Bruna Lombardi, 75, relembra no É de Casa a decisão de interromper a carreira em novelas, ainda em plena ascensão, para criar o filho longe da fama e morar fora do país.
Decisão de sair do Brasil para proteger a infância do filho
No programa, a atriz, escritora e roteirista volta ao momento em que opta por sair do Brasil com o marido, o ator Carlos Alberto Riccelli, e o filho Kim Lombardi Riccelli, nascido em 1981. Ela conta que a exposição constante pesa na balança e a faz rever prioridades.
Bruna descreve um período em que não consegue mais ter uma vida comum. “Eu estava nos lugares e não conseguia não ser vista, mas também eu não conseguia ver, porque você é o foco de tudo. Aí eu falei: hum, eu acho que eu vou dar um tempo”, relata, ao lembrar a rotina sob holofotes.
A atriz afirma que a maternidade redefine sua relação com a fama. “Eu falei: ‘gente, eu quero sair do Brasil um pouco, eu tenho um filho pequeno, eu quero criar ele longe da fama, eu não quero que ele seja um filho de famosos, que não se descubra, que não possa ter uma vida normal como as outras crianças, que seja apontado’. E eu fiz isso pelo meu filho”, diz.
Carreira em pausa, mudança para os EUA e retorno pontual
O plano da família inclui mudar-se para os Estados Unidos e afastar-se do circuito de novelas brasileiras. Bruna, então um rosto frequente na TV, abre mão da presença contínua em produções de horário nobre para garantir uma criação mais anônima ao único filho.
Ela passa a recusar papéis que exigiriam presença fixa em estúdios no Brasil. O retorno à televisão ocorre de forma calculada, em participações pontuais ao longo dos anos, sem retomar a rotina intensa de gravações em sequência. A decisão altera o rumo de uma carreira consolidada e em evidência.
O gesto também expõe o custo pessoal da fama para mulheres no auge profissional. Ao escolher a família em um momento decisivo, Bruna se afasta de oportunidades que poderiam ampliar ainda mais seu espaço na dramaturgia, mas ganha tempo e privacidade para viver a maternidade com menos pressão.
De estrela das novelas a autora e roteirista
Hoje, Bruna Lombardi direciona a energia criativa para a escrita e o roteiro. A atriz se dedica à produção de livros e projetos audiovisuais, em que atua mais nos bastidores do que diante das câmeras, e mantém a imagem pública sob controle, com aparições pontuais em programas de TV.
A transição mostra como ela reposiciona a própria carreira para continuar ativa sem retomar o ritmo de exposição de décadas atrás. O foco em textos e roteiros permite que siga criando histórias, mas em um modelo de trabalho que oferece mais autonomia e recolhimento.
A conversa no É de Casa reacende, entre fãs e colegas, a lembrança da Bruna Lombardi jovem das novelas e confronta essa imagem com a artista de hoje, que se reconhece mais como autora e pensadora do que apenas como rosto conhecido da TV. A idade, para ela, aparece menos como limite e mais como síntese de escolhas.
Impacto da escolha e debate sobre privacidade de filhos de famosos
Ao narrar o passado, Bruna coloca no centro da discussão a proteção da infância em famílias famosas. O relato expõe o desconforto com a ideia de ver o filho reduzido ao rótulo de “filho de famosos” e empurrado para um mundo de expectativas que não escolheu.
A decisão de se afastar da TV e morar fora acaba vista, hoje, como um contraponto à lógica de exposição constante de filhos de celebridades nas redes sociais. Ao preferir o anonimato para Kim, ela antecipa um debate que se torna ainda mais urgente na era digital.
No meio artístico, a história serve de referência para quem busca equilibrar carreira e vida pessoal, principalmente mulheres. A renúncia temporária à visibilidade máxima mostra que há caminhos alternativos, embora envolvam perdas concretas, como cachês, grandes papéis e presença contínua na memória do público.
Enquanto mantém a rotina de escritora e roteirista, Bruna preserva também algum grau de mistério em torno da vida privada. O futuro da trajetória, mais discreta e autoral, tende a alimentar análises sobre o papel das escolhas pessoais na carreira artística e sobre como o mercado lida com mulheres que decidem desacelerar no auge.