O encontro reuniu as principais lideranças do grupo, oficializou o deputado federal Guilherme Derrite (PP) como candidato ao Senado na chapa governista, reafirmou o apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas e antecipou o apoio do diretório paulista à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Entre os presentes estavam o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o vice-governador Felicio Ramuth, o deputado federal Guilherme Derrite, o co-presidente da União Progressista em São Paulo, Milton Leite, o presidente da Alesp, Andr´[e do Prado, Maurício Neves, presidente da Federação União Progressista no Estado de São Paulo, além da deputada federal Simone Marquetto, apontada nos bastidores como um dos nomes cotados para compor uma eventual chapa presidencial como vice de Flávio Bolsonaro. Até o momento, não há definição oficial sobre essa composição.
Flávio promete endurecer combate ao crime organizado
Principal orador da convenção, Flávio Bolsonaro apresentou as linhas gerais de sua plataforma para a eleição presidencial. O senador afirmou que, se eleito, pretende classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, defendendo um endurecimento da política de segurança pública.
Durante o discurso, o parlamentar também fez críticas ao presidente Lula.
“Quando tem um presidente da República que gosta de vagabundo, os vagabundos ficam felizes. Nós com medo de andar na rua e o vagabundo andando na rua com toda a tranquilidade e todo o sossego”, declarou.
Atualmente, PCC e Comando Vermelho são enquadrados pela legislação brasileira como organizações criminosas. A proposta apresentada por Flávio Bolsonaro envolveria mudanças no tratamento jurídico dessas facções, tema que dependeria das normas aplicáveis e da atuação do Congresso Nacional.
Modelo paulista como referência nacional

Ao apresentar suas propostas para a área de segurança pública, Flávio afirmou que pretende transformar em políticas nacionais programas implantados em São Paulo durante a gestão de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes.
Entre eles, citou o Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial utilizado na capital paulista, e a Muralha Paulista, iniciativa estadual voltada ao compartilhamento de informações e ao monitoramento para o combate ao crime.
“As práticas que vocês utilizaram para melhorar a vida do cidadão paulista nós vamos estender para todo o Brasil, na segurança pública, com o Smart Sampa, com a Muralha Paulista e tudo aquilo que deu certo em São Paulo”, afirmou.
Segundo o senador, a experiência paulista serviria de base para um eventual plano nacional de segurança pública.
Críticas ao governo Lula e promessas para a economia
Além da segurança, Flávio concentrou parte do discurso em críticas ao governo federal. O senador afirmou que o presidente Lula aumentou a carga tributária e que a inflação reduziu o poder de compra das famílias brasileiras.
“O presidente esfola o povo trabalhador, mete imposto em cima do povo trabalhador. O poder de compra caiu. Hoje as mães brasileiras entram no mercado preocupadas se vão conseguir fazer a compra do mês para alimentar seus filhos”, disse.
O parlamentar também anunciou a intenção de criar o que chamou de “maior programa de mobilidade social” do país, voltado às comunidades. Segundo ele, as periferias precisam ser vistas além da violência e receber mais oportunidades de desenvolvimento. Flávio, no entanto, não apresentou detalhes sobre o funcionamento da proposta, nem estimativas de custos ou fontes de financiamento.
“A favela é potência” Durante a fala, o senador afirmou que pretende ampliar a presença do Estado em áreas dominadas por organizações criminosas.
Na avaliação de Flávio, moradores de comunidades convivem com cobranças ilegais impostas por grupos criminosos e vivem sob constante pressão. Ele defendeu que o enfrentamento dessas organizações é condição para ampliar oportunidades e promover mobilidade social.
Tarcísio reforça aliança para 2026

O governador Tarcísio de Freitas também discursou durante a convenção e reafirmou o apoio à candidatura de Guilherme Derrite ao Senado. O governador defendeu a formação de uma bancada alinhada ao governo paulista no Congresso Nacional e fez críticas ao PT e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçando o discurso de continuidade da atual gestão.
Ao lado das principais lideranças da federação, Tarcísio afirmou que o grupo já definiu seu projeto político para a próxima eleição e defendeu a ampliação da aliança entre partidos de centro e direita.
União Progressista acelera articulação eleitoral
O encontro reuniu representantes das principais forças políticas da coalizão e serviu como demonstração de unidade em torno do projeto para 2026.
Encerrando o discurso, Flávio Bolsonaro voltou a defender o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que pretende repetir o modelo de escolha técnica para ministérios adotado em seu governo e conclamou os aliados a ampliarem a mobilização nos estados e municípios.
Entenda o contexto
A Convenção Estadual da União Progressista marcou o início da articulação da federação para as eleições de 2026 em São Paulo. Durante o evento, foi oficializada a candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP) ao Senado na chapa liderada pelo governador Tarcísio de Freitas, que também recebeu o apoio da sigla para disputar a reeleição. A federação paulista ainda anunciou apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. As propostas apresentadas por Flávio durante o discurso fazem parte de sua plataforma de pré-campanha e, caso ele seja eleito, algumas dependerão de aprovação do Congresso Nacional ou de outras medidas legais para serem implementadas.