Megaoperação mira quadrilha suspeita de furtar mais de 2 mil cabeças de gado no Paraná

Operação conjunta desarticula grupo responsável por grande furto de gado no Noroeste do Paraná, recuperando parte do prejuízo.
Redação NC News
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Uma megaoperação das polícias Civil e Militar do Paraná foi deflagrada nesta quarta-feira (9) para desarticular uma organização criminosa suspeita de furtar e comercializar ilegalmente mais de 2 mil cabeças de gado no Noroeste do estado.

Ao todo, são cumpridos 64 mandados judiciais, sendo 17 de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão. Cerca de 210 policiais participam da ofensiva, que também conta com helicópteros e cães de faro.

A investigação aponta que o grupo seria formado por aproximadamente 40 pessoas, com funções distribuídas entre planejamento dos furtos, execução, transporte dos animais, falsificação de documentos e comercialização do gado.

Segundo a Polícia Civil, os crimes teriam ocorrido desde 2019 e provocado prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões na região investigada. Mais de 340 boletins de ocorrência relacionados ao furto de gado foram considerados durante a apuração.

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Investigação começou após furto de 29 cabeças

As investigações começaram depois do furto de 29 cabeças de gado em uma propriedade rural de Alto Paraná, no Noroeste do estado, em 13 de agosto de 2023.

A partir desse caso, investigadores passaram a cruzar boletins de ocorrência, informações sobre propriedades rurais e registros relacionados ao transporte dos animais.

O trabalho identificou semelhanças entre diferentes ocorrências e levou os policiais à suspeita de que os crimes faziam parte de uma estrutura organizada.

De acordo com o delegado João Lucas Vieira Caetano, responsável pela investigação, a atuação do grupo teria começado anos antes e envolvido o furto de mais de 2 mil animais.

Quadrilha teria divisão de funções

Segundo as investigações, a organização criminosa teria uma estrutura dividida em diferentes etapas.

Uma parte dos integrantes seria responsável por identificar propriedades e acompanhar a rotina dos produtores. Outros integrantes fariam a retirada dos animais, enquanto motoristas e intermediários cuidariam do transporte e da posterior comercialização.

A investigação também aponta o uso de documentação fraudulenta para dar aparência de legalidade aos animais furtados.

O gado seria posteriormente encaminhado a receptadores e poderia entrar no circuito comercial por meio de negociações e leilões.

Os investigadores também apuram a possível participação de pessoas responsáveis por inserir informações falsas em sistemas oficiais utilizados no controle da movimentação dos animais.

Onde a operação acontece?

Os mandados são cumpridos em 16 cidades do Paraná:

  • Alto Paraná
  • Paranacity
  • Cruzeiro do Sul
  • Colorado
  • Itaguajé
  • Uniflor
  • Nova Esperança
  • Astorga
  • Jaguapitã
  • São João do Caiuá
  • São Jorge do Ivaí
  • São Geraldo
  • Luiziana
  • Campo Mourão
  • Araruna
  • Roncador

As equipes atuam simultaneamente em propriedades rurais, residências, escritórios e outros locais relacionados aos investigados.

Quais crimes são investigados?

Os suspeitos são investigados por uma série de crimes que, segundo a polícia, estariam relacionados ao funcionamento da organização.

Entre eles estão organização criminosa, furto qualificado de semoventes, receptação, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas de informação e adulteração de sinais identificadores de veículos.

Também são investigados possíveis crimes contra a saúde pública.

A lista pode aumentar conforme os investigadores analisem os materiais apreendidos durante a operação.

Polícia procura documentos e equipamentos

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais procuram documentos, notas fiscais, registros relacionados ao trânsito de animais, celulares, computadores e outros materiais que possam ajudar a reconstruir a atuação do grupo.

Também podem ser apreendidos veículos e outros equipamentos utilizados no transporte ou na comercialização dos animais.

O objetivo é descobrir não apenas quem participava diretamente dos furtos, mas também como funcionava a cadeia de comercialização do gado.

A análise dos celulares e computadores poderá ajudar a identificar novas pessoas envolvidas e possíveis conexões com outros municípios.

Crime provoca prejuízo milionário no campo

O furto de gado representa um impacto direto para produtores rurais porque os animais são, em muitos casos, parte importante do patrimônio das propriedades.

