Impeachment de ministro do STF entra no radar do Senado, e Alcolumbre espera eleição para agir

Senadores que antes descartavam afastamento agora admitem possibilidade real; presidente do Senado avalia cenário após renovação de 54 cadeiras e eleição presidencial
Redação NC News
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O avanço da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a alterar o cálculo político dentro do Senado. Parlamentares que até recentemente descartavam a possibilidade de afastamento de ministros da Corte agora admitem que um processo de impeachment pode, de fato, avançar.

O movimento coloca o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no centro de uma disputa que deve atravessar as eleições de 2026.

Segundo aliados do senador, Alcolumbre pretende esperar o resultado das eleições presidenciais e a composição do novo Senado antes de decidir se dará andamento a algum processo de impeachment e contra qual ministro. Em outubro, serão renovadas 54 das 81 cadeiras da Casa.

A mudança de cenário ocorre em meio à escalada da crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além dos desdobramentos das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

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O que mudou dentro do Senado

A possibilidade de impeachment deixou de ser tratada apenas como uma bandeira da oposição. Segundo relatos de parlamentares, até integrantes da base governista que costumavam rejeitar a ideia passaram a considerar que um afastamento pode se tornar possível, dependendo da evolução das investigações e da composição política que sair das urnas.

Um líder partidário ouvido sob reserva avalia que o atual escândalo pode desencadear, a partir de 2027, uma reforma mais ampla do Judiciário, incluindo a possibilidade de afastamento de mais de um ministro.

Entre as propostas discutidas estão mudanças no modelo de funcionamento do Supremo, como a criação de mandatos fixos para ministros, em vez da aposentadoria compulsória aos 75 anos, e alterações na idade mínima para indicação à Corte.

O senador Cid Gomes (PSB-CE) resumiu a pressão sobre o Supremo ao defender que a própria Corte tenha a oportunidade de apresentar uma resposta antes de uma reação mais dura do Legislativo.

“Acho que, se não der, o Senado ficará na obrigação de fazer alguma coisa.”

Alcolumbre espera as urnas antes de tomar decisão

O principal cálculo político, porém, está nas mãos de Alcolumbre.

O presidente do Senado historicamente se posicionou contra o impeachment de Alexandre de Moraes e mantém uma relação próxima com o ministro. Aliados afirmam que essa posição não mudou.

Ao mesmo tempo, o cenário eleitoral pode alterar completamente a correlação de forças dentro da Casa.

A avaliação entre pessoas próximas a Alcolumbre é que o impeachment de Moraes se tornou uma das principais pautas capazes de aproximá-lo dos senadores bolsonaristas. Por isso, antes de assumir qualquer compromisso, o presidente do Senado quer saber quem será eleito para a Presidência da República e qual será o tamanho das bancadas após outubro.

Na prática, a decisão sobre o futuro de eventuais pedidos de impeachment pode ficar para depois da eleição.

Moraes virou o principal alvo da pressão

O ministro Alexandre de Moraes é o principal alvo da ofensiva de setores da oposição.

O debate ganhou força depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, retirou o sigilo de informações de um relatório da Polícia Federal que mencionava relações entre Moraes e Daniel Vorcaro.

O material trouxe à tona mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro e registros de encontros entre os dois. Também apareceu no relatório a informação de que Moraes fez alterações em uma minuta de contrato envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Moraes nega irregularidades. Também não há, até o momento, comprovação de que o ministro tenha atendido a pedidos feitos por Vorcaro. A própria Procuradoria-Geral da República questionou a validade de parte da apuração e pediu a anulação do relatório.

Por isso, as acusações e suspeitas ainda estão sob análise e não representam uma conclusão de responsabilidade criminal ou administrativa contra o ministro.

Alcolumbre já recebeu 109 pedidos

A pressão sobre o presidente do Senado não é nova. Alcolumbre afirmou recentemente que existem 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF acumulados na Casa.

Ao comentar o número, ele próprio reconheceu que a quantidade é fora do padrão.

“A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal.”

Apesar disso, o presidente do Senado não sinalizou que pretende abrir imediatamente um processo contra Moraes.

Em outro momento, ao ser questionado sobre as mensagens envolvendo o ministro e Vorcaro, Alcolumbre afirmou:

“Não achei nada, não devo achar nada.”

A declaração mostra que, pelo menos até agora, o senador não adotou a interpretação defendida pela oposição de que as informações divulgadas seriam suficientes para justificar o afastamento.

Flávio Bolsonaro aumenta pressão sobre o Senado

A disputa também entrou diretamente no discurso eleitoral.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, passou a cobrar publicamente que Alcolumbre dê andamento aos pedidos contra Moraes.

Flávio afirmou que o presidente do Senado estaria protegendo o ministro e disse que Moraes não teria condições de continuar no STF.

“Queria proteger um amigo, em vez de proteger a instituição.”

O senador também defendeu que o ministro seja formalmente investigado e afirmou que fará uma “defesa intransigente” do Supremo como instituição, mas considera inadmissível a atuação de Moraes.

A oposição, por sua vez, avalia aumentar a pressão sobre Alcolumbre e transformar a eleição para o Senado em uma disputa também sobre os poderes e os limites do STF.

Mendonça também entrou no cálculo

A crise, entretanto, não se limita a Moraes.

Segundo relatos políticos, pessoas próximas a Alcolumbre chegaram a discutir a possibilidade de um processo de impeachment contra André Mendonça, ministro que está no centro do episódio por ter conduzido o caso Banco Master e tornado públicos documentos que envolvem Moraes.

A avaliação de aliados de Alcolumbre é que Mendonça teria ultrapassado procedimentos formais ao pedir uma investigação contra Moraes. Um dos argumentos citados no Senado envolve justamente um relatório sem assinatura utilizado como parte dos elementos para questionar a atuação do ministro.

Assim, dependendo do desdobramento da crise, mais de um integrante do STF pode entrar no radar do Senado.

O jogo agora é eleitoral

A renovação de 54 cadeiras transforma a eleição de outubro em uma peça central do conflito entre Senado e Supremo.

A oposição já tenta transformar a pauta do impeachment em compromisso eleitoral de candidatos à Casa. Ao mesmo tempo, aliados de Alcolumbre calculam quantos senadores alinhados ao bolsonarismo chegarão ao Congresso e qual será a força do eventual governo eleito.

O próprio presidente do Senado também disputa sua permanência no comando da Casa. A eleição para a Presidência do Senado ocorre tradicionalmente no início da nova legislatura, em fevereiro.

Nesse cenário, uma decisão sobre impeachment pode deixar de ser apenas uma questão jurídica ou institucional e passar a fazer parte de uma negociação pelo comando do Senado em 2027.

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Entenda O Contexto

A crise entre setores do Senado e o Supremo ganhou força após a divulgação de informações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que colocaram os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em posições opostas. O episódio provocou pedidos de investigação, críticas de parlamentares e uma nova ofensiva pelo impeachment de ministros da Corte.

O que mudou agora é o cálculo político: senadores que antes consideravam praticamente inviável a abertura de um processo passaram a admitir que a possibilidade existe, embora o resultado dependa da correlação de forças após as eleições.

Davi Alcolumbre, que historicamente se opôs ao afastamento de Moraes, deve aguardar a eleição presidencial e a renovação de 54 cadeiras do Senado antes de decidir como conduzir os pedidos. Com isso, a disputa pelo STF passa a caminhar lado a lado com a própria eleição de 2026 e com a corrida pelo comando do Senado em 2027.

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