A crise que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal ganhou um novo desdobramento — e agora tem reflexo direto no Senado. Nos bastidores de Brasília, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem dito a parlamentares que, se a pressão para abrir um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes se tornar inevitável, também pode avançar um pedido semelhante contra o ministro André Mendonça.
A sinalização é lida como uma tentativa de esfriar os ânimos no Congresso: tratar os dois casos de forma equivalente reduziria acusações de favorecimento político por parte do Senado e ajudaria a evitar um confronto ainda maior entre a Casa e o Supremo.
Como a crise chegou até aqui
O estopim foi a decisão de André Mendonça de retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens e contatos entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Dois dias depois, Moraes reagiu e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra o próprio Mendonça — alegando, no documento, indícios de irregularidades na condução das apurações que Mendonça havia autorizado, incluindo possível interferência indevida em procedimentos policiais e perda de imparcialidade. A ação foi visto como uma retaliação contra Mendonça.
Leia também:
Fachin assume o controle dos dois casos
Diante da escalada, Fachin decidiu retirar o processo do âmbito do Inquérito das Fake News e assumir pessoalmente a condução dos procedimentos envolvendo os dois colegas. Determinou ainda que a Procuradoria-Geral da República e o próprio Mendonça apresentem manifestação em até cinco dias.
Na prática, o presidente do STF passa a ser responsável por conduzir tanto o caso que atinge Moraes quanto o que agora mira Mendonça — um movimento que tenta blindar a Corte de acusações de parcialidade.
Por que isso pressiona Alcolumbre
A disputa entre os ministros vai além da troca de acusações dentro do STF. No Supremo, o episódio reabre o debate sobre os limites da atuação dos magistrados e a forma como investigações são conduzidas.
No Congresso, o efeito é ainda mais direto: cabe ao Senado analisar pedidos de impeachment contra ministros da Corte, e hoje mais de uma centena desses pedidos aguarda análise na Casa. É justamente esse acúmulo que torna a posição de Alcolumbre cada vez mais delicada.
O que vem a seguir
Os próximos dias devem ser decisivos. Cresce em Brasília a expectativa sobre até onde vai a disposição de Alcolumbre, caso a pressão política por punições a integrantes do STF continue subindo.
Por ora, a estratégia do presidente do Senado é transmitir aos dois lados da disputa uma mensagem de equilíbrio: se houver avanço contra um ministro, o mesmo critério poderá valer para o outro. É um cálculo que ajuda a conter a crise no curto prazo, mas está longe de eliminar o risco de um embate mais amplo entre Judiciário e Congresso.