O preço do petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), pela primeira vez desde julho. A disparada ocorre em meio à intensificação dos conflitos no Oriente Médio e ao aumento dos temores de que a guerra provoque novas interrupções no fornecimento mundial de energia.
O Brent, referência internacional utilizada como parâmetro para grande parte do mercado, chegou a US$ 100,95 por barril durante a sessão. O WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou e chegou a aproximadamente US$ 95,60.
A alta acontece depois de uma sequência de ataques envolvendo forças americanas, o Irã e os houthis, grupo apoiado por Teerã. O mercado acompanha principalmente os riscos para o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do planeta.
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Por que o petróleo disparou?
A principal preocupação dos investidores é a possibilidade de uma redução ainda maior na oferta de petróleo do Oriente Médio.
Os Estados Unidos atacaram cinco petroleiros iranianos nos últimos dias, enquanto os houthis realizaram ataques contra instalações de energia e outras estruturas na Arábia Saudita.
A sequência de ofensivas aumentou o temor de que o conflito entre Estados Unidos e Irã se espalhe por outros países da região e atinja diretamente instalações de produção, refinarias e rotas de transporte.
O movimento ocorre justamente em uma região fundamental para o abastecimento mundial de energia.

Estreito de Ormuz virou o principal ponto de preocupação
O Estreito de Ormuz concentra uma parcela importante do comércio mundial de petróleo. Qualquer dificuldade prolongada para a passagem de navios pode provocar uma reação imediata nos preços.
Segundo dados citados pela Reuters, o fluxo de petróleo pelo estreito caiu drasticamente. Antes da nova escalada, entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia atravessavam a região. Mais recentemente, o volume caiu para menos de 2 milhões de barris por dia.
A redução aumenta a pressão sobre os estoques e obriga compradores a buscar cargas alternativas em outras regiões.
O problema não está apenas no petróleo bruto. A restrição também afeta derivados como gasolina e diesel, aumentando o risco de uma pressão ainda maior sobre os preços dos combustíveis.
Combustíveis já sentem os efeitos da crise
A disparada do petróleo ocorre depois de meses de pressão sobre o mercado de combustíveis.
O diesel europeu, por exemplo, chegou a ser negociado próximo de US$ 200 por barril nesta quarta-feira. As margens de refino também atingiram níveis excepcionalmente elevados devido à escassez de combustíveis e às dificuldades de abastecimento.
Nos Estados Unidos, o diesel atingiu recentemente níveis recordes, enquanto a gasolina também permanece pressionada.
Isso significa que o consumidor pode sentir os efeitos da crise mesmo que o petróleo bruto recue posteriormente, já que os preços dos derivados dependem também das condições das refinarias, estoques e custos de transporte.

Alta do petróleo ameaça inflação mundial
O retorno do Brent aos US$ 100 também preocupa os bancos centrais.
Petróleo mais caro aumenta os custos de transporte, produção industrial, geração de energia e logística. O impacto pode chegar a praticamente toda a economia, especialmente em países que dependem de importações de combustíveis.
A preocupação aumenta porque os bancos centrais ainda tentam controlar a inflação. Uma nova onda de alta da energia pode dificultar a redução dos juros ou até obrigar algumas autoridades monetárias a reconsiderar suas estratégias.
O mercado financeiro já começou a incorporar esse risco. A escalada do conflito aumentou a aversão ao risco e pressionou bolsas internacionais.
Petróleo já subiu mais de 60% no ano
Apesar da forte oscilação ao longo de 2026, o petróleo acumula uma valorização expressiva no ano.
O Brent e o petróleo americano chegaram a registrar alta superior a 60% no acumulado de 2026, refletindo principalmente os efeitos da guerra e os problemas provocados no fornecimento de energia.
O Brent chegou a superar US$ 126 em abril, antes de cair para a região dos US$ 70 em junho, quando aumentaram as expectativas de uma solução para o conflito e de reabertura do Estreito de Ormuz.
Com a retomada das hostilidades, os preços voltaram a subir.
Mercado teme uma nova disparada
A preocupação agora é saber quanto tempo a interrupção do fluxo de petróleo vai durar.
Se os ataques continuarem e o transporte pelo Estreito de Ormuz permanecer limitado, o mercado poderá enfrentar uma escassez ainda maior.
Analistas também acompanham o comportamento da China, maior importadora de petróleo do mundo. Um aumento das compras chinesas em um momento de oferta restrita poderia adicionar ainda mais pressão sobre os preços.
Por outro lado, uma redução das tensões ou uma retomada segura do transporte marítimo poderia provocar uma queda rápida das cotações, como já aconteceu em outros momentos do conflito.

O que pode acontecer com a gasolina e o diesel?
A alta internacional não significa uma transferência automática e imediata de todo o aumento para os postos brasileiros.
Os preços dos combustíveis no Brasil também dependem da cotação do dólar, das condições do mercado doméstico, dos preços praticados pela Petrobras e das margens de distribuição e revenda.
Ainda assim, uma alta prolongada do petróleo aumenta a pressão sobre toda a cadeia de combustíveis e pode elevar os custos de transporte e produção.
Para o consumidor, o risco é de uma nova rodada de aumentos caso o petróleo permaneça acima de US$ 100 durante um período prolongado.
Mercados acompanham próximos passos do conflito
O petróleo passou a ser um dos principais indicadores para medir o impacto econômico da guerra no Oriente Médio.
Investidores acompanham diariamente a movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz, novos ataques contra instalações de energia e qualquer sinal de negociação entre Estados Unidos e Irã.
A preocupação deixou de ser apenas o preço do barril e passou a envolver uma questão maior: quanto tempo a economia mundial conseguirá absorver uma nova alta dos custos de energia.
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Entenda O Contexto
O petróleo voltou a US$ 100 em um momento de forte tensão geopolítica no Oriente Médio. O conflito entre Estados Unidos e Irã e os ataques realizados pelos houthis contra estruturas de energia aumentaram o risco de interrupções no fornecimento mundial, principalmente por causa das dificuldades no Estreito de Ormuz.
A região é fundamental para o transporte de petróleo e derivados, e uma redução prolongada do fluxo pode pressionar ainda mais os preços. Para a economia global, o problema vai além do valor do barril: combustíveis mais caros aumentam custos de transporte, produção e logística e podem alimentar novamente a inflação.
O cenário também coloca os bancos centrais diante de um dilema, já que uma energia mais cara pode dificultar a redução dos juros. No Brasil, o impacto dependerá também do comportamento do dólar, das condições internas do mercado de combustíveis e da duração da atual escalada militar.
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