“Pode pagar sempre, sem nota”: mensagens mostram Vorcaro tratando pagamentos à mulher de Moraes como prioridade

Relatório da PF aponta que banqueiro chamou contrato de R$ 131 milhões de “o mais importante” e orientou pagamentos sem nota e fora do Pix.
Redação NC News
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Novas mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam como o banqueiro Daniel Vorcaro tratava os pagamentos ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo relatório da PF, o banqueiro classificou o contrato, que previa pagamentos de até R$ 131 milhões, como “o mais importante” que tinha e chegou a orientar funcionários sobre a forma como os valores deveriam ser pagos.

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“Pode pagar sempre, sem nota”

Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Vorcaro determinou que os pagamentos ao escritório não poderiam atrasar.

Na sequência, ao orientar uma funcionária do Banco Master, escreveu:

“Pode pagar sempre, sem nota.”

Em outra conversa, ao tratar de uma parcela prevista no contrato, o banqueiro também pediu que o pagamento não fosse realizado por Pix.

“Não é bom.”

As mensagens fazem parte de um novo relatório da Polícia Federal, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF.

Contrato previa R$ 131 milhões

O contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos, entre 2024 e 2027.

Ao final do período, o valor chegaria a aproximadamente R$ 131 milhões.

Segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025.

Os pagamentos foram interrompidos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado.

Contrato também envolve Moraes

O caso ganhou outro elemento depois que a CNN revelou que o próprio ministro Alexandre de Moraes teria editado o contrato antes da assinatura.

De acordo com os dados dos metadados do arquivo, o documento teria sido alterado por Moraes antes de ser enviado a Vorcaro pelo WhatsApp.

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou anteriormente que prestou “ampla consultoria e atuação jurídica” ao Banco Master.

Segundo a banca, foram produzidos 36 pareceres e realizadas 79 reuniões presenciais na sede do banco.

Sobre a participação de Alexandre de Moraes na análise do contrato, o escritório afirmou que o setor de compliance consultou o ministro “na condição de marido da sócia diretora” para verificar possíveis impedimentos legais.

Ainda segundo a defesa, Moraes não identificou impedimento porque “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.

Mensagens levantam questionamentos

Para os investigadores, as novas mensagens chamam atenção pela forma como Vorcaro tratava os pagamentos.

Além de classificar o contrato como prioritário, o banqueiro teria orientado que determinados pagamentos fossem feitos “sem nota” e demonstrado resistência ao uso do Pix.

As mensagens, por si só, não comprovam irregularidade na prestação dos serviços jurídicos nem demonstram que Viviane Barci de Moraes tenha participado ou concordado com essas orientações.

O conteúdo, porém, passou a integrar o conjunto de informações analisadas nas investigações envolvendo o Banco Master e a relação de Vorcaro com pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes.

Suspeita de pedido de proteção

O episódio se soma a outras informações que vieram à tona durante as investigações.

Entre elas estão mensagens nas quais Vorcaro teria perguntado a Alexandre de Moraes se precisaria deixar o Brasil, dois dias antes de sua prisão.

Também existe uma suspeita de que Moraes teria pedido proteção para o banqueiro ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O ministro André Mendonça avalia formalmente a possibilidade de investigação sobre o caso no plenário do Supremo.

Entenda o contexto

Daniel Vorcaro era controlador do Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central.

A relação entre o banqueiro e o escritório de Viviane Barci de Moraes passou a ser investigada depois que vieram a público informações sobre o contrato milionário firmado entre as partes.

Agora, mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram Vorcaro dando instruções específicas sobre os pagamentos e tratando o acordo como uma prioridade.

O relatório também se soma a outras informações sobre a relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, incluindo o contrato editado pelo ministro e a suspeita de um eventual pedido de proteção ao banqueiro.

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