“O Brasil não aguenta mais quatro anos de cotas”, afirma Zema durante encontro nacional do Novo

Pré-candidato do Novo à Presidência apresenta plano de governo com critica a políticas de inclusão, promete privatizações e mira apoio de eleitores bolsonaristas
Redação NC News
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O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) adotou um discurso mais duro durante um encontro nacional do partido realizado neste sábado (18), em São Paulo. O ex-governador de Minas Gerais criticou políticas de cotas raciais, voltou a atacar integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e apresentou propostas econômicas que devem fazer parte de sua plataforma eleitoral para a disputa de 2026.

Durante o evento, Zema afirmou que o país não suportaria mais um novo ciclo de políticas de cotas e defendeu uma visão de governo baseada em segurança pública, redução do que chama de privilégios e crescimento econômico. As declarações colocaram novamente o político mineiro no centro do debate sobre os rumos da direita brasileira na próxima eleição presidencial.

Por que Zema voltou a falar contra as cotas raciais?

A fala mais repercutida do evento veio quando Zema criticou políticas de cotas raciais e afirmou que o Brasil não deveria manter esse modelo por mais quatro anos.

Segundo o pré-candidato, políticas públicas deveriam priorizar critérios que não levem em consideração a cor da pele. O tema é uma das pautas que devem gerar maior debate durante a corrida eleitoral, já que as ações afirmativas são defendidas por setores que apontam desigualdades históricas no acesso à educação e ao mercado de trabalho.

O discurso de Zema ocorre em um momento em que pré-candidatos da direita tentam consolidar suas posições em busca do eleitorado conservador e dos apoiadores que anteriormente estavam alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ataques ao STF entram como uma das principais bandeiras

Além das críticas às cotas, Zema voltou a direcionar críticas ao Supremo Tribunal Federal.

Durante o encontro, o pré-candidato defendeu a construção de uma maioria no Senado para aprovar um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele também voltou a citar o ministro Gilmar Mendes, com quem possui uma disputa judicial após críticas feitas em redes sociais.

O posicionamento coloca o STF como um dos principais temas do discurso eleitoral de Zema, seguindo uma estratégia semelhante à adotada por parte do eleitorado conservador nos últimos anos.

Qual é o plano de governo apresentado por Zema?

Durante o evento do Partido Novo, o ex-governador apresentou três grandes áreas como prioridades de uma eventual gestão:

retomada de territórios dominados por facções criminosas;
combate ao que chama de privilégios e conflitos de influência;
medidas para estimular o crescimento econômico.
Na área econômica, Zema também voltou a defender uma agenda de privatizações, incluindo a Petrobras, uma proposta que costuma dividir opiniões entre diferentes setores da sociedade.

Estratégia mira eleitorado de direita

Com baixa pontuação nas pesquisas mencionadas durante o evento, Zema afirmou que espera crescer durante os debates eleitorais e lembrou sua trajetória na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2018, quando conseguiu aumentar sua competitividade ao longo da campanha.

O movimento de Zema acontece em meio à reorganização da direita brasileira para 2026. O pré-candidato busca se apresentar como uma alternativa ao bolsonarismo tradicional, mas também tenta dialogar com parte desse eleitorado ao adotar pautas ligadas à segurança, críticas ao STF e defesa de medidas liberais na economia.

Quem pode ser o vice de Zema?

Durante o encontro, Zema afirmou que ainda não definiu seu candidato a vice e disse que procura um nome considerado “ficha limpa”.

O político chegou a citar Michelle Bolsonaro como uma possibilidade para composição da chapa, mas a ex-primeira-dama negou posteriormente que exista essa possibilidade. Michelle afirmou que continua filiada ao PL e que a composição não poderia ser formada nas condições atuais.

O que aconteceu no evento do Novo em São Paulo?

O encontro nacional do Partido Novo reuniu lideranças da legenda e serviu como palco para apresentar as principais mensagens que devem marcar a pré-campanha de Zema.

Além do discurso presidencial, o evento também teve participação de Ricardo Salles, pré-candidato ao Senado por São Paulo, que fez críticas a adversários políticos durante sua fala.

ENTENDA O CONTEXTO
Romeu Zema tenta construir uma candidatura nacional após dois mandatos como governador de Minas Gerais. Para 2026, o político do Novo busca ampliar seu espaço em um cenário de disputa pela liderança da direita brasileira.

A estratégia combina três pilares: uma agenda econômica liberal, discurso de segurança pública e críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal.

O desafio de Zema será transformar uma base estadual forte em uma candidatura nacional competitiva, em uma eleição que deve reunir diferentes nomes da direita, centro e esquerda.

Ao longo da campanha, temas como cotas raciais, papel do Estado, privatizações e relação entre os Poderes devem estar entre os principais pontos de confronto entre candidatos.

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