Tarifas bancárias: como evitar cobranças desnecessárias e economizar

Pacote mensal da conta, anuidade do cartão, saques e outras operações podem gerar gastos recorrentes. Segundo o planejador financeiro e consultor de investimentos Elder Campi, uma revisão periódica do extrato ajuda a descobrir serviços que já não fazem sentido para a rotina do consumidor e que podem ser reduzidos ou até eliminados.
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Uma tarifa de poucos reais pode parecer pequena no fim do mês, mas, quando se repete por meses ou até anos, acaba virando um gasto que pesa no orçamento. O problema fica ainda maior quando o consumidor paga por um pacote de serviços, uma anuidade ou outras cobranças que já não fazem sentido para a rotina dele.

Com o avanço do Pix e dos serviços digitais, especialistas recomendam olhar com atenção para o extrato e descobrir se o dinheiro está indo embora em tarifas que poderiam ser reduzidas ou até eliminadas.

E muitas vezes o consumidor nem percebe que continua pagando. Um pacote contratado há anos pode permanecer ativo mesmo depois de a forma de usar a conta ter mudado completamente. Por isso, revisar as cobranças, comparar os serviços utilizados e conhecer as opções gratuitas disponíveis pode fazer diferença no orçamento ao longo do ano.

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Entenda o que acontece com as tarifas

Para o planejador financeiro e consultor de investimentos Elder Campi, o pacote mensal de serviços é um dos primeiros itens que o consumidor deveria questionar. Segundo ele, é comum manter uma modalidade contratada há anos sem verificar se ela ainda corresponde à forma como a conta é utilizada atualmente.

Elder Campi, planejador financeiro e consultor de investimentos, comenta as tarifas bancárias mais comuns entre consumidores — Foto: NC News

“Para mim, a primeira é o pacote mensal de serviços que a pessoa não utiliza. Esse é o exemplo mais claro, porque muitas pessoas poderiam utilizar apenas os serviços essenciais gratuitos e continuam pagando um pacote por hábito”, explica Campi.

O Banco Central estabelece uma lista de serviços essenciais que devem ser oferecidos gratuitamente aos clientes de contas correntes e de poupança, dentro dos limites previstos. Entre eles estão quatro saques por mês em conta corrente, duas transferências mensais entre contas da mesma instituição, dois extratos mensais e consultas pela internet.

Por isso, a primeira pergunta para quem quer reduzir despesas é simples: o pacote que está sendo pago realmente é necessário para a rotina daquela conta?

Cartão também merece atenção

Outro gasto que pode passar despercebido no extrato é a anuidade do cartão. Segundo o planejador financeiro e consultor de investimentos Elder Campi, o consumidor deve avaliar se os benefícios oferecidos pelo cartão realmente compensam o valor cobrado.

“Depois eu olharia para a anuidade do cartão, principalmente quando o cartão não entrega nenhum benefício que justifique aquela cobrança, e também algumas tarifas por operações que hoje podem ser feitas gratuitamente pelos canais digitais”, afirma Campi.

Além da anuidade, o especialista recomenda atenção às tarifas cobradas por serviços avulsos. Saques, transferências e outras operações podem aparecer separadamente no extrato e, dependendo da forma como a conta é utilizada, representar uma despesa que poderia ser evitada.

O Banco Central também disponibiliza uma plataforma de consulta de tarifas bancárias, na qual o consumidor pode verificar os valores cobrados pelas instituições para diferentes serviços. A ferramenta permite comparar as cobranças e ajuda a identificar quanto está sendo pago por cada operação.

Para Campi, essa análise deve fazer parte da rotina financeira. A ideia é não manter um pacote ou serviço simplesmente porque ele foi contratado há anos, sem verificar se ainda atende às necessidades atuais.

“Eu começaria olhando cinco coisas. Primeiro, pacote mensal da conta, depois anuidade do cartão, depois tarifas de saque, transferências ou outros serviços avulsos. E também serviços adicionais que eventualmente sejam cobrados junto com a conta”, explica.

A mudança na forma de usar os bancos também deve entrar nessa conta. Com a popularização do Pix, dos aplicativos e do internet banking, muitas operações passaram a ser feitas diretamente pelo celular, sem a necessidade de serviços que eram mais comuns no passado.

