Duas novas espécies de escorpiões são descobertas na Amazônia e já foram identificadas em Roraima

Animais foram encontrados perto da Cachoeira do Evandro, em Mucajaí, e levaram cerca de dez anos de pesquisas até serem oficialmente descritos por cientistas da Unesp
Redação NC News
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Duas novas espécies de escorpiões foram identificadas na Amazônia, em uma área de floresta próxima à Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí, em Roraima, a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista.

Os animais receberam os nomes científicos Brotheas cernii e Cayooca puchus. A descrição foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicada na revista científica Diversity.

 

Descoberta levou anos

Apesar de terem sido encontrados durante trabalhos de campo, os escorpiões precisaram passar por uma série de análises até que os pesquisadores confirmassem que se tratava de espécies diferentes das já conhecidas.

O trabalho científico levou aproximadamente dez anos entre pesquisas e análises. As características observadas incluem diferenças de tamanho, coloração e estruturas do corpo dos animais.

O Cayooca puchus mede entre 3,2 e 5,1 centímetros, enquanto o Brotheas cernii apresenta comprimento entre 4,5 e 5,7 centímetros.

 

Animais vivem em uma espécie de “ilha ecológica”

Os escorpiões foram encontrados em uma área com formações rochosas isoladas conhecidas como inselbergs.

Essas estruturas funcionam como verdadeiras “ilhas ecológicas” dentro da floresta. O isolamento favorece o desenvolvimento de espécies adaptadas às condições específicas daquele ambiente.

Segundo os pesquisadores, as duas novas espécies apresentam forte adaptação ao ambiente onde foram encontradas e são sensíveis às alterações no habitat.

A descoberta reforça a importância da preservação de áreas ainda pouco estudadas da Amazônia, onde novas espécies podem continuar sendo identificadas.

 

Veneno pode ajudar em pesquisas

Além da importância para a biodiversidade, os novos escorpiões também despertam interesse científico por causa de seus venenos.

Pesquisadores apontam que as moléculas presentes na peçonha podem ser estudadas para identificar possíveis aplicações farmacológicas, embora isso não signifique que exista atualmente um medicamento desenvolvido a partir dessas espécies.

 

ENTENDA O CONTEXTO

A Amazônia concentra uma enorme diversidade de animais e plantas, mas ainda possui áreas pouco conhecidas pela ciência.

No caso de Roraima, as duas espécies foram encontradas em um ambiente bastante específico próximo à Cachoeira do Evandro, em Mucajaí.

A descoberta mostra que mesmo depois de anos de pesquisas, a floresta ainda pode revelar espécies que nunca haviam sido descritas oficialmente. E, justamente por serem altamente adaptadas ao local onde vivem, a preservação desses ambientes é fundamental para a sobrevivência desses animais.

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