O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi afastado do cargo nesta terça-feira (8) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão também atingiu o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Com o afastamento de Rodrigues, o diretor-executivo da PF, William Murad, número 2 da corporação, assumiu interinamente o comando da instituição.
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A decisão de Mendonça foi tomada no contexto de uma crise envolvendo integrantes do STF e a Polícia Federal. O ministro afirma que relatórios de inteligência produzidos pela PF teriam sido utilizados para monitorá-lo e também o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Mendonça determinou ainda que a Corregedoria da PF investigue a produção dos documentos.
O que motivou o afastamento
Segundo Mendonça, relatórios internos da Polícia Federal serviram de base para um pedido apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes para que ele fosse investigado por suspeitas relacionadas à condução de casos envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS.
Mendonça classificou o material como tecnicamente inadequado e afirmou que os documentos eram apócrifos e sem valor probatório. O ministro também sustentou que teria sido alvo de monitoramento ilegal por parte da inteligência da PF.
Entre os pontos citados na decisão está a produção de relatórios que, segundo Mendonça, tentavam estabelecer uma relação entre ele e Jorge Messias a partir da religião compartilhada pelos dois.
O ministro considerou esse tipo de análise impróprio e determinou a suspensão da produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar atividades do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária.
Número 2 assume comando da Polícia Federal
Com o afastamento de Andrei Rodrigues, William Murad passou a comandar a PF de forma interina.
Diretor-executivo da corporação, Murad manifestou apoio ao diretor-geral afastado durante um evento realizado nesta terça-feira. Segundo informações divulgadas após a decisão, integrantes da cúpula da Polícia Federal demonstraram indignação com o afastamento e avaliaram a medida como política.
Andrei Rodrigues havia sido nomeado diretor-geral da PF em janeiro de 2023 e estava à frente da instituição durante operações de grande repercussão, entre elas as investigações sobre o Banco Master e as fraudes nos descontos do INSS.
STF forma maioria para manter afastamento
A decisão de Mendonça foi submetida à análise da Segunda Turma do STF.
Até o momento, três ministros votaram para manter o afastamento: Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O ministro Gilmar Mendes pediu vista, interrompendo o julgamento. Dias Toffoli ainda não havia votado.
Com isso, embora já exista maioria pela manutenção da medida, a análise ainda não foi concluída.
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Crise aumenta tensão dentro do STF
O afastamento ocorre poucos dias depois de Alexandre de Moraes ter apresentado um pedido para que André Mendonça fosse investigado, baseado em um relatório produzido pela própria Polícia Federal.
O presidente do STF, Edson Fachin, havia determinado que os envolvidos prestassem esclarecimentos sobre os fatos. O episódio se tornou mais um capítulo da disputa entre Moraes e Mendonça, em meio às investigações relacionadas ao Banco Master.
A crise também provocou repercussão dentro da Polícia Federal, que passou a ter seu comando interino enquanto o Supremo analisa a situação de Rodrigues.
Entenda o contexto
O caso reúne três instituições centrais da República: Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal e governo federal.
A disputa começou a ganhar força após a circulação de informações e relatórios relacionados à atuação de ministros do STF e às investigações envolvendo o Banco Master. A partir daí, Moraes e Mendonça passaram a protagonizar decisões e acusações cruzadas.
O afastamento de Andrei Rodrigues amplia a crise porque atinge diretamente a direção da Polícia Federal. Enquanto o STF ainda analisa a decisão, William Murad permanece no comando interino da corporação.
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