Uma professora de 32 anos foi presa em flagrante suspeita de matar o marido, o empresário Michel Serra Begali, também de 32 anos, com aproximadamente 54 golpes de faca em Americana, no interior de São Paulo. O crime aconteceu na manhã de domingo (6), no estacionamento de uma academia, no Jardim Bazanelli.
A filha do casal, de 12 anos, estava no local e teria presenciado o episódio. Segundo o registro policial, a mulher foi encontrada dentro da academia, visivelmente abalada e com manchas de sangue nas roupas.
Michel foi localizado caído no estacionamento, com diversos
ferimentos, principalmente na região das costas e do pescoço. Uma faca foi encontrada próxima ao corpo.
O empresário chegou a ser socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dona Rosa, mas não resistiu aos ferimentos.

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Perícia encontrou cerca de 54 lesões
Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, funcionários da unidade de saúde relataram que Michel apresentava aproximadamente 54 lesões provocadas por faca. Cerca de 39 estavam concentradas na região superior do corpo.
A localização e a quantidade dos ferimentos fizeram com que, neste primeiro momento, a Polícia Civil não reconhecesse a hipótese de legítima defesa.
A investigação, porém, ainda precisa esclarecer exatamente como o confronto aconteceu. As câmeras de segurança da academia não conseguiram registrar toda a ação, já que o episódio ocorreu atrás de um veículo estacionado.
A faca encontrada no local foi apreendida para perícia. Os celulares de Michel e da suspeita também foram recolhidos pelos investigadores.

Suspeita havia pedido medida protetiva
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o histórico recente envolvendo o casal.
De acordo com a Polícia Civil, Natália Casorla Begali havia registrado uma ocorrência em 16 de agosto e solicitado medidas protetivas de urgência. Cinco dias depois, em 21 de agosto, ela pediu a retirada das medidas.
As circunstâncias que levaram ao pedido e posteriormente à retirada da proteção ainda fazem parte da apuração.
Na delegacia, a professora optou por permanecer em silêncio e foi presa em flagrante por homicídio.
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Prisão domiciliar
Após a prisão, a situação da suspeita passou por nova análise judicial. Informações divulgadas nesta terça-feira (8) indicam que Natália deverá cumprir prisão domiciliar.
A decisão considera, entre outros fatores, a situação familiar da investigada e a existência de filhos menores.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil de Americana. A dinâmica do crime, a eventual existência de agressões anteriores e a sequência dos golpes deverão ser esclarecidas a partir dos depoimentos, exames periciais e demais provas reunidas no inquérito.
Michel era um dos proprietários de uma restaurante em Santa Bárbara d’Oeste, também no interior paulista. Após a morte, o estabelecimento publicou uma homenagem nas redes sociais e lamentou a perda do empresário.
O corpo de Michel foi velado e sepultado na segunda-feira (7), no Cemitério Parque Gramado, em Americana.
ENTENDA O CONTEXTO
O caso aconteceu em meio a um relacionamento que, segundo informações registradas pelas autoridades, já apresentava conflitos anteriores. A solicitação de medidas protetivas feita por Natália em agosto e retirada poucos dias depois será considerada na investigação, mas não permite, por si só, concluir quais eram as circunstâncias do relacionamento ou o que ocorreu no momento do ataque. A Polícia Civil ainda busca reconstruir a sequência dos acontecimentos e determinar se houve agressão anterior, reação em legítima defesa ou excesso na ação. Por enquanto, a suspeita responde pelo caso na condição de investigada, e a versão definitiva dos fatos dependerá do avanço das provas e da decisão da Justiça.
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