Valdemar tenta conter racha Bolsonaro e muda mira para economia

Valdemar busca pacificar o PL e redireciona foco para questões econômicas em meio a tensões internas.
Redação NC News
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Valdemar Costa Neto aconselha Flávio Bolsonaro, a parar de atacar Luiz Inácio Lula da Silva e a falar de economia. Ao mesmo tempo, tenta sem sucesso conter o racha com Michelle Bolsonaro, que deixa a presidência do PL Mulher e resiste a subir no palanque do senador.

Rejeição no limite e mudança de rota

O comando do PL lê as pesquisas de fim de julho como um sinal amarelo para a campanha de 2026. Lula aparece com rejeição entre 46% e 48%, segundo Datafolha e AtlasIntel. Flávio Bolsonaro, principal aposta eleitoral do partido, registra índices ainda piores: 48% de rejeição no Datafolha e 53% na Atlas.

Valdemar usa esses números para tentar convencer o senador a abandonar a estratégia do confronto direto. Para ele, insistir em ataques ao presidente não rende mais votos. “A grande vantagem que temos é Lula ter 48% de rejeição e não sair disso. Flávio não tem que falar mal do Lula, porque a rejeição dele já está alta e não vai crescer”, diz o presidente do PL a correligionários.

Na avaliação de Valdemar, a campanha precisa girar a chave para temas econômicos, considerados mais eficazes para atrair o eleitorado moderado, especialmente em um cenário de fadiga com a polarização. O recado, porém, esbarra na realidade de um partido dividido e de um candidato que ainda mede o custo político de baixar o tom.

Vídeo de Michelle rompe dique interno

A crise explode a partir de um vídeo de Michelle Bolsonaro, divulgado nas redes na virada de junho para julho. A ex-primeira-dama critica Flávio e setores do bolsonarismo, expõe mágoas familiares e dá voz a um ressentimento que vinha sendo mantido em privado.

No dia 30 de junho de 2026, Valdemar se reúne com Michelle para tentar controlar os danos. Propõe uma operação de recuo: uma carta em que ela diria estar abalada pela prisão de Jair Bolsonaro e pediria desculpas pelo vídeo. Segundo relatos, a ideia inclui um vídeo de retratação e um compromisso de participação ativa na campanha de Flávio.

Michelle reage mal. Recusa a carta, rejeita o roteiro de autocrítica e avisa que não voltará atrás. Nos bastidores, aliados relatam a firmeza da decisão. “Ela disse que tudo que ela falou no vídeo é o que ela pensa e ela não vai recuar. A gente vê que é uma ‘fratura’ que deve seguir por todo o processo eleitoral”, relata o jornalista Daniel Uribe, âncora da CNN Brasil, ao descrever o clima entre os grupos.

O resultado direto surge poucos dias depois: Michelle anuncia sua saída da presidência do PL Mulher, alegando o momento delicado vivido pela família. O gesto tem peso simbólico e prático. Enfraquece a presença feminina na máquina partidária e sinaliza distanciamento formal da estrutura que dará sustentação à campanha de 2026.

Valdemar entre o cálculo eleitoral e o drama familiar

Valdemar tenta, ao mesmo tempo, rearrumar a estratégia contra Lula e evitar que o conflito familiar destrua o projeto eleitoral do partido. O presidente do PL insiste com aliados que Michelle segue sendo um ativo essencial para Flávio, principalmente entre as eleitoras evangélicas e conservadoras, público em que ela construiu capital político próprio durante o governo Bolsonaro.

O presidente do PL reforça, em conversas reservadas, que o partido precisa da ex-primeira-dama em palanques estratégicos e em gravações de TV para suavizar a rejeição do senador. A leitura é direta: com 53% de rejeição em um dos principais institutos, Flávio tem pouco espaço para erros e brigas públicas em casa.

As tentativas de mediação passam também por figuras da direita tradicional e de nichos digitais, como o deputado Nikolas Ferreira, visto como possível ponte entre os grupos. Até aqui, porém, nenhuma iniciativa consegue quebrar a resistência de Michelle, que indica não ter disposição para sessões de fotos em família durante a campanha.

Bolsonaro em prisão domiciliar e a crise sem árbitro

O fator mais sensível, na avaliação de analistas, é a ausência de Jair Bolsonaro como mediador. Preso em prisão domiciliar, o ex-presidente tem acesso restringido e evita se envolver diretamente na disputa entre o filho e a esposa. É visto como a única figura capaz de impor um cessar-fogo duradouro.

A analista Larissa Rodrigues, da CNN Brasil, resume o impasse. “É uma prova do quanto será difícil fazer a campanha com o grande líder do PL preso. Bolsonaro acaba perdendo não só todo o processo eleitoral, onde ele próprio queria ser o candidato, mas se fala também que o PL encontra dificuldades de contato com ele, em coisas que só ele conseguiria resolver”, afirma.

Sem o ex-presidente em campo, Valdemar assume sozinho o papel de bombeiro. O presidente do PL tenta manter pontes com Michelle, dialogar com Flávio e segurar a bancada, que observa a disputa com preocupação crescente. Deputados veem risco concreto de perda de votos ao centro e entre mulheres, segmento em que Michelle costumava funcionar como espécie de embaixadora do bolsonarismo.

Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente

O racha atinge o PL em três frentes. Fere a narrativa de unidade da família Bolsonaro, principal ativo simbólico da legenda. Dificulta a tarefa de reduzir a rejeição de Flávio, já acima da de Lula nas principais pesquisas. E expõe a dependência do partido de um líder impedido, sob vigilância judicial e politicamente imobilizado em casa.

Em paralelo, o cálculo sobre a rejeição de Lula funciona como bússola para a próxima fase da campanha. Se os 46% a 48% são de fato um teto, como aposta Valdemar, atacar o presidente deixa de ser prioridade. A batalha passa a ser por quem consegue convencer o eleitor preocupado com inflação, emprego e renda de que pode entregar mais.

No curto prazo, o desafio interno do PL é mais urgente do que o embate com o petista. É preciso decidir se a campanha de Flávio seguirá em trilhos próprios, sem Michelle e com Jair à distância, ou se ainda haverá espaço para um acordo tardio. Cada semana de exposição pública da disputa familiar amplia a sensação de desorganização.

Valdemar segue insistindo em encontros, cartas e recados por intermediários. Flávio tenta ajustar o discurso sem parecer que recua. Michelle mantém o silêncio seletivo, mas não desdiz uma palavra do que já colocou nas redes. A campanha de 2026 começa, para o PL, com uma pergunta incômoda: quem comanda o bolsonarismo quando o patriarca está preso e a família já não sobe no mesmo palanque?

 

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