Bancários de bancos privados e do Banco do Brasil avançam nesta quarta-feira (9) na renovação dos acordos trabalhistas da categoria. A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) será assinada em São Paulo, enquanto os empregados da Caixa Econômica Federal se preparam para iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10).
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, os trabalhadores de bancos privados e do Banco do Brasil aprovaram as propostas negociadas. A nova CCT mantém os direitos previstos para a categoria e estabelece reajuste com reposição integral da inflação pelo INPC, mais aumento real de 0,6% nos dois anos de vigência.
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O que muda para os bancários
O reajuste será aplicado aos salários e às demais verbas remuneratórias, incluindo Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-refeição, vale-alimentação e auxílios.
Além da parte econômica, a negociação garantiu avanços em temas relacionados às condições de trabalho. Entre eles estão medidas para prevenção do adoecimento mental, combate ao assédio moral e sexual, direito à desconexão fora do horário de trabalho e regras de transparência e limites para o monitoramento digital.
Também foi incluído um programa de qualificação e recolocação profissional.
A negociação ainda prevê melhoria na indenização destinada a trabalhadores de bancos privados demitidos em razão do fechamento de agências. Segundo o Sindicato dos Bancários, a indenização pode chegar a até nove salários em determinadas situações.
Negociação teve 13 rodadas
A renovação da CCT foi resultado de mais de dois meses de negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos.
Foram 13 rodadas de negociação até a construção da proposta final. Durante o processo, os trabalhadores realizaram mobilizações e chegaram a rejeitar propostas apresentadas anteriormente pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, afirmou que a negociação foi marcada por resistência dos bancos.
“Tivemos treze rodadas de negociação e, desde o primeiro dia, os bancos atacaram a nossa mesa única. Eles sabem que a mesa única é a nossa força.”
Segundo a dirigente, a negociação envolveu cerca de 416 mil trabalhadores.
“Não podemos só olhar nossa campanha a partir de números. Temos de olhar o conjunto da nossa conquista, principalmente na nossa CCT, com todas as cláusulas preservadas.”
Neiva também destacou os avanços obtidos em questões relacionadas à saúde e às condições de trabalho.
“Conseguimos avançar em outros pontos como a proteção de quem sair do banco, com uma indenização de até 9 salários para quem foi demitido em virtude de fechamento de agência; conseguimos cláusulas importantes para o combate ao assédio moral e sexual, inclusive quando partem de clientes; avanços na questão da NR-1, na discussão dos riscos psicossociais no trabalho; cláusula sobre monitoramento digital; garantia do direito à desconexão.”
Caixa rejeitou proposta e aprovou greve
A situação é diferente entre os empregados da Caixa Econômica Federal.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e aprovaram uma greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10).
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, a assembleia foi encerrada na sexta-feira (4), com aprovação da paralisação.
O sindicato iniciou nesta terça-feira (8) a organização do movimento e informou que os trabalhadores estão sendo orientados sobre a mobilização.
Saúde Caixa está entre os principais pontos de discussão
Um dos principais temas específicos envolvendo os empregados da Caixa é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.
As negociações também envolvem questões relacionadas às condições de trabalho, saúde dos empregados, metas, monitoramento e outros pontos específicos do ACT.
A rejeição da proposta ocorreu depois de meses de negociação entre a Caixa e os representantes dos trabalhadores.
Caixa tenta negociar antes da paralisação
Mesmo com a greve aprovada, a Caixa abriu uma nova possibilidade de negociação.
O banco enviou na terça-feira (8) um ofício à Contraf-CUT convocando a entidade para uma reunião nesta quarta-feira (9).
O encontro acontece na véspera da data prevista para o início da greve e pode abrir espaço para uma nova proposta.
Apesar da convocação, o Sindicato dos Bancários mantém a orientação para que os empregados estejam preparados para iniciar a paralisação nesta quinta-feira.
Neiva Ribeiro afirmou que a categoria está mobilizada para o movimento.
“Nossos dirigentes, regionais e assessorias técnicas estão prontos para dar todo o apoio para a realização de um grande movimento pelos trabalhadores da Caixa, de forma que este seja bem sucedido.”
Bancos privados não entram na greve
A greve dos empregados da Caixa não representa uma paralisação geral do sistema bancário.
Nos bancos privados, a proposta negociada com a Fenaban foi aprovada e a nova CCT será assinada nesta quarta-feira (9).
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, os trabalhadores dos bancos privados aprovaram a proposta, assim como os empregados do Banco do Brasil.
Por isso, a situação é diferente entre as instituições: enquanto a nova CCT entra na fase de formalização, os empregados da Caixa mantêm a greve prevista para começar na quinta-feira.
O que pode acontecer nesta quarta-feira
A reunião entre a Caixa e a Contraf-CUT será um dos principais acontecimentos desta quarta-feira.
Caso não haja acordo, a greve aprovada pelos empregados deverá começar a partir de quinta-feira (10), por tempo indeterminado.
Se houver uma nova proposta considerada suficiente pelos trabalhadores, o cenário poderá mudar e as entidades sindicais poderão convocar novas assembleias para avaliar os termos apresentados pelo banco.
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Entenda O Contexto
A campanha salarial dos bancários de 2026 terminou com resultados diferentes entre os segmentos da categoria. Na negociação com a Fenaban, os trabalhadores de bancos privados chegaram a uma nova Convenção Coletiva de Trabalho com reposição integral da inflação e aumento real de 0,6% em 2026 e 2027, além da manutenção de direitos e avanços em temas como saúde mental, combate ao assédio, monitoramento digital e direito à desconexão.
Na Caixa Econômica Federal, porém, a proposta específica apresentada pelo banco foi rejeitada pelos empregados, que aprovaram uma greve por tempo indeterminado a partir de 10 de setembro. A convocação da Contraf-CUT para uma nova reunião nesta quarta-feira coloca as negociações novamente no centro das atenções e pode definir se a paralisação será mantida ou se haverá uma nova proposta a ser submetida aos trabalhadores.
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