Uma reunião que deveria tratar de tecnologia para a segurança pública terminou com uma voz de prisão dentro do gabinete da vereadora Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha presidencial de Renan Santos.
Segundo o relato da parlamentar, um homem ligado a uma empresa do setor de tecnologia teria oferecido R$ 200 mil como adiantamento de uma suposta comissão relacionada a um contrato de R$ 60 milhões. A proposta, de acordo com Amanda, poderia representar pagamentos de até R$ 6 milhões.
O suspeito foi conduzido ao 1º Distrito Policial de São Paulo, onde o caso foi apresentado às autoridades. A abordagem, segundo a vereadora, foi registrada em vídeo e o material foi entregue à Polícia Civil de São Paulo.
Renan Santos informou que o homem foi preso em flagrante sob suspeita de corrupção ativa.
“Hoje foi preso em flagrante um representante de uma empresa de tecnologia voltada a câmeras policiais e da Guarda Civil Metropolitana, que tentou subornar a vereadora Amanda Vettorazzo. A abordagem foi filmada e a Amanda deu voz de prisão.”
Como a aproximação começou
De acordo com Amanda, o homem tentava se aproximar dela havia meses.
O primeiro contato teria acontecido depois que ele conseguiu o telefone da vereadora por meio de um grupo de WhatsApp ligado à Igreja Nossa Senhora do Brasil.
Inicialmente, segundo Amanda, a conversa parecia não ter relação com política ou contratos públicos.
“Ele conseguiu meu contato através de um grupo de WhatsApp da Igreja Nossa Senhora do Brasil. Ele começou a abordagem falando de um aplicativo da Bíblia.”
A partir daí, ainda segundo a parlamentar, os contatos se tornaram mais frequentes.
O assunto teria mudado posteriormente para segurança pública e soluções tecnológicas.
Empresa apresentou tecnologia na Comissão de Segurança Pública
Segundo Amanda, o homem afirmou representar uma empresa que oferecia soluções tecnológicas para o setor de segurança.
Ele teria pedido espaço para apresentar os produtos na Comissão de Segurança Pública.
A solicitação foi aceita pela vereadora. Na ocasião, o empresário teria comparecido acompanhado de dois técnicos para apresentar a solução.
Segundo Amanda, porém, a proposta apresentada foi questionada durante a reunião.
“Ele foi acompanhado de dois técnicos, apresentou a solução e acabou sendo refutado em vários pontos por questões técnicas.”
Mesmo depois dos questionamentos, o homem teria continuado tentando viabilizar a utilização da tecnologia pela Guarda Civil Metropolitana.
Amanda afirma que solicitou um relatório técnico com respostas às questões levantadas durante a apresentação, mas o documento não teria sido entregue.
Mensagens aumentaram a desconfiança
A partir desse momento, segundo a vereadora, as abordagens pelo WhatsApp ficaram mais insistentes.
Amanda relata que recebeu mensagens nas quais o homem afirmava que seu superior estaria disposto a oferecer melhores condições.
“Quero conversar com você, meu chefe está mais generoso.”
O comportamento levantou suspeitas na parlamentar.
Segundo Amanda, antes do encontro desta terça-feira (25), ela já havia registrado um boletim de ocorrência e conversado com a polícia.
Quando o homem voltou a procurá-la para marcar uma reunião, a vereadora decidiu aceitar o encontro e registrar a conversa.
“Eu achei um comportamento muito estranho e fiz um boletim de ocorrência. Hoje ele marcou e falou: ‘Quero conversar contigo’. Eu respondi: ‘Então vem’. Obviamente filmei tudo.”
Proposta envolveria contrato de R$ 60 milhões
Foi durante esse encontro que, segundo Amanda, teria sido apresentada a proposta que resultou na prisão.
De acordo com o relato da vereadora, o homem mencionou um contrato de R$ 60 milhões, com pagamentos de R$ 20 milhões por ano durante três anos.
A parlamentar afirma que, além do contrato, teria sido oferecida uma comissão de 5% a 10% sobre o negócio.
“Ele falou: ‘A gente está prevendo aqui um contrato de R$ 60 milhões, R$ 20 milhões por ano. A gente está disposto a pagar de 5% a 10% para você’.”
Além da porcentagem, Amanda afirma que teria sido oferecido um pagamento imediato de R$ 200 mil.
“E, para além disso, falou que já poderia adiantar R$ 200 mil, antecipadamente ao contrato.”
Quanto a comissão poderia representar?
Considerando os R$ 60 milhões mencionados na proposta relatada pela vereadora:
5% = R$ 3 milhões
10% = R$ 6 milhões
Adiantamento mencionado = R$ 200 mil
Ou seja, caso a porcentagem de 10% fosse aplicada sobre todo o contrato, o valor poderia chegar a R$ 6 milhões, segundo o cálculo apresentado por Amanda.
Não seria apenas uma questão de dinheiro
Segundo Amanda, a proposta teria envolvido também uma atuação política para facilitar a contratação.
A vereadora afirma que o homem teria pedido que ela apresentasse posteriormente um projeto de lei relacionado ao assunto e utilizasse sua influência para ajudar a acelerar a contratação.
“Ele falou que queria que eu fizesse depois um projeto de lei para firmar isso e também usasse minha influência política para tentar mobilizar, antecipar e facilitar esse contrato.”
Foi nesse momento, segundo o relato da parlamentar, que ela decidiu dar voz de prisão.
Suspeito foi levado para a delegacia
Após a abordagem, a polícia foi acionada e o homem foi conduzido ao 1º Distrito Policial de São Paulo.
Segundo Amanda, o encontro foi gravado e o material foi entregue à Polícia Civil para auxiliar na investigação.
O caso agora deverá ser analisado pelas autoridades, que deverão apurar as circunstâncias da suposta tentativa de suborno, a origem da proposta, a relação do suspeito com a empresa mencionada e a existência ou não de outros envolvidos.
Até o momento, as informações apresentadas sobre a proposta e os valores são baseadas no relato da vereadora e nos registros entregues à polícia. A investigação deverá esclarecer os fatos.
ENTENDA O CONTEXTO
A denúncia surgiu a partir de uma negociação que, segundo Amanda, começou com a apresentação de uma tecnologia voltada à segurança pública.
A aproximação teria evoluído para uma tentativa de viabilizar um contrato de R$ 60 milhões. De acordo com a vereadora, a proposta incluía uma comissão de até 10%, além de um pagamento antecipado de R$ 200 mil.
A parlamentar afirma que já havia procurado as autoridades antes do encontro desta terça-feira e decidiu registrar a conversa.
O suspeito foi levado ao 1º Distrito Policial, e a Polícia Civil deverá apurar o caso.