar a percepção de que instituições jurídicas passaram a atuar como protagonistas do cenário político nacional.
LEIA TAMBÉM
Crise no STF expõe racha entre ministros após mensagens de Moraes e Vorcaro
Uma proposta histórica do PCO
A defesa da extinção do STF não surgiu agora na campanha presidencial. O PCO mantém há anos uma posição crítica à estrutura do Judiciário e defende alterações profundas no modelo de escolha e funcionamento dos tribunais.
Rui Costa Pimenta, de 69 anos, disputa a Presidência da República pela quarta vez. Fundador e presidente do PCO, ele também defende outras mudanças consideradas radicais pelo programa da legenda, como a dissolução das polícias militares e a eleição de juízes e procuradores.
A proposta de extinguir o Supremo, portanto, faz parte de uma visão mais ampla apresentada pelo candidato para reformular o sistema político e institucional brasileiro.
O que pode acontecer com o debate sobre o STF
A crise envolvendo Alexandre de Moraes ocorre em um período de forte disputa política e eleitoral no Brasil. O ministro se tornou uma das principais figuras do debate entre instituições, especialmente em temas relacionados ao bolsonarismo, às redes sociais e aos atos de 8 de janeiro.
Nesse ambiente, a atuação do STF passou a ser alvo de críticas tanto de setores da direita quanto de grupos de esquerda, embora com justificativas e objetivos políticos diferentes.
Rui Costa Pimenta tenta ocupar esse espaço apresentando uma proposta mais radical: não apenas substituir ministros ou modificar regras de funcionamento da Corte, mas extinguir o Supremo e promover uma reformulação ampla do Judiciário.
A proposta, entretanto, representa uma mudança profunda no modelo constitucional brasileiro e está entre as posições mais radicais apresentadas na atual disputa presidencial. O debate sobre o papel do STF deve continuar no centro da campanha eleitoral à medida que os candidatos apresentem suas propostas para o funcionamento das instituições.
Entenda o contexto
Rui Costa Pimenta é candidato do Partido da Causa Operária à Presidência da República em 2026 e disputa o cargo pela quarta vez. O PCO apresenta uma plataforma de transformação profunda das instituições brasileiras, incluindo a extinção do Supremo Tribunal Federal e a eleição de juízes e procuradores.
A nova manifestação do candidato ocorre em meio ao aumento das críticas políticas contra Alexandre de Moraes e ao debate sobre os limites da atuação do Judiciário. Pimenta sustenta que a crise envolvendo o ministro não é apenas jurídica, mas política, e afirma que a solução não estaria somente na saída de Moraes, mas em uma reformulação completa do sistema de Justiça.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Rastro digital liga Moraes a contrato de R$ 131 milhões do Banco Master
Imprensa internacional chama mensagens de Vorcaro e Moraes de “bomba atômica”
São Paulo proíbe acorrentamento de cães e gatos; veja o que muda