Mari Saad anuncia, nesta sexta-feira (18), que deixa a gestão da Mascavo, marca de cosméticos que fundou em 2024 e da qual segue sócia majoritária. Em vídeo nas redes sociais, a influenciadora relata falta de acesso a informações financeiras, conflitos com os sócios e diz que leva a disputa para a Justiça, enquanto prepara um novo projeto de beleza.
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Influenciadora rompe com operação que diz não controlar
No comunicado, publicado para milhões de seguidores, Mari descreve um distanciamento crescente entre seu nome e o dia a dia da empresa. Ela afirma que, embora siga no contrato como maior acionista, não enxerga mais a Mascavo como sua.
“Decidi encerrar o meu ciclo à frente da Mascavo. Na prática, a Mascavo deixou de ser minha faz um tempo. Do jeito que estava, não fazia mais sentido”, diz. A frase sintetiza o tom do desabafo: uma ruptura com uma operação que, segundo ela, funciona sem sua supervisão efetiva.
Mari explica que esperava acompanhar todo o percurso dos produtos, do desenvolvimento à chegada às prateleiras físicas e virtuais. “Eu deveria conseguir acompanhar cada etapa, entender o que estava acontecendo e ter visibilidade do produto até ele chegar a vocês. Mas não foi bem assim que aconteceu”, afirma.
Falta de dados financeiros expõe crise de governança
O ponto central da reclamação é a transparência. Mari diz que, mesmo como sócia majoritária, não conseguia receber relatórios completos da operação, especialmente sobre receitas e fluxo de caixa. “Eu pedia os dados da operação e eles simplesmente não vinham. Precisava ter acesso àqueles materiais como sócia majoritária. Quando vinham, era tudo pela metade”, relata.
Ela afirma que não tinha clareza sobre o dinheiro movimentado pela companhia, nem sobre sua participação nos resultados. “Eu não tinha acesso ao dinheiro, eu não tinha acesso ao faturamento, eu não tinha acesso a nada”, diz. A ausência de números consolidados, segundo a influenciadora, persiste mesmo após insistentes pedidos internos.
A queixa expõe um problema de governança raro de vir a público com tamanha franqueza em uma marca jovem de beleza. Na prática, a maior acionista diz não ter controle sobre caixa, contratos e decisões-chave, o que abre uma disputa de bastidor que agora ganha contornos judiciais.
Recall negado e preocupação com consumidor
O desgaste não se limita à contabilidade. Mari relata falhas na resposta da empresa diante de problemas com a base de maquiagem da Mascavo, um dos produtos mais conhecidos da marca. Segundo ela, clientes apontam defeitos em embalagens, o que a leva a pedir um recall imediato dos lotes afetados.
“Queria tirar a base do mercado, cada lote que estava com defeito, avisar publicamente o que aconteceu e trocar de quem comprou”, afirma. Ela aponta que não consegue implementar o plano e que não recebe o apoio necessário dos sócios para conduzir uma ação de correção ampla.
O impasse aumenta a tensão dentro da sociedade e reforça a sensação de perda de comando. Sem conseguir aprovar o recall e sem acesso integral às informações internas, Mari diz que esgota as tentativas de conciliação. “Fiz o possível. E aí, quando o possível acabou, falei: ‘Vamos para a Justiça’”, resume.
Disputa judicial e impacto na marca de cosméticos
O conflito entre sócios agora passa a ser tema de processo judicial, cujo teor ainda não é detalhado pela influenciadora. Para o consumidor, o anúncio significa uma mudança imediata: o rosto que ajudou a projetar a Mascavo deixa de endossar publicamente os produtos da marca.
“Daqui em diante, não posso mais colocar meu nome e a minha recomendação pessoal sobre uma operação que eu não controlo”, afirma. A frase marca uma ruptura simbólica importante. Em um mercado em que a confiança na indicação de influenciadores sustenta lançamentos, a retirada do apoio de Mari tende a pesar sobre a reputação da empresa.
A Mascavo nasce em 2024, surfando a força comercial de criadores de conteúdo de beleza e ocupando espaço em grandes varejistas físicos e on-line. Agora, a marca atravessa uma crise que mistura disputa societária, questionamentos de transparência e relatos de falha na resposta a problemas de qualidade. Em paralelo, continua oferecendo produtos como base, paletas de maquiagem e itens de pele, ainda disponíveis em canais como grandes redes de cosméticos e lojas de departamento.
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Novo projeto de beleza com controle total
Ao mesmo tempo em que se afasta da Mascavo, Mari avisa que não sai do setor. No vídeo, ela antecipa um novo projeto de beleza, ainda sem nome revelado, em que promete controle completo da operação, do desenvolvimento ao pós-venda.
“Eu vou voltar a fazer produto com a operação inteira na minha mão, do primeiro ao último passo”, afirma. O recado busca tranquilizar fãs e consumidores que associam sua imagem a transparência, testes cuidadosos e acompanhamento constante dos lançamentos.
A decisão também sinaliza um reposicionamento estratégico. Depois de dois anos da fundação da Mascavo, a influenciadora passa a defender um modelo em que o criador não é apenas o rosto da campanha, mas também o responsável direto por decisões de fábrica, contratos com fornecedores e política de qualidade.
No curto prazo, a disputa entre os sócios da Mascavo deve seguir em ambiente judicial e de negociação. A marca enfrenta o desafio de administrar a crise de imagem, responder às críticas sobre transparência e manter a confiança de consumidores que perguntam quem, de fato, conduz a operação. Mari, por sua vez, aposta que o novo negócio, com controle total, pode transformar a ruptura em vitrine para um debate mais amplo sobre governança, responsabilidade e confiança em marcas ligadas a influenciadores.
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