Além do valor dos bovinos desaparecidos, o produtor pode enfrentar perdas relacionadas à reprodução do rebanho, à produção de carne ou leite e ao planejamento financeiro da propriedade.

A quantidade de ocorrências identificadas durante a investigação mostra a dimensão do problema na região.

Segundo a polícia, foram registrados mais de 340 boletins de ocorrência relacionados ao abigeato considerados na apuração.

Para pequenos e médios produtores, o impacto pode ser ainda maior, já que a perda de dezenas de animais de uma só vez pode comprometer uma parcela significativa do patrimônio da fazenda.

Leilões e comércio de animais entram no radar

Uma das frentes da investigação é descobrir como os animais furtados conseguiam retornar ao mercado com aparência de legalidade.

A suspeita é de que documentos falsificados e informações adulteradas pudessem ser utilizados para dificultar a identificação da origem dos animais.

Por isso, estabelecimentos e pessoas envolvidos na compra, venda e transporte do gado também aparecem no radar da investigação.

A apuração não significa, entretanto, que todos os comerciantes, transportadores ou leilões relacionados aos animais sejam suspeitos de participação criminosa.

A responsabilidade individual de cada investigado ainda deverá ser definida pelas autoridades e, posteriormente, pela Justiça.

Operação pode revelar novos envolvidos

As diligências continuam nesta quarta-feira e a expectativa das autoridades é de que o material recolhido ajude a esclarecer a dimensão completa do esquema.

Os investigadores também devem analisar a movimentação financeira relacionada à venda dos animais para identificar beneficiários e possíveis intermediários.

A polícia não descarta encontrar conexões com outras ocorrências de furto de gado registradas na região.

Como a operação ainda está em andamento, novas prisões, apreensões e informações podem ser divulgadas pelas forças de segurança ao longo do dia.

Investigação começou há cerca de dez meses

Apesar de a polícia apontar que os crimes atribuídos ao grupo remontam a 2019, a investigação que levou à operação desta quarta-feira avançou a partir do caso registrado em Alto Paraná.

Durante aproximadamente dez meses, os investigadores reuniram informações e cruzaram dados de diferentes ocorrências até chegar à estrutura que seria responsável pelo esquema.

O trabalho conjunto entre Polícia Civil e Polícia Militar permitiu reunir elementos utilizados para solicitar as medidas judiciais.

As ordens foram autorizadas pelo Poder Judiciário após manifestação favorável do Ministério Público.

Quem são os suspeitos?

Segundo a investigação, aproximadamente 40 pessoas fariam parte da organização criminosa ou estariam ligadas às diferentes etapas do esquema.

A polícia aponta funções distintas entre os investigados, incluindo pessoas responsáveis pelo planejamento, execução dos furtos, transporte, documentação fraudulenta e comercialização dos animais.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados integralmente pelas autoridades nesta fase da operação.

As prisões preventivas e buscas realizadas nesta quarta-feira devem ajudar a individualizar a participação de cada investigado.

Quantas cabeças de gado foram furtadas?

A Polícia Civil estima que mais de 2 mil cabeças de gado tenham sido furtadas pela organização desde 2019.

O número foi calculado a partir do cruzamento das ocorrências investigadas e de outras informações reunidas durante a apuração.

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 10 milhões apenas na região Noroeste considerada pela investigação.

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Entenda O Contexto

O furto de gado, conhecido como abigeato, atinge diretamente o patrimônio dos produtores rurais e pode envolver uma cadeia criminosa que vai muito além da retirada dos animais das propriedades. Neste caso, a Polícia Civil do Paraná afirma ter identificado uma estrutura que atuaria desde a escolha das propriedades e execução dos furtos até o transporte, falsificação de documentos e comercialização dos bovinos.

A investigação aponta que os crimes atribuídos ao grupo remontam a 2019 e que mais de 2 mil cabeças de gado podem ter sido furtadas, com prejuízo estimado superior a R$ 10 milhões. A operação desta quarta-feira representa uma tentativa de atingir não apenas os responsáveis pela retirada dos animais, mas também os integrantes que ajudariam a inserir o gado furtado novamente no mercado. Como as investigações continuam, a participação individual de cada suspeito ainda será analisada e os investigados terão direito à defesa e ao devido processo legal.

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