Quando o silêncio de um ministro do STF se torna notícia, algo saiu muito errado dentro da Corte. Alexandre de Moraes não explicou publicamente a natureza de sua relação com Daniel Vorcaro. Essa omissão, em um momento em que a Polícia Federal apresenta mensagens entre os dois, incluindo uma consulta do banqueiro sobre deixar o país dois dias antes de ser preso, pesa mais do que qualquer nota de assessoria poderia resolver.
Moraes negou irregularidades em ao menos cinco manifestações públicas desde fevereiro. O material desclassificado por André Mendonça, porém, acrescentou novos elementos ao debate.
O movimento de Mendonça não foi inocente. Relator dos inquéritos da Operação Compliance Zero, o ministro retirou o sigilo da ação em 1º de setembro e sinalizou que o plenário do STF deveria analisar o conteúdo. Sem citar Moraes nominalmente, expôs informações que ampliaram a pressão sobre o colega.
LEIA TAMBÉM
URGENTE: Mendonça afasta chefe da PF e aprofunda crise entre STF e corporação
Acusações cruzadas dentro do Supremo
A reação veio rapidamente. Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news, apontando possíveis irregularidades na condução da relatoria, entre elas abuso de autoridade e favorecimento político. No dia seguinte, Edson Fachin retirou Mendonça da investigação.
O problema é que ambos os lados enfrentam questionamentos.
Mendonça admitiu ter recebido Vorcaro uma única vez, em março de 2025. A revelação não encerrou as dúvidas sobre a imparcialidade de quem conduz investigações envolvendo o próprio banqueiro.
Nos bastidores do Supremo, uma pergunta ganhou força: por que o relatório da Polícia Federal só foi solicitado em agosto, se havia conhecimento sobre o possível envolvimento de Moraes desde março?
Fachin assume o centro da crise
Diante da escalada da tensão, Fachin tentou centralizar o controle da situação. Determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se manifestem em cinco dias úteis.
Também retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação contra Mendonça, trazendo o caso para a esfera da presidência do STF.
A estratégia, porém, esbarra no calendário. A análise dos casos ficou prevista para datas a partir de 14 e 22 de setembro, quando faltarão menos de 20 dias para as eleições.
Em evento no Palácio do Planalto, Fachin afirmou que haverá uma resposta firme. Até aqui, contudo, as decisões seguem pendentes.
LEIA TAMBÉM
Maioria desaprova governo Lula, mas diferença para aprovação diminui, diz BTG/Nexus
O impacto político às vésperas da eleição
O desgaste institucional já começa a produzir reflexos no ambiente eleitoral. Qualquer personagem associado ao caso Banco Master passou a carregar um custo político adicional.
Nos bastidores, o avanço de candidaturas posicionadas fora da polarização é interpretado como um sinal de fadiga do eleitorado diante da crise que envolve o Judiciário e o mundo político.
A avaliação predominante em Brasília é que o caso deixou de atingir apenas indivíduos específicos. A cada novo nome encontrado nas mensagens de Daniel Vorcaro, a crise ganha novos capítulos.
E o STF, que deveria atuar como árbitro dessa disputa, vê crescer a percepção de que se tornou parte dela.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Quaest: Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro, 29%, a menos de um mês do 1º turno
Mulher de PM é encontrada morta com tiro em casa, e polícia investiga caso em SP