Facções enviam criminosos à Ucrânia para aprender uso de drones em guerra, diz Polícia Civil

Segundo investigações, integrantes de organizações criminosas estariam sendo treinados no país europeu para aperfeiçoar ataques com drones adaptados, usados para lançar granadas contra rivais e que também colocam moradores em risco no Rio de Janeiro.
Redação NC News
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As facções criminosas do Rio de Janeiro estão elevando o nível da disputa por territórios com o uso de drones adaptados para lançar explosivos. Segundo a Polícia Civil, integrantes desses grupos estariam sendo enviados à Ucrânia para aprender técnicas de combate com aeronaves não tripuladas utilizadas em cenários de guerra.

A informação foi divulgada pelo delegado Marcos Motta, da Coordenadoria de Operações Aéreas Não Tripuladas (Coant), que afirmou haver dados de inteligência indicando que criminosos viajam ao país europeu para aperfeiçoar o uso desses equipamentos. As autoridades investigam como esse conhecimento estaria sendo aplicado nos confrontos entre facções e milícias no estado.

Imagem postada nas redes, segundo a polícia, mostra criminosos controlando drone — Foto: Reprodução

 

O que a Polícia Civil afirma?

De acordo com o delegado Marcos Motta, o uso de drones já se tornou parte da estratégia das organizações criminosas.

Segundo ele, informações de inteligência apontam que facções financiam o envio de integrantes à Ucrânia para receber treinamento sobre o emprego desses equipamentos em situações de conflito.

Até o momento, a Polícia Civil não divulgou quantos criminosos teriam participado desse suposto treinamento nem detalhou como essas viagens ocorreram. As investigações seguem em andamento.

Como os drones passaram a ser usados pelos criminosos?

Inicialmente utilizados pelas forças de segurança para monitoramento aéreo, produção de provas e planejamento de operações, os drones passaram a ser adaptados por criminosos para uma finalidade muito mais perigosa.

Segundo as investigações, os equipamentos estão sendo modificados para transportar e lançar granadas sobre áreas controladas por grupos rivais, ampliando o alcance dos ataques e dificultando a reação das vítimas.

Além dos confrontos entre criminosos, moradores acabam expostos ao risco de explosões em áreas residenciais.

Série de ataques preocupa autoridades

Nos últimos meses, diversos episódios reforçaram a preocupação das forças de segurança.

Nesta semana, um explosivo atingiu o telhado da sede da Associação de Moradores da comunidade Parque Dois Irmãos, em Curicica, na Zona Oeste do Rio. Segundo relatos de moradores, a bomba teria sido lançada por um drone.

Um explosivo danificou o telhado da sede da Associação de Moradores da comunidade Parque Dois Irmãos, em Curicica — Foto: Reprodução

 

As investigações também apontam ataques frequentes durante a disputa entre traficantes ligados ao Comando Vermelho, instalados na Muzema, Cidade de Deus e Gardênia Azul, contra grupos rivais na região de Rio das Pedras.

Em outro episódio investigado pela polícia, criminosos da Favela do Quitungo utilizaram um drone para lançar explosivos em direção ao Complexo de Israel, controlado por outra organização criminosa.

Moradores acabam no meio da guerra

O avanço dessa estratégia tem provocado vítimas que não participam dos confrontos.

Em maio, um adolescente de 15 anos ficou gravemente ferido após ser atingido por estilhaços de uma granada lançada por um drone na comunidade da Caixa d’Água, em Brás de Pina.

A principal linha de investigação é que o jovem teria sido confundido com um integrante de um grupo rival porque usava um casaco escuro enquanto caminhava até uma lanchonete.

O caso reforçou o alerta das autoridades sobre o risco crescente para moradores que vivem em áreas dominadas por organizações criminosas.

Granadas produzidas com impressoras 3D

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é a fabricação artesanal de parte dos explosivos utilizados nos ataques.

Segundo a Polícia Civil, integrantes das facções passaram a produzir componentes das granadas utilizando impressoras 3D. Depois da fabricação da estrutura, os artefatos seriam preenchidos com materiais explosivos antes de serem acoplados aos drones.

Essa combinação entre tecnologia de baixo custo e técnicas de guerra preocupa especialistas por facilitar a produção de armamentos improvisados.

Como a polícia tenta reagir?

As forças de segurança afirmam que também estão buscando aperfeiçoamento para enfrentar essa nova modalidade criminosa.

Segundo o delegado Marcos Motta, equipes especializadas acompanham a evolução das tecnologias utilizadas em conflitos internacionais para antecipar possíveis adaptações feitas pelo crime organizado e desenvolver estratégias capazes de neutralizar essas ameaças.

O objetivo, segundo a Polícia Civil, é impedir que o uso de drones armados se torne ainda mais comum nas disputas entre organizações criminosas.

Entenda o contexto

Os drones se tornaram ferramentas importantes para atividades civis, comerciais e de segurança pública. No entanto, o avanço da tecnologia também abriu espaço para o uso criminoso desses equipamentos.

No Rio de Janeiro, investigações apontam que facções passaram a adaptar drones para transportar explosivos e atacar grupos rivais à distância. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que integrantes dessas organizações estejam buscando treinamento em cenários de guerra para aperfeiçoar essas técnicas.

Enquanto as investigações avançam, autoridades alertam que a utilização de drones armados representa um novo desafio para o combate ao crime organizado e aumenta os riscos para moradores de comunidades afetadas pelos confrontos.

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