O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) descobriu um projeto de sede milionária no interior paulista que, segundo a acusação, fazia parte dos planos de Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco” para ampliar os negócios do grupo no setor de combustíveis e sucroenergético.
De acordo com a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os dois empresários adquiriram dois terrenos em Catanduva, no interior de São Paulo, avaliados em cerca de R$ 3,9 milhões, para a construção da sede do Grupo Itajobi. A obra teria mais de 6,7 mil m² de área construída, em um terreno unificado de aproximadamente 10 mil m².
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Entenda O Que Aconteceu
A compra dos imóveis ocorreu em 2023, segundo o MP-SP. Para os investigadores, a aquisição não representava apenas uma operação imobiliária, mas uma etapa da estratégia de expansão do grupo para o interior paulista.
A Promotoria afirma que Catanduva foi escolhida como um dos principais pontos para a expansão dos negócios ligados ao grupo, que já atuava no setor de combustíveis e passou a adquirir usinas sucroalcooleiras.
Na denúncia, o Ministério Público classifica o projeto da nova sede como uma “obra faraônica” e afirma que a estrutura demonstraria a intenção de expansão empresarial atribuída à organização investigada.
Sede Teria Três Pavimentos
O projeto previa um escritório corporativo de três pavimentos, com mais de 6,7 mil m² de área construída.
Segundo a investigação, embora os imóveis estivessem formalmente protegidos por estruturas empresariais e fundos de investimento, a Usina Itajobi Ltda. teria solicitado e obtido o alvará necessário para a construção.
O MP-SP sustenta que a estrutura formal utilizada para os imóveis servia para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários do patrimônio.

R$ 4 Milhões Teriam Circulado Em Sete Minutos
Um dos pontos destacados pela investigação é a maneira como o dinheiro usado na compra dos terrenos teria sido movimentado.
Segundo o Gaeco, aproximadamente R$ 4 milhões passaram por cinco contas diferentes em apenas sete minutos antes de chegar aos vendedores dos imóveis.
O dinheiro teria saído da Aster Petróleo Ltda., em 4 de outubro de 2023, e passado por uma estrutura financeira conhecida como “conta bolsão” de uma fintech.
Para os investigadores, a sequência rápida das transferências indicaria que as contas eram controladas de maneira coordenada e tinham como finalidade dificultar a identificação da origem dos recursos.
Construtora Era Ligada À Família De Primo
A empresa escolhida para executar a construção também entrou no radar do MP-SP.
Segundo a denúncia, a obra foi atribuída à Conceb Engenharia Ltda., empresa pertencente a Ali Mohamad Mourad, primo de Mohamad Hussein Mourad.
A construtora ainda teria funcionado no mesmo endereço de outras empresas relacionadas ao grupo, em um edifício localizado na região de Santana, na capital paulista.
MP Aponta Uso De Empresas E “Laranjas”
A investigação também identificou, segundo o Ministério Público, uma estrutura destinada a esconder os verdadeiros responsáveis pelas empresas.
Um dos exemplos citados é o de uma mulher do interior de Sergipe que teria sido colocada formalmente como proprietária de uma empresa que movimentou bilhões de reais. De acordo com a acusação, ela receberia apenas R$ 1,2 mil por mês pela utilização de seu nome.
Para o MP, esse tipo de estrutura ajudaria a criar camadas de proteção sobre o patrimônio e dificultaria o rastreamento dos recursos.

Grupo É Investigado Por Fraudes Bilionárias
A nova denúncia faz parte dos desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que investiga uma estrutura de crimes financeiros relacionada ao setor de combustíveis.
O MP-SP afirma que o grupo teria utilizado empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para ocultar patrimônio e movimentar recursos.
A investigação também aponta para um esquema de fraudes fiscais que teria provocado mais de R$ 1 bilhão em débitos de ICMS no estado de São Paulo.
Primo e Beto Louco são apontados pelos investigadores como líderes do esquema e estão foragidos. Os dois foram denunciados nesta nova ação por crimes como lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Acusados Também São Ligados Ao PCC, Segundo MP
As investigações da Carbono Oculto também apontam uma suposta ligação do grupo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com operações envolvendo o mercado de combustíveis.
Em outra denúncia apresentada pelo MP-SP, Beto Louco e outros investigados são acusados de participação em um esquema envolvendo desvio de metanol, adulteração de combustíveis, falsificação de documentos e crimes fiscais.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e as defesas dos empresários negam as acusações.
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ENTENDA O CONTEXTO
A sede planejada em Catanduva é apontada pelo Ministério Público como parte de um projeto maior de expansão do grupo atribuído a Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Segundo a denúncia, os empresários teriam utilizado estruturas empresariais, fundos e mecanismos financeiros para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita. Os dois terrenos adquiridos em Catanduva, avaliados em cerca de R$ 3,9 milhões, seriam destinados à construção de uma sede corporativa de mais de 6,7 mil m² para o Grupo Itajobi. A investigação afirma que cerca de R$ 4 milhões usados na operação circularam por cinco contas em apenas sete minutos. Primo e Beto Louco estão foragidos e são alvos de diferentes acusações relacionadas à Operação Carbono Oculto. Como se trata de uma denúncia do Ministério Público, as acusações ainda serão submetidas ao julgamento da Justiça.
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