O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, nesta quinta-feira (24), o indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao Governo do Distrito Federal. Por 5 votos a 2, a Corte rejeitou o recurso apresentado pela defesa do ex-governador e manteve a decisão que havia barrado seu registro.
A decisão ocorreu a dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e provocou manifestações de candidatos que disputam o Palácio do Buriti. Até a publicação desta matéria, a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), não havia comentado publicamente o julgamento.
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Entenda o que aconteceu
O julgamento analisou o recurso de Arruda contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que havia rejeitado seu registro. O TRE-DF decidiu por unanimidade, em 3 de setembro, que o ex-governador permanecia inelegível em razão de condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.
No TSE, o relator, ministro Dias Toffoli, votou pela rejeição do recurso. Ele foi acompanhado pelos ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Nunes Marques. Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram e votaram a favor do recurso.
Leandro Grass fala em mudança de rumo
Candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass afirmou respeitar a decisão da Justiça Eleitoral e evitou fazer críticas ao entendimento adotado pelo TSE.
Grass também destacou a relação que manteve com Arruda durante a campanha e afirmou que o adversário sempre o tratou com respeito nos debates.
Na sequência, porém, o candidato petista direcionou as críticas ao grupo político ligado à atual administração do Distrito Federal. Grass citou Celina Leão, Ibaneis Rocha e Gustavo Rocha e associou o grupo às discussões envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
O candidato também aproveitou o momento para defender uma mudança no comando do Distrito Federal e convocar eleitores que compartilham dessa posição a apoiarem sua candidatura.
Paula Belmonte diz que pretende procurar Arruda
A candidata Paula Belmonte (PSDB) adotou uma postura diferente após o julgamento. Em nota, afirmou que imagina que o momento seja difícil para o ex-governador e declarou respeito tanto a Arruda quanto à decisão da Justiça.
Belmonte também afirmou que pretende procurar o ex-governador para apresentar seu projeto e buscar seu apoio na disputa pelo Palácio do Buriti.
A candidata voltou a apresentar sua campanha como alternativa ao grupo político que atualmente comanda o Distrito Federal. Segundo ela, sua candidatura representa uma opção para eleitores que desejam encerrar o ciclo associado às gestões de Ibaneis Rocha e Celina Leão.
Kiko Caputo pede apoio de eleitores de Arruda
Kiko Caputo, candidato do Novo, também se manifestou depois da decisão do TSE. O candidato afirmou que sempre defendeu que a disputa eleitoral fosse decidida pelo voto, mas ressaltou que decisões judiciais precisam ser cumpridas.
Caputo também fez um apelo direto aos eleitores que pretendiam votar em Arruda e pediu que esse grupo considere apoiar sua candidatura.
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Procurada pela reportagem, Celina Leão não comentou, até a publicação desta matéria, a decisão do TSE que confirmou o indeferimento da candidatura de Arruda.
O espaço permanece aberto para manifestação da candidata.
Entenda o contexto
A decisão do TSE ocorre na reta final da campanha para o Governo do Distrito Federal. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e o julgamento desta quinta-feira encerra, no âmbito do TSE, a análise do recurso de Arruda contra o indeferimento de sua candidatura.
O caso envolve a interpretação dos efeitos das condenações por improbidade administrativa que atingem o ex-governador e a aplicação das regras de inelegibilidade. O TRE-DF havia considerado que Arruda permanecia inelegível para a eleição deste ano.
Antes da decisão do TSE, pesquisas eleitorais vinham sendo divulgadas em cenários com e sem Arruda. Um levantamento da Quaest divulgado em 23 de setembro, por exemplo, apontou Celina Leão com 33%, Leandro Grass com 21% e Arruda com 17% no cenário estimulado. A pesquisa ouviu 1.104 eleitores entre 19 e 22 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
A retirada de uma candidatura do cenário eleitoral não permite, por si só, afirmar para qual candidato irão os votos que haviam sido declarados para Arruda. Pesquisas anteriores testaram cenários sem o ex-governador, mas esses resultados representam as respostas dos entrevistados nos períodos em que foram realizadas e não constituem uma previsão do resultado da eleição.
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