“É muito comum a pessoa ter contratado um pacote cinco, dez anos atrás e nunca mais ter revisado. Só que a forma como a gente usa banco mudou completamente. Hoje é Pix, aplicativo, internet banking. Então talvez você esteja pagando até hoje por um pacote que fazia sentido no passado, mas que hoje não faz mais”, afirma Campi.

Por isso, antes de manter uma cobrança, vale conferir o extrato e comparar o que está sendo pago com os serviços que realmente fazem parte da rotina. Se a tarifa não é necessária, existe uma alternativa gratuita ou outra instituição oferece o mesmo serviço por menos, pode ser hora de rever a escolha.

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O que olhar no extrato?

A revisão pode começar por cinco pontos, segundo o especialista: pacote mensal da conta, anuidade do cartão, tarifas de saque, transferências e outros serviços avulsos, além de eventuais serviços adicionais cobrados junto com a conta.

O consumidor deve verificar a frequência dessas cobranças e se elas correspondem a serviços que realmente fazem parte da rotina. O próprio Banco Central disponibiliza informações atualizadas sobre tarifas cobradas pelas instituições, permitindo consultar diferentes modalidades e valores.

Um hábito que pode evitar cobranças desnecessárias

O psicólogo Luca Vasconcelos conta que durante muito tempo praticamente não acompanhava as cobranças feitas na conta. Segundo ele, a situação mudou nos últimos meses, principalmente diante do maior aperto nas finanças.

“Eu confesso que sou bastante negligente com isso. Eu geralmente terceirizo essa responsabilidade para os bancos, então o que tiver no meu extrato eu confio quase que cegamente”, relata.

Luca afirma que passou a prestar mais atenção nas próprias finanças nos últimos meses. Para ele, o cenário econômico aumentou a preocupação com os gastos e tornou mais importante acompanhar para onde o dinheiro está indo.

Luca Vasconcelos conta que durante muito tempo praticamente não acompanhava as cobranças bancárias feitas na conta – Foto: NC News

Cobrança só chamou atenção depois de aparecer no extrato

A aposentada Fátima Aparecida também descobriu cobranças que não conhecia ao conferir o extrato. Segundo ela, a surpresa veio depois de perceber que alguns serviços estavam sendo cobrados de forma recorrente.

“Eu fui, tirei o extrato uma vez, aí eu vi que estava muito, fui reclamar. A moça falou que era porque eu tinha tirado o extrato algumas vezes e que toda vez que tirava o extrato era cobrado”, conta.

Depois de receber explicações sobre outras cobranças que apareciam na conta, Fátima decidiu encerrar a relação com o banco. O caso mostra como a falta de familiaridade com as tarifas pode fazer com que o consumidor só perceba determinados gastos quando decide conferir o extrato com mais atenção.

Dona Fátima Aparecida descobriu cobranças que não conhecia ao conferir o extrato bancário – Foto: NC News

Como começar a reduzir as tarifas

A orientação de Elder Campi é começar pelo próprio extrato. Depois de identificar cada cobrança, o cliente pode comparar os serviços utilizados com o pacote contratado e verificar se existe uma modalidade mais adequada.

Segundo o especialista, quem utiliza apenas os serviços básicos pode avaliar a possibilidade de migrar para a modalidade de serviços essenciais. Para quem precisa de outras operações, a recomendação é comparar os pacotes oferecidos pelo próprio banco e também por outras instituições.

A lógica, afirma Campi, é fazer com que a conta acompanhe a necessidade do consumidor — e não o contrário.

Entenda o contexto

A revisão das tarifas ganha importância porque as cobranças podem ser recorrentes e passar despercebidas por longos períodos. O Banco Central mantém uma relação atualizada das tarifas bancárias cobradas pelas instituições, com dados que permitem consultar valores por tipo de serviço. A atualização disponível atualmente é de 15 de setembro de 2026.

Além de verificar o pacote mensal, o consumidor pode conferir cobranças relacionadas ao cartão, saques, transferências e outros serviços. A análise deve considerar o que realmente é utilizado e as alternativas disponíveis para aquela necessidade.

O primeiro passo, portanto, é simples: abrir o extrato e descobrir exatamente pelo que você está pagando.

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