A crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) já provocou uma mudança de voto equivalente a cerca de 6,3 milhões de brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12).
O contingente representa 4% do eleitorado nacional, estimado em mais de 158 milhões de pessoas, e supera com folga a diferença de aproximadamente 2,1 milhões de votos que definiu a disputa presidencial de 2022.
O levantamento mediu o impacto político das revelações envolvendo mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a pesquisa, 4% dos entrevistados afirmaram ter mudado sua escolha para presidente após tomarem conhecimento do caso. Outros 7% disseram que mantiveram o voto, mas passaram a ter dúvidas sobre sua decisão. Já 85% afirmaram que não mudaram nem pretendem mudar sua posição eleitoral.
Embora a maioria dos brasileiros mantenha sua preferência, analistas avaliam que o percentual dos que já mudaram de candidato não pode ser ignorado. Em uma disputa presidencial equilibrada, poucos pontos percentuais podem ser suficientes para alterar o resultado final.
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Número supera margem da última eleição
A comparação com a eleição presidencial de 2022 ajuda a dimensionar o peso do dado.
Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Jair Bolsonaro por cerca de 2,1 milhões de votos no segundo turno, na menor diferença registrada em uma disputa presidencial desde a redemocratização.
Se os 4% do eleitorado que afirmam ter mudado de posição mantiverem esse comportamento até outubro, o volume de votos movimentados será quase três vezes maior que a margem que decidiu a última eleição presidencial.
Crise tem amplo conhecimento da população
A pesquisa também mostra que a crise deixou de ser um assunto restrito aos bastidores de Brasília.
Segundo o Datafolha, dois em cada três brasileiros afirmam ter tomado conhecimento das revelações envolvendo Moraes, Vorcaro e os desdobramentos do caso no Supremo.
O episódio desencadeou uma escalada de tensão entre ministros da Corte e colocou o STF no centro do debate político nacional.
Nos últimos dias, a crise ganhou novos capítulos após a divulgação de documentos relacionados ao caso Master e à decisão do ministro André Mendonça de retirar sigilos de investigações ligadas ao chamado caso “Dark Horse”.
Pedido contra Mendonça teve efeito menor
O Datafolha também avaliou a reação dos eleitores ao pedido de investigação feito por Alexandre de Moraes contra André Mendonça.
Nesse cenário, apenas 2% dos entrevistados disseram ter mudado sua escolha para presidente. Outros 7% afirmaram ter ficado em dúvida, enquanto 86% disseram que o episódio não alterou e nem deve alterar seu voto.
Os números indicam que o caso envolvendo as mensagens de Vorcaro e Moraes teve impacto eleitoral maior do que os desdobramentos posteriores da disputa entre os ministros.
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STF mantém apoio majoritário
Apesar da crise, a pesquisa aponta que o Supremo continua sendo visto por grande parte da população como uma instituição fundamental para a democracia.
Segundo o Datafolha, 71% dos brasileiros concordam que o STF é essencial para proteger o regime democrático. Ao mesmo tempo, 76% afirmam que os ministros possuem poderes excessivos, revelando uma percepção ambígua da população sobre a atuação da Corte.
O levantamento também mostra uma sociedade dividida sobre a condução da crise. Pesquisas divulgadas neste sábado indicam que há apoio relevante tanto para o afastamento temporário de Alexandre de Moraes quanto para o de André Mendonça.
Corrida presidencial segue apertada
Os dados surgem em um momento de forte disputa eleitoral.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 35%. Em um eventual segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Diante desse cenário, qualquer movimentação de milhões de eleitores ganha importância estratégica para as campanhas.
Se por um lado a maioria dos brasileiros afirma não ter alterado sua posição, por outro os cerca de 6,3 milhões de eleitores que dizem ter mudado de candidato demonstram que a crise no STF já produz reflexos concretos na disputa pelo Palácio do Planalto.
E, em uma eleição decidida voto a voto, esse contingente pode ser suficiente para definir quem ocupará a Presidência da República a partir de 2027.